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Chuvas irregulares elevam o risco de estresse hídrico nas lavouras; veja onde

Análise por satélite aponta avanço da umidade no Centro-Norte e recuo no Centro-Sul, com risco ao potencial produtivo.

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Redação Agro Estadão

27/01/2026 - 09:18

Mato Grosso do Sul, São Paulo e os estados do Sul registraram redução da umidade do solo. Foto: Adobe Stock
Mato Grosso do Sul, São Paulo e os estados do Sul registraram redução da umidade do solo. Foto: Adobe Stock

As chuvas ficaram restritas a pequenas áreas do País nos últimos dias e o impacto nas lavouras brasileiras foi desigual. Enquanto regiões do Centro-Norte mantiveram ou elevaram a umidade do solo, o Centro-Sul registrou perda hídrica, segundo análise da EarthDaily Analytics, empresa global de monitoramento agrícola por satélite.

O levantamento aponta que a maior parte da zona produtora de soja teve volumes de chuva abaixo da média nos últimos dias. Ainda assim, dados de sensoriamento remoto indicam que, em áreas como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e o Matopiba, a umidade do solo aumentou. O cenário é considerado favorável para as lavouras, sobretudo nas fases de crescimento vegetativo e enchimento de grãos.

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A situação é diferente no Centro-Sul. Em Mato Grosso do Sul, São Paulo e nos Estados do Sul, houve redução da umidade do solo no mesmo período. Os níveis, porém, ainda eram considerados satisfatórios na semana anterior, o que ameniza os efeitos imediatos da escassez de chuva e reduz, no curto prazo, o risco de estresse hídrico mais severo.

“A evolução da umidade do solo seguirá desigual nos próximos dias. No Centro-Norte, abrangendo Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e o Matopiba, o modelo europeu ECMWF [Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo] indica aumento ou manutenção da umidade do solo, condição favorável ao desenvolvimento das lavouras. Já no Centro-Sul, incluindo Mato Grosso do Sul, São Paulo e a Região Sul, a tendência é de queda da umidade do solo, o que pode limitar o potencial produtivo”, afirma Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily.

Segundo o relatório técnico, as chuvas acima da média devem ocorrer apenas em uma faixa restrita do território nacional. Modelos meteorológicos, como o europeu ECMWF e o americano GFS [Sistema Global de Previsão], apontam precipitações mais elevadas para áreas de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. O GFS também indica volumes acima da média em partes do Maranhão. No restante do País, especialmente no Centro-Sul, a previsão é de chuva bem abaixo da normalidade.

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Nordeste e Cerrado mantêm quadro favorável

No Maranhão, as lavouras de verão seguem em condições consideradas satisfatórias. O NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada, indicador do vigor vegetativo) apresentou leve perda de ritmo nos últimos dias, possivelmente associada à umidade do solo abaixo da média em períodos anteriores. Mesmo assim, os valores absolutos permanecem adequados, sem sinais de estresse generalizado.

A EarthDaily observa ainda que a umidade do solo voltou a subir recentemente no Estado. A tendência no curto prazo é de continuidade desse movimento, o que deve favorecer a retomada do vigor das plantas. Na comparação com anos anteriores, o índice atual repete um padrão visto em 2021, quando as lavouras tiveram produção acima do normal.

No Piauí, o cenário também é positivo. As lavouras exibem bom vigor ao longo do ciclo, sustentadas pela umidade do solo acima da média. Esse quadro reduz o risco de estresse hídrico no curto prazo e favorece o desenvolvimento das culturas.

No oeste da Bahia, a avaliação segue construtiva. Os indicadores de vegetação estão em nível semelhante ao registrado tanto na safra de 2024, marcada por quebra, quanto na de 2021, de alto rendimento. A diferença está no balanço hídrico, hoje mais próximo do padrão observado em 2021, o que diminui as preocupações com o potencial produtivo da safra em andamento.

Centro-Oeste e Sul sob observação

Em Goiás, as lavouras estão em boas condições. Os dados de satélite indicam evolução positiva das plantas, e a previsão de chuvas nos próximos dias tende a sustentar um ambiente favorável ao desenvolvimento das culturas.

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Em Mato Grosso do Sul, a estiagem recente ainda não trouxe impactos relevantes. Mesmo com semelhança no quadro hídrico a um ano desfavorável, os indicadores de campo seguem positivos, mantendo uma avaliação otimista para o Estado.

No Rio Grande do Sul, o cenário é considerado promissor. O vigor das lavouras está acima da média dos últimos cinco anos e avança de forma consistente ao longo do ciclo, reforçando expectativas favoráveis para a produção de verão.

A análise mostra que, apesar das chuvas irregulares, o monitoramento por satélite permite identificar diferenças regionais importantes. Para produtores e agentes do setor, a atenção se volta agora à continuidade desse padrão desigual e aos reflexos sobre o rendimento final da safra.

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