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Agropolítica

Pará cobra inclusão em negociações de carne com o Japão

Movimento do setor protesta contra possível restrição das exportações apenas aos estados do Sul

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

22/08/2025 - 13:14

Foto: Adobe Stock
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Representantes da Aliança Paraense pela Carne — movimento formado pela cadeia produtiva do setor — cobraram do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a inclusão do Pará nas negociações com o Japão para abertura do mercado à carne bovina brasileira. Como mostrado pelo Agro Estadão, há a expectativa de que o anúncio de uma abertura do mercado de carne bovina para o Japão ocorra entre novembro e dezembro deste ano. Porém, nem todos os estados brasileiros devem ser habilitados.

De acordo com o ofício enviado pelo movimento ao ministro Carlos Fávaro, somente os estados do Sul estão sendo priorizados nas tratativas. “Incomoda-nos saber que, mais uma vez, as tratativas com o Japão priorizam apenas alguns estados e, nesse caso, os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, diz o documento (veja íntegra abaixo).

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O ofício é assinado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Associação dos Criadores de Pará (Acripará), Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Sindicato das Indústrias de Carne do Pará (Sindicarne-PA), Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Pará (Fetraf-PA) e União Nacional da Indústria e Empresas da Carne (Uniec).

Em entrevista ao Agro Estadão, o presidente da Uniec, Francisco Victer, afirmou que o setor aguarda resposta do Ministério da Agricultura. “A gente não teve retorno ainda, mas já há uma série de conversas. O Brasil vem tentando vender carne para o Japão há muitos anos. Esse é um mercado que compra muito e remunera bem. Por isso, faz todo sentido conquistá-lo”, disse.

Segundo ele, o manifesto foi motivado por documentos enviados pelo próprio Mapa aos estados. “Existem documentos que já tratam dessa mecânica de como vai acontecer a habilitação, como ela está sendo conduzida. Isso é de conhecimento público”, afirmou. A reportagem pediu ao Mapa a confirmação sobre a possível restrição das habilitações aos estados da Região Sul, mas ainda não obteve resposta.

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Status sanitário único

Na avaliação de Victer, a escolha decorre de “excesso de cautela” do governo. “Como se trata de um mercado novo, imagino que o Ministério esteja agindo com conveniência da sua própria capacidade de negociação. A gente entende isso, mas não pode deixar de manifestar nosso protesto”, afirmou.

No ofício, as entidades reconhecem os avanços do governo na diplomacia comercial, mas defendem que a “seleção” amplia desigualdades entre regiões produtoras: “mesmo reconhecendo o valor desses estados e a complexidade das negociações que envolvem também o Ministério das Relações Exteriores brasileiro e o Ministério da Agricultura, Florestas e Pescas do Japão, queremos deixar registrado nosso protesto, pois sabemos que a não inclusão dos demais 23 estados e do Distrito Federal, neste momento, ampliará ainda mais a desigualdade comercial entre as unidades da federação, sobretudo as do sul em relação as do centro-norte do Brasil”.

Para o presidente da Uniec, a abertura, caso restrita ao Sul, contradiz o reconhecimento internacional do Brasil como país de status sanitário único. “O nosso sentimento é de inconformidade. O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal como um estado sanitário único. Quando o Ministério inicia esse processo apenas por três estados, passa a ideia de que eles são melhores que os demais”, afirmou.

Victer também alertou para os impactos comerciais da medida: “se você exporta para o Japão, automaticamente ganha credibilidade em outros destinos, como a Coreia do Sul. E isso cria um desequilíbrio”. “Deixe o próprio mercado japonês escolher de quem ele quer comprar”, completou.

O gestor destacou que o Pará já exporta carne para destinos como China, Emirados Árabes e Arábia Saudita, e que o setor investe em sanidade, rastreabilidade e sustentabilidade. “Existe um esforço enorme da pecuária paraense, com governo, produtores e indústrias, para oferecer um alimento seguro e de alto valor biológico. Mas, quando esperamos que esse esforço seja recompensado com oportunidades, vemos mais uma vez o Brasil negar espaço a quem se esforça”.

Japão é o 7º maior importador de produtos agropecuários brasileiros

A abertura do mercado japonês para a carne bovina do Brasil recebeu uma atenção maior nas últimas semanas. O assunto foi tema de um encontro que ocorreu neste mês entre o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, e autoridades do governo do país. 

O andamento das negociações é visto com bons olhos pela pasta. “Independente se ele for para um estado, para três, para cinco ou para 27, é uma conquista histórica. Seria uma das maiores aberturas da história pro Brasil”, afirmou o secretário ao Agro Estadão.

Em 2024, segundo o Mapa, o Japão importou mais de US$ 3,3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para carnes, café, cereais, farinhas e preparações, sendo o 7º maior importador de produtos agropecuários do Brasil. 

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