PUBLICIDADE

Agropolítica

Presidente da FPA defende que mudanças no modelo de seguro rural não sejam feitas agora

Entidade também avalia que situação da safra brasileira pode piorar e que soja vive “tempestade perfeita”

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com

27/02/2024 - 18:21

Foto: FPA/Divulgação
Foto: FPA/Divulgação

O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Pedro Lupion (PP-PR), entende que este não é o momento para alterações no modelo de seguro rural feito no Brasil. Recentemente, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, disse que a pasta estuda mudanças, podendo adotar um modelo semelhante ao que é feito no México. Ao Agro Estadão, Fávaro falou que o montante pleiteado é de R$ 2 bilhões para a subvenção.

“Se você calcula que alterar o modelo de seguro do país no momento em que tem uma crise grave acontecendo e que quem tá segurando, seguradoras e resseguradoras, não vão conseguir executar a dívida, fica extremamente difícil fazer uma nova negociação”, afirmou o deputado após a reunião da FPA nesta terça, 27.

CONTEÚDO PATROCINADO

Para Lupion, repensar o seguro no país é algo a “longuíssimo prazo”. “Não é no meio da crise ou no começo da crise que a gente vai conseguir resolver os problemas”, completou. 

Outro movimento que o deputado avalia negativamente é uma possível migração de recursos do Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) para o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural). Ele explicou que o Proagro é uma despesa obrigatória, ou seja, o governo federal tem a obrigação de cumprir. No entanto, com a lei orçamentária de 2024, o PSR foi classificado como uma despesa discricionária, isto é, sujeita a contingenciamento. 

“Não tenho dúvida que o governo está fazendo isso porque o impacto no recurso do Proagro, que ele é obrigado a liberar, foi altíssimo. Não consigo dizer para vocês o número, mas estamos falando em bilhões que aconteceram agora com o Proagro e que eles querem passar para o PSR justamente para poder contingenciar esse recurso. Então, é conta. Tá saindo muito mais e o governo está tendo que arcar com um custo que não tava contando”, afirmou.

PUBLICIDADE

Durante o Show Rural Coopavel, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, disse que há trativas de mudanças tanto no Proagro quanto no PSR. 

“Essa questão do Proagro, que tem funcionado muito bem, não é por acaso que a Fazenda e o CMN (Conselho Monetário Nacional) querem mudar o sistema. É porque realmente viram acessar cada vez mais o Proagro e também não conseguiram executar as garantias. Essa é a grande dificuldade, porque temos uma crise”, pontuou Lupion. 

O Proagro é um programa federal que arca com despesas de financiamentos rurais de custeio agrícola em caso de redução de receitas devido a eventos climáticos ou pragas. O valor máximo segurado é de R$ 335 mil. O foco do auxílio são pequenos e médios produtores, mas não é restrito apenas a essas categorias. 

Já o PSR funciona de forma diferente. Neste auxílio, o governo subsidia apenas uma parte do prêmio pago pelos produtores às seguradoras. Para o grupo de grãos, o limite é de 20% e para os demais grupos, que engloba pecuária, por exemplo, é de 40%. O valor máximo é de R$ 60 mil por grupo e a totalidade não pode ultrapassar R$ 120 mil anualmente. O Nordeste tem limites de 25% e 45% respectivamente. 

“Não chegamos ao fundo do buraco ainda”

O presidente da Frente também não está muito animado com os próximos anos. Na avaliação dele, o setor Agro está “dentro do buraco” e esse pode não ser o fundo do poço. “O que todas as consultorias e entidades nos apresentam é que é uma crise, uma crise grande. Que não vai durar só este ano. Vai mais um, dois, três anos mais para frente”, ressaltou.

PUBLICIDADE

Questionado sobre as medidas que a FPA tem tomado, ele disse que ainda não é possível apresentar alternativas pois “não se sabe o tamanho do buraco”. Lupion cobrou uma atuação mais enérgica do governo federal. 

“O primeiro ponto é o governo assumir e indicar que estamos em uma crise, e que vamos precisar de um montante razoável de recursos para conseguir compensar essa crise, seja no Plano Safra, que vamos planejar aí em junho e julho, seja no Seguro [Rural], que não aconteceu e que precisa acontecer”, completou. 

“Tempestade perfeita” na soja

O deputado elencou os custos de produção, os preços de venda da soja e a quebra de safra como fatores para a formação do que ele classificou como “tempestade perfeita”. 

“Se você está vendendo praticamente 100% a menos do que o preço que você plantou e seu custo de produção excede o seu custo de comercialização, numa safra de pelo menos 20 milhões de toneladas a menos, é a tempestade perfeita. Essa tempestade perfeita é que precisa ser calculada. Hoje o produtor tem menos colheita, com preço 100% menor do que o custo que ele plantou”, disse Lupion.

Ainda segundo o deputado, um primeiro passo foi dado no início de fevereiro com a apresentação do projeto de lei 165 de 2024. A proposta prevê a renegociação de dívidas colocando prazos de 18 a 36 meses para o pagamento das pendências de financiamento rural.

Para dar celeridade ao processo, o projeto 165 foi apensado à proposta 5.122 de 2023, que já está pronta para ser discutida no plenário da Câmara dos Deputados. A expectativa dos parlamentares é que ela seja discutida em breve.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Trump anuncia pacote de US$ 12 bilhões para socorrer produtores

Agropolítica

Trump anuncia pacote de US$ 12 bilhões para socorrer produtores

Medida visa reduzir causados ao setor produtivo após conflito tarifário com a China, principal mercado comprador de itens agrícolas dos EUA

Lula determina criação de ‘mapa’ para redução de combustíveis fósseis no Brasil

Agropolítica

Lula determina criação de ‘mapa’ para redução de combustíveis fósseis no Brasil

Proposta terá mecanismo de financiamento para proporcionar transição 

Ministério da Agricultura cria Programa Nacional de Rastreabilidade Voluntária

Agropolítica

Ministério da Agricultura cria Programa Nacional de Rastreabilidade Voluntária

Proposta não será limitada a um nicho e vai abarcar cadeias produtivas

Conab anuncia compra de R$ 46 milhões em alimentos da agricultura familiar 

Agropolítica

Conab anuncia compra de R$ 46 milhões em alimentos da agricultura familiar 

As compras acontecem por meio do Programa de Aquisições de Alimentos e as propostas podem ser enviadas até dia 08

PUBLICIDADE

Agropolítica

Lei garante isenção de taxas para pesquisas da Embrapa

Acordo viabilizou derrubada do veto total para texto que elimina custos com Inpi, Anvisa e Ibama

Agropolítica

Vai à sanção projeto que impede congelamento de recursos do Seguro Rural 

Além do seguro rural, gastos com pesquisa feitos pela Embrapa também foram incluídos na mesma categoria

Agropolítica

RS: Farsul aponta entraves na renegociação de dívidas rurais

Governo Federal, Banco do Brasil e entidades discutiram, nesta quinta-feira, 4, soluções para agilizar o crédito subsidiado aos produtores gaúchos

Agropolítica

Governo suspende processo que pode incluir tilápia em lista de espécies invasoras

Setor teme que medida possa dificultar o cultivo da tilápia no Brasil, apesar do MMA indicar iniciativa é apenas de “caráter preventivo”

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.