Inovação
Estudo da Embrapa aposta em algas brasileiras contra os efeitos da seca
Bioestimulantes naturais testados em canola e trigo apresentam ganhos expressivos e podem ajudar lavouras do Cerrado
Redação Agro Estadão
11/03/2026 - 09:55

Com o avanço das mudanças climáticas e a irregularidade das chuvas em regiões agrícolas do País, cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estão recorrendo ao mar para buscar soluções. Um estudo recente desenvolvido pela Embrapa Agroenergia e Embrapa Meio Ambiente avalia o potencial de algas brasileiras como bioestimulantes para culturas de grãos expostas à seca.
Em testes de casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado, os resultados indicaram incremento de até 160% na formação de síliquas (vagens com sementes) e 12% no crescimento radicular, índices associados à produtividade em períodos de seca.
O projeto, chamado Algoj, é conduzido em parceria com a empresa CBKK e apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Segundo a pesquisadora Simone Mendonça, “é uma oportunidade para o produtor trabalhar com materiais da nossa biodiversidade e investir em ações que contribuam para a adaptação às mudanças climáticas”.
Ao longo de dois anos, a equipe testou diferentes métodos de extração de compostos ativos das algas, conhecidos como fitormônios, até chegar a duas formulações promissoras. A pesquisa também desenvolveu uma versão em pó do bioestimulante, com maior estabilidade e facilidade de transporte.
Validação nas lavouras
Com a fase de laboratório e casa de vegetação concluída no início de 2026, o próximo passo do projeto é levar a tecnologia para a vida real das fazendas. A transição para o campo é crucial, pois os testes iniciais ocorreram sob umidade e temperatura controladas, condições bem diferentes do clima imprevisível das lavouras. O objetivo agora é definir recomendações exatas de dosagem, avaliar misturas de diferentes algas e testar o comportamento do extrato sob diversas variações de chuva.
Apesar da necessidade de validação externa, o otimismo das equipes técnicas se mantém alto. O pesquisador Agnaldo Chaves alerta que os picos de crescimento registrados na estufa não devem se repetir na mesma proporção em áreas com centenas de milhares de plantas por hectare, mas projeta um impacto comercial atrativo. “Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, destaca Chaves.
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