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Clima

Vinhedos destruídos por tornado unem agricultores da Serra Gaúcha

Tornado em Flores da Cunha destruiu parreirais e movimenta força-tarefa para reconstrução de 73 hectares de videiras

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Mônica Rossi | Porto Alegre | monica.rossi@estadao.com

17/12/2025 - 15:49

Técnicos e agricultores reerguem estruturas de videiras em meio à destruição. Foto: Andrelise Cavagnoli/Prefeitura de Flores da Cunha
Técnicos e agricultores reerguem estruturas de videiras em meio à destruição. Foto: Andrelise Cavagnoli/Prefeitura de Flores da Cunha

Foi a primeira vez que o produtor de uva Luiz Antônio Fachin, de 63 anos, viu tamanha devastação nos morros e colinas que circundam a propriedade da família na localidade Travessão Alfredo Chaves. Também foi inédita para o viticultor a solidariedade em forma de força-tarefa que está sendo feita para recuperação dos parreirais que foram ao chão com a força do tornado em Flores da Cunha, fenômeno que devastou uma linha de dois quilômetros na região.

O fenômeno de 8 de dezembro teve curta duração, mas os ventos de mais de 100 km/h causaram estragos em 73 hectares ocupados por videiras no município, além de danos em mais de 80 casas somente na comunidade onde Fachin mora. 

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“Já vimos queda de parreiras, sim, em propriedades vizinhas por estarem com estrutura fraca ou por excesso de carga de uva. Mas assim, em razão de tempestade, tornado, jamais tinha visto. Foi muito assustador”, relata Fachin.

tornado em Flores da Cunha
Produtor Luiz Antônio Fachin participa da reconstrução dos vinhedos atingidos. Foto: Luiz Antônio Fachin/Arquivo Pessoal

A propriedade tem pouco mais de 12 hectares de parreiras, dos quais 2,6 foram derrubados. Uma área de 1,2 hectares onde eram cultivadas uvas bordô sofreu grandes prejuízos, chegando a uma perda de quase 100% na produção de frutas.

Foram necessários três dias e o trabalho de cerca de 100 pessoas para reerguer as estruturas atingidas na propriedade de Fachin. Na região da Serra Gaúcha, os parreirais mais comuns são do tipo latada (ou parreira coberta). Nesse sistema tradicional de cultivo, as plantas são conduzidas horizontalmente sobre uma estrutura de arames e postes, formando um teto de folhas que protege os cachos de uva.  

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A produção seria usada integralmente para vinhos de mesa da vinícola da família, a Sociedade de Bebidas Gazzi. Os impactos financeiros da passagem do tornado em Flores da Cunha ainda não foram calculados pela família.

“Está sendo muito difícil, mas essa frente de pessoas maravilhosas deixa a gente emocionado. Ver a contribuição das pessoas daqui do Travessão, da comunidade vizinha, de municípios vizinhos, entende? Você levanta seu alto astral, você trabalha com mais vontade”, relata emocionado.

Força-tarefa une municípios após tornado em Flores da Cunha

tornado em Flores da Cunha
Solidariedade marca o trabalho de reconstrução dos vinhedos após o tornado. Foto: Luiz Antônio Fachin/Arquivo Pessoal

O secretário de Agricultura de Flores da Cunha, Jamur Mascarello, explica que a prefeitura fez um chamamento público por ajuda para reconstruir as videiras, tarefa que exige conhecimento técnico e também força bruta. Segundo a secretaria, equipes de pelo menos 11 municípios se mobilizaram para a tarefa; o transporte dos voluntários e a alimentação estão sendo custeados pelo Sicredi. Técnicos da Emater também apoiam as ações. Dos 73 hectares que foram ao chão, cerca de 50 já foram reerguidos.

“Todos os fatores ajudaram para a gente conseguir reerguer, porque é uma quantidade absurda! Nunca foi imaginado acontecer, num único evento, uma queda tão grande assim de área de vinhedos”, explica Mascarello.

O secretário ressalta que o impacto foi grande para as comunidades atingidas. O município de Flores da Cunha é o maior produtor de uvas em uma única safra no Brasil, com uma área de vinhedos de mais de 5 mil hectares. Pelo menos 20% do território do município é coberto por parreirais. 

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Desde terça-feira, 16, o Exército Brasileiro também auxilia nas ações com 54 militares do 3º Grupo de Artilharia Antiaérea. O grupo deve permanecer na região até quinta-feira, 18.

Mascarello enfatiza que, para alguns produtores, as perdas financeiras ultrapassam 100% da produção, devido à necessidade de replantar mudas e ao trabalho adicional para restabelecer o vinhedo. O foco principal, com os mutirões, é garantir um mínimo de condição para as uvas poderem ser colhidas a partir de janeiro. “Depois, no inverno, é um trabalho totalmente novo que começa, que é de restabelecer o vinhedo, colocar os postes nos lugares certos, esticar os fios novamente, verificar quais plantas precisam ser replantadas. Aí vai ter todo o trabalho de condução dela por dois anos sem ela produzir nada”, explica.

A estimativa é que, até o final de semana, os mutirões coloquem de pé todos os vinhedos. “A força de um agricultor que não tem medo de recomeçar se multiplica quando vira força de comunidade. Os agricultores estenderam as mãos uns aos outros e mostraram que aqui ninguém enfrenta as adversidades sozinho. Assim, somamos esforços para garantir apoio e agilidade na recuperação dos parreirais”, disse em nota o prefeito, César Ulian.

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