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Clima

Ciclone provoca novos estragos; confira a previsão do tempo

No RS, Defesa Civil confirma tornado em Flores da Cunha; meteorologistas apontam novas rajadas acima de 70 km/h no Sul e chuvas isoladas no Sudeste

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

10/12/2025 - 12:05

Camaquã decretou situação de emergência após registrar 223 milímetros de chuva em 24 horas. | Foto: Prefeitura de Camaquã/RS
Camaquã decretou situação de emergência após registrar 223 milímetros de chuva em 24 horas. | Foto: Prefeitura de Camaquã/RS

Os temporais associados ao ciclone extratropical que atravessa a Região Sul provocaram mais danos entre a tarde de terça, 9, e a madrugada desta quarta-feira, 10. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, as instabilidades causaram inundações, deslizamentos de terra, quedas de árvores e falta de energia.  

No RS, as rajadas de vento passaram de 65 km/h em municípios como Pelotas, Herval e Tramandaí, segundo a Defesa Civil. Dados do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS) mostram que Amaral Ferrador registrou os maiores volumes de chuva das últimas 48 horas, com 310 milímetros — o maior acumulado do Estado no período. Outras cidades da metade Sul também tiveram volumes expressivos.

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Um dos municípios mais atingidos foi Camaquã, que decretou situação de emergência após registrar 223 milímetros de chuva em 24 horas, um dos maiores volumes medidos no Estado. Segundo a prefeitura, o transbordamento repentino de um córrego na área urbana obrigou equipes municipais a retirar famílias no meio da tarde de ontem, quando a água avançou em poucos minutos. 

Transbordamento de um córrego em Camaquã, no Rio Grande do sul. | Foto: Prefeitura de Camaquã/RS

O interior do município também foi atingido. A administração relata danos estruturais na região da Serra, próxima à BR-116, com pontes avariadas, estradas interrompidas e comunidades sem comunicação. Algumas localidades estão isoladas e o acesso só é feito por veículos da Brigada Militar Ambiental.

Na várzea, onde se concentra a produção agrícola, áreas recém-preparadas para o plantio ficaram totalmente alagadas. A Prefeitura já admite perdas na lavoura de arroz, embora o levantamento técnico ainda esteja em andamento.

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A Defesa Civil gaúcha também registrou ocorrências em Arroio do Padre, Bom Retiro do Sul, Capão do Leão, Osório, Pelotas, Rio Grande, Sentinela do Sul, Tapes e Turuçu. A maioria relacionada a destelhamentos, alagamentos, quedas de árvores, deslizamentos e falta de energia. Não há registros de mortes.

Em Santa Catarina, as tempestades associadas ao ciclone extratropical ultrapassaram, em poucas horas, o volume de chuva esperado para todo o mês de dezembro em diversas regiões do Estado. O avanço do sistema provocou alagamentos, enxurradas e deslizamentos. Três pessoas morreram. 

Tornado em Flores da Cunha

Desde o início da semana, o Rio Grande do Sul sente os impactos dos fenômenos associados ao ciclone extratropical. Em Flores da Cunha, o Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual confirmou nesta terça-feira, 9, que foi um tornado o fenômeno que atingiu o município. A conclusão de baseou em imagens aérea, que mostram que os destroços foram jogados em diferentes direções, o que caracteriza o fenômeno.

Além dos danos na zona urbana, ao menos 20 parreirais foram destruídos. Um galpão da Vinícola Bebber foi devastado. Na estrutura, localizada na cidade, eram feitas a expedição, rotulagem e estoque de produtos semi-acabados e acabados. “Esse pavilhão, ele não existe mais. Cobertura, paredes, foi tudo pelos ares”, disse Felipe Bebber, um dos proprietários.

Segundo ele, ainda não é possível mensurar as perdas. Com o apoio de voluntários e funcionários, a empresa está verificando o que pode ser “salvo” do estoque, que ficou sob os escombros. “Uma parte dos vinhos que estava acondicionado em gaiolas de madeira dos produtos ainda sem rótulo está sendo removida”, explicou. A gente tem uma venda aí um pouco aumentada nessa época, então, tem todo esse contratempo desse período, mas vamos lá, devagar a gente vai se reorganizar”. 

Ciclone segue influenciando o clima

A meteorologista Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK, afirma que o ciclone ainda influencia o clima nesta quarta-feira, 10, mesmo ao se afastar para o oceano. “O ciclone avança para alto-mar ao longo da manhã de hoje, mas a ventania continua intensa, com rajadas acima de 70 km/h no leste do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná”, disse. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve o alerta vermelho de tempestade para grande parte da Região Sul, válido até 23h59 desta quarta. A previsão indica chuva acima de 100 mm, ventos superiores a 100 km/h e possibilidade de granizo, com risco de queda de árvores, danos em coberturas, interrupção de energia e alagamentos.

O órgão também renovou o aviso de ventos costeiros de grande perigo, que permanece em vigor no litoral do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná até o fim do dia. Segundo o Inmet, a intensificação dos ventos nas regiões litorâneas pode provocar movimentação de dunas, ressaca, danos em estruturas próximas à orla e condições adversas para navegação.

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