Inovação
Protocolo inédito abre caminho para a produção de leite de coelha
Após dois anos de estudo, a UEM criou uma técnica para coletar leite de coelhas, passo-chave para produzir o leite artificial
Redação Agro Estadão*
05/03/2026 - 05:00

Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) criaram uma técnica inédita para coletar leite de coelhas após dois anos de estudos. A descoberta pode ajudar a diminuir a morte de filhotes de coelho, um problema que afeta criadores em todo o país.
A pesquisa estabelece as bases para produzir uma fórmula artificial com leite de coelha, produto que ainda não existe no Brasil.
O que o estudo investigou na produção de leite de coelha?
O estudo busca resolver uma questão séria na criação de coelhos: cerca de 20% dos filhotes morrem entre 30 e 40 dias de vida, período conhecido como desmame.
A equipe coordenada por Leandro Castilha descobriu que o problema principal estava na falta de alimento para os filhotes em ninhadas grandes.
Uma coelha normalmente tem entre 10 e 12 filhotes por vez, mas possui apenas oito tetas. Quando nascem 14 ou 16 filhotes, alguns ficam sem leite suficiente.
O professor Silvio Leite, que desenvolveu a técnica, explica que o maior desafio era conseguir o leite da coelha: “sem o filhote, o leite simplesmente não sai”. O leite só sai quando o filhote faz movimentos específicos com a língua e suga o mamilo da mãe.
Coletar leite de coelha é uma tarefa difícil, já que as coelhas são muito sensíveis ao estresse, e quando ficam nervosas, não liberam leite.
Além disso, elas amamentam os filhotes apenas uma ou duas vezes por dia, tornando a coleta ainda mais difícil.
Como funciona o protocolo de ordenha descrito no estudo

Os pesquisadores criaram um método que combina três elementos:
- Aplicação de hormônios em doses adequadas ao tamanho do coelho;
- Estímulo natural do filhote para fazer o leite descer;
- Uso de equipamento de sucção para coletar o leite.
A equipe testou várias técnicas, como massagem manual e seringas, mas nada funcionava. Então adaptaram métodos usados em vacas leiteiras, ajustando as doses de hormônio para o peso menor dos coelhos.
O protocolo foi desenvolvido para não causar estresse nas coelhas. Os pesquisadores estabeleceram regras específicas para manter os animais calmos antes, durante e depois da coleta. Isso garante não só o sucesso do procedimento, mas também a qualidade do leite obtido.
A técnica permite coletar leite sempre da mesma forma, controlando fatores como horário da coleta, condições do ambiente e forma de armazenamento. Isso é importante para que os resultados das análises sejam confiáveis e possam ser comparados entre diferentes estudos.
O que muda com esse protocolo
O protocolo permite criar o primeiro leite artificial de coelha do Brasil. Países como Estados Unidos e nações europeias já vendem esse produto, mas aqui ainda não existe. A UEM pode se tornar pioneira nessa área e até registrar uma patente.
A expectativa é que o leite artificial diminua muito a morte de filhotes e torne a criação de coelhos mais lucrativa. Segundo Castilha, “queremos ver todos os animais que nascem chegarem saudáveis à idade de venda”.
O leite de coelha possui alta concentração de proteínas. Segundo estudo do Instituto Butantan, o teor de proteína se mantém estável em 11,2 gramas para cada 100ml entre o 5º e 15º dia de lactação.
Essa concentração elevada de nutrientes é necessária para o crescimento rápido dos filhotes, que dobram de peso nos primeiros dias de vida. Por ter essa composição única, não é possível usar leite artificial de outras espécies para alimentar filhotes de coelho.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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