Agro na COP30
Embrapa cria 'coworking' para pesquisas no agro
Inovação foi lançada na COP 30 e já tem empresas interessadas em pesquisar sistemas agroflorestais no próximo ano
Daumildo Júnior* | Belém (PA) | daumildo.junior@estadao.com
18/11/2025 - 10:58

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) quer dar uma nova funcionalidade para alguns de seus espaços e ela se assemelha ao conceito de coworking. Ao invés de mesas e salas de reuniões, típicas dos coworkings, a proposta é oferecer ambientes em que empresas possam tocar suas próprias pesquisas.
A primeira unidade da iniciativa AgForest Lab a receber interessados é a Amazônia Oriental, o anúncio foi feito nesta terça-feira, 18. São 203 hectares disponibilizados para que a própria estatal ou empresas privadas possam tocar seus experimentos. Por estar localizada em Belém (PA), ou seja, dentro do bioma Amazônia, os primeiros projetos devem ser na escalabilidade dos sistemas agroflorestais (SAFs).
“É um hub de inovação, mas ele tem uma característica específica, ele é um laboratório vivo, é uma fazenda produtiva onde a gente coloca os processos de inovação acontecendo ali, principalmente, atividades de desenvolvimento, de validação tecnológica e de demonstração. A partir disso, outras ações podem acontecer nessa infraestrutura, como capacitações, treinamentos e eventos”, destacou ao Agro Estadão o supervisor de inovação da Embrapa, Vitor Mondo.
O anúncio foi feito na AgriZone, um espaço reservado para representar o setor agropecuário durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30). O AgForest Lab integra o Farm Lab, que já possui iniciativas semelhantes de fornecimento de infraestrutura de pesquisa.
De acordo com Mondo, a implementação desse coworking a céu aberto deve ocorrer já no próximo ano. “A gente entende que sistemas agroflorestais são soluções customizáveis para restauração e impulsionamento da bioeconomia no bioma Amazônico”, complementa.
Ele também conta que alguns modelos de sistemas agroflorestais já estão sendo pensados para serem aplicados ali dentro. É o caso das agroflorestas com dendê, cacau, açaí e café. Mas ele também ressalta que a ideia é “não se limitar a essas culturas”, já que a diversidade do bioma pode favorecer outros tipos de SAFs.
Mondo indica ainda que já há empresas e associações interessadas em fazer uso do terreno no próximo ano. “São nove que assinaram protocolos ou já apoiaram, de alguma forma, o empreendimento e vão, então, em 2026, continuar construindo a jornada deles conosco para passar a utilizar o espaço e contribuir com as suas perspectivas de negócios”, disse o supervisor da Embrapa.
*Jornalista viajou a convite da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) e CropLife Brasil
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