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Clima

Com ventos de até 330 km/h, tornados destruíram propriedades rurais no Paraná

Em Guarapuava e Candói, tornado atingiu granja de suínos e arrancou barracões, silo e casas; chuva retorna a partir de quarta-feira

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

10/11/2025 - 11:52

Silos destruídos em fazenda na cidade de Guarapuava- PR | Foto: Sindicato Rural de Guarapuava
Silos destruídos em fazenda na cidade de Guarapuava- PR | Foto: Sindicato Rural de Guarapuava

O ciclone extratropical que atingiu o Sul do país e destruiu 90% da cidade de Rio Bonito do Sul, no Paraná, se afastou do Brasil neste domingo, 9. O fenômeno, que atuou com força no Sul do País entre sexta, 7, e sábado, 8, perdeu intensidade no fim de semana. “O vento enfraquece bastante, em relação ao sábado, no litoral do Sudeste e da região Sul. Não há mais risco de temporal e nem de ventania no Sul do Brasil”, afirmou a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo.

Com o afastamento do sistema, o Paraná inicia uma semana de reconstrução e levantamento de prejuízos. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), três tornados foram confirmados durante as tempestades da noite de sexta-feira: um em Rio Bonito do Iguaçu, classificado como F3 na escala Fujita — com ventos entre 300 e 330 km/h —, outro em Guarapuava e um terceiro em Turvo, ambos de categoria F2.

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O Simepar informou que as análises foram feitas por meio de radares, vídeos e vistorias em solo. Segundo o órgão, as condições atmosféricas — com forte calor, alta umidade e mudança na direção dos ventos com a altura — criaram “um ambiente favorável à formação de tempestades severas e tornados no Estado”. Outras possíveis ocorrências ainda estão sob investigação. 

Em Rio Bonito do Iguaçu, casas, prédios públicos e escolas foram destruídos. Para apoiar a recuperação, o governo do Paraná anunciou a liberação de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap). O valor será usado na reconstrução de moradias e obras de infraestrutura. 

Danos em áreas rurais

Em Guarapuava e Candói, também no Paraná, os ventos chegaram a 250km/h e atingiram principalmente a zona rural. Segundo o presidente do Sindicato Rural da região, Rodolpho Botelho, os danos incluem estruturas destruídas e perdas em plantações, como milho, soja, aveia, cevada e trigo. 

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O sindicato ainda contabiliza o número de empreendedores rurais impactados. “Temos vários produtores muito prejudicados. O tornado arrancou barracão, silo, casas. Teve perdas de semente, de adubo. E pegou umas áreas de pinheiro de araucária, foi tudo para o chão”, contou. 

Segundo ele, por ser estreito, o tornado devastou completamente algumas propriedades, enquanto outras, vizinhas, ficaram intactas. “Ele pegou uma granja de suínos, foi uma calamidade, matou centenas de leitões, porcos e arrancou tudo lá”, disse.

Para ele, o maior problema é que muitos produtores não tinham seguro.  “Com essa política agrícola desastrosa, tem muito pouco seguro, né? O governo não honrou com a questão dos repasses. Isso vai ser um problema seríssimo”, enfatizou.

A região já havia sofrido com chuva na semana anterior, mas os danos atuais são maiores, concentrados em ventos fortes e não em granizo como em outras áreas.

Segundo a Federação da Agricultura do Estado (Faep), por enquanto, não há registros de danos significativos em outras áreas rurais.

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Rio Grande do Sul

A Defesa Civil gaúcha confirmou a morte de um homem de 21 anos em função do clima. O veículo dele foi localizado parcialmente submerso no Rio Capivaras, na localidade de Várzea, próximo à ponte que liga o Rio Grande do Sul a Santa Catarina, entre São José dos Ausentes e Bom Jardim da Serra (SC).

Até o momento, não há registro de danos severos em áreas agrícolas.

Previsão indica nova frente fria no meio da semana

Depois dos temporais, a semana começa com tempo firme e temperaturas amenas no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste. Segundo a meteorologista Desirée Brandt, da Nottus Meteorologia, a tendência é de estabilidade nos próximos dias.

“A partir do meio da semana, um novo sistema de baixa pressão deve se formar no interior da América do Sul e conectar-se à umidade da Amazônia, trazendo de volta a chuva e acumulados significativos nas áreas produtoras do Brasil”, disse Brandt.

Entre quarta, 12, e sexta-feira, 14, há previsão de pancadas de chuva em áreas do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo. No Nordeste, o avanço da frente fria pode reforçar nuvens carregadas no Maranhão, Piauí e Bahia.

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