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Sustentabilidade

Voçoroca: entenda fenômeno que engole bairros inteiros no Brasil

De São Paulo ao Maranhão, a voçoroca ameaça lavouras, comunidades e o principal ativo do produtor rural: o solo

Nome Colunistas

Redação Agro Estadão*

13/09/2025 - 07:00

Buriticupu (MA). Foto: Marcelino Farias/UFMA/Revista Pesquisa Fapesp
Buriticupu (MA). Foto: Marcelino Farias/UFMA/Revista Pesquisa Fapesp

O solo é o principal ativo do produtor rural, fundamental para a produtividade e sustentabilidade da propriedade. No entanto, a erosão, especialmente em suas formas mais severas como a voçoroca, representa uma ameaça direta a esse recurso vital. 

Recentemente, casos alarmantes chamam a atenção no Brasil, como em São Paulo e no Maranhão, onde populações inteiras enfrentam os impactos devastadores desse fenômeno.

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Em Lupércio, interior de São Paulo, uma cratera formada por voçoroca preocupa autoridades e moradores. Já no Maranhão, na cidade de Buriticupu, o avanço das voçorocas levou à declaração de estado de calamidade pública, ameaçando mais de 1.200 pessoas. 

Esses eventos destacam a urgência de compreender e combater esse problema que afeta não apenas áreas rurais, como também centros urbanos.

O que é voçoroca e como ela afeta sua lavoura?

A voçoroca, também conhecida como boçoroca, é um processo erosivo extremo que resulta na formação de grandes crateras no solo. Esse fenômeno ocorre quando a água da chuva e o escoamento superficial concentrado atuam sobre solos desprotegidos ou mal manejados.

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O processo de formação da voçoroca inicia-se com pequenos sulcos no solo, que evoluem para ravinas e, finalmente, para grandes buracos que podem atingir o lençol freático. 

Fatores como o desmatamento de áreas sensíveis, especialmente matas ciliares, queimadas, preparo do solo em desacordo com as curvas de nível, compactação por maquinário pesado e caminhos mal planejados aceleram seu surgimento e desenvolvimento.

Os impactos da voçoroca na produtividade rural

voçoroca
Campo Grande (MS). Foto: SEJUSP/Divulgação

Os prejuízos causados pelas voçorocas às propriedades rurais são extensos e multifacetados. A perda irreversível de solo fértil é o impacto mais direto e grave. 

A camada superficial do solo, rica em nutrientes e matéria orgânica, é carregada pela erosão, comprometendo a fertilidade da terra por décadas.

A redução da área cultivável e de pastagens é outro efeito imediato. À medida que a voçoroca avança, ela transforma terras produtivas em espaços inutilizáveis, diminuindo significativamente a capacidade produtiva da propriedade. 

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Além disso, a dificuldade de tráfego causada por essas formações limita o acesso e a circulação de máquinas e veículos agrícolas, afetando diretamente as operações da fazenda.

O assoreamento de corpos d’água é uma consequência grave que se estende além dos limites da propriedade. 

Os sedimentos carregados pela voçoroca acabam depositados em rios, córregos e represas, reduzindo sua capacidade de armazenamento e qualidade da água. Isso afeta o abastecimento local e impactam os ecossistemas aquáticos inteiros.

A infraestrutura da propriedade também sofre danos consideráveis. Estradas vicinais, cercas, benfeitorias e sistemas de irrigação podem ser destruídos ou seriamente comprometidos pelo avanço da erosão. 

Os impactos financeiros são substanciais, envolvendo custos elevados com medidas de recuperação, perda de produção e desvalorização da terra.

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Os problemas ambientais associados às voçorocas também são significativos. O desequilíbrio de ecossistemas locais e a perda de biodiversidade são consequências diretas da destruição de habitats naturais e da alteração da paisagem.

Como prevenir a voçoroca

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Buriticupu (MA). Foto: MPMA/Divulgação

Manejo do solo e água

A prevenção de voçorocas está intrinsecamente ligada a práticas adequadas de manejo do solo e da água. O plantio em nível, seguindo as curvas do terreno, é uma técnica fundamental. 

Ao acompanhar o contorno natural da terra, essa prática reduz a velocidade da enxurrada e favorece a infiltração da água no solo, diminuindo o risco de erosão.

A construção de terraços é outra medida eficaz. Existem diferentes tipos, como terraços de base larga, estreita e em degraus. 

Sua função principal é interceptar e direcionar o fluxo de água de forma controlada, evitando que ganhe velocidade e volume suficientes para causar erosão severa.

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O cultivo mínimo e o plantio direto são práticas que preservam a estrutura do solo. Ao reduzir a movimentação da terra e manter a palhada sobre o solo, essas técnicas aumentam o teor de matéria orgânica, melhoram a estrutura do solo e o protegem contra o impacto direto da chuva

A rotação de culturas complementa essas práticas, contribuindo para a melhoria da estrutura do solo, ciclagem de nutrientes e aumento da cobertura vegetal.

Sistemas de drenagem adequados, como canaletas, caixas de retenção e bacias de contenção, são essenciais para manejar o excesso de água. Essas estruturas ajudam a direcionar e armazenar temporariamente a água da chuva, reduzindo seu potencial erosivo.

Cobertura vegetal

A vegetação desempenha um papel fundamental na proteção do solo contra a erosão. As culturas de cobertura, também conhecidas como adubação verde, são uma estratégia eficaz. 

Plantas como crotalária, aveia e nabo forrageiro não apenas protegem o solo do impacto direto da chuva, como também fixam nutrientes e melhoram o teor de matéria orgânica.

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O manejo adequado de pastagens é igualmente importante. Evitar o superpastejo, que expõe o solo ao impacto das chuvas e à compactação pelo gado, é fundamental. 

A recuperação de pastagens degradadas deve ser uma prioridade, pois áreas de pasto bem manejadas oferecem excelente proteção contra a erosão.

O reflorestamento e a revegetação de áreas sensíveis são medidas importantes. Árvores e arbustos em encostas, topos de morro, áreas de nascentes e matas ciliares desempenham um papel vital. Suas raízes fixam o solo, enquanto suas copas reduzem a energia da chuva antes que atinja o solo.

A manutenção e recuperação da mata ciliar merecem atenção especial. Essa vegetação às margens de cursos d’água não apenas protege contra a erosão, como também filtra sedimentos e poluentes, preservando a qualidade da água.

Como restaurar a vida no solo atingido pela voçoroca

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Rio Preto da Eva (AM). Foto: Antônio Vieira/UFAM/Revista Pesquisa FAPESP

A revegetação é um complemento vital às intervenções de engenharia na recuperação de voçorocas. A escolha de espécies adequadas é o primeiro passo. 

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Plantas nativas, de rápido crescimento e com sistema radicular profundo e denso são ideais para estabilizar o solo. Gramíneas e leguminosas são frequentemente utilizadas devido à sua capacidade de fixação rápida e melhoria da estrutura do solo.

As técnicas de plantio variam de acordo com as características da área. A hidrossemeadura é eficaz para grandes áreas e taludes íngremes, permitindo a aplicação de sementes, fertilizantes e mulch em uma única operação. 

O plantio de mudas em covas é mais trabalhoso, porém oferece maior controle sobre o estabelecimento das plantas. A semeadura direta pode ser uma opção em áreas menos críticas.

O manejo pós-reflorestamento é fundamental para o sucesso da recuperação. Isso inclui o monitoramento regular da área, controle de plantas invasoras, proteção contra incêndios e prevenção do pisoteio por animais. 

A exclusão de animais da área em recuperação é fundamental para permitir o estabelecimento e crescimento da vegetação.

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O combate à voçoroca é um processo contínuo que demanda vigilância constante e, muitas vezes, o apoio de profissionais especializados. Produtores rurais devem monitorar regularmente áreas críticas ou propensas à erosão em suas propriedades. 

A observação atenta pode identificar problemas em estágios iniciais, quando são mais fáceis e menos custosos de corrigir.

A busca por assistência técnica de agrônomos, engenheiros florestais ou ambientais é altamente recomendada. Esses profissionais podem oferecer orientações específicas para cada situação, considerando as particularidades do solo, clima e topografia da propriedade.

A participação em programas de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é uma excelente oportunidade para obter suporte e capacitação. Esses programas oferecem conhecimentos atualizados sobre práticas de conservação do solo e manejo sustentável da propriedade.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

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