Agricultura
Por que investir em um sistema de drenagem na lavoura?
Drenagem evita asfixia radicular e doenças, otimizando a absorção de nutrientes e garantindo saúde da lavoura
Redação Agro Estadão*
03/11/2025 - 05:00

Enquanto a falta de água preocupa muitos produtores, o problema inverso — o encharcamento — compromete igualmente a produtividade. Um sistema de drenagem na lavoura é uma estratégica capaz de transformar áreas problemáticas em espaços produtivos.
Esta solução técnica vai além do simples escoamento de água: representa um investimento inteligente na sustentabilidade da propriedade rural e na otimização dos recursos disponíveis.
Por que o sistema de drenagem na lavoura é essencial?
A asfixia radicular representa um dos principais desafios, impedindo que as raízes absorvam adequadamente nutrientes e água. Consequentemente, plantas desenvolvem sintomas de deficiência nutricional mesmo em solos teoricamente ricos.
O ambiente saturado favorece a proliferação de patógenos e pragas, criando condições ideais para doenças fúngicas e bacterianas. Simultaneamente, ocorre a lixiviação de nutrientes essenciais, empobrecendo gradualmente o solo e exigindo aplicações crescentes de fertilizantes.
A operacionalidade da propriedade também sofre impactos diretos. Solos encharcados dificultam o trânsito de máquinas agrícolas, atrasam operações de plantio e colheita, além de provocar compactação quando o tráfego ocorre em condições inadequadas.
Em áreas irrigadas, pode ocorrer salinização, fenômeno que degrada permanentemente a qualidade do solo.
Conforme documentado pela Embrapa em publicações recentes sobre manejo de cultivos, práticas que melhoram a infiltração de água e aeração do solo favorecem ‘o desenvolvimento do sistema radicular das plantas’, impactando diretamente na capacidade de absorção de nutrientes.
O manejo agrícola torna-se mais flexível com solos bem drenados. Produtores podem antecipar plantios e colheitas, aproveitando janelas climáticas favoráveis e obtendo melhores preços de comercialização. A redução da erosão protege a camada fértil do solo, mantendo seu potencial produtivo a longo prazo.
A Agência Nacional de Águas (ANA) destaca o controle de salinidade como benefício adicional em áreas irrigadas. Sistemas de drenagem eficientes removem sais acumulados, prevenindo a degradação permanente do solo.
Conheça os tipos de sistema de drenagem na lavoura

Drenagem superficial
A drenagem superficial concentra-se na remoção eficiente da água que permanece sobre o solo após precipitações. Conforme materiais da Universidade Federal do Ceará (UFC), esta modalidade utiliza diversos métodos complementares para garantir o escoamento adequado.
Os sulcos representam a técnica mais tradicional, consistindo em canais escavados seguindo o declive natural do terreno. Estes canais direcionam o fluxo superficial para pontos de saída, evitando acúmulo nas áreas cultivadas.
Os camalhões complementam este sistema, criando elevações entre os sulcos que protegem as plantas do contato direto com água acumulada.
Canais abertos de maior dimensão coletam a água dos sulcos menores, conduzindo-a para fora da propriedade ou para reservatórios de acumulação.
A sistematização de terrenos através de nivelamento otimiza este processo, eliminando depressões onde a água poderia acumular.
A manutenção destes sistemas exige atenção constante. Limpeza regular dos canais, remoção de sedimentos e vegetação invasora garantem funcionamento eficiente.
Durante o projeto, deve-se considerar velocidades de escoamento para evitar erosão nos próprios canais de drenagem.
Drenagem subsuperficial
A drenagem subsuperficial atua nas camadas mais profundas do solo, removendo água acumulada no perfil através de drenos subterrâneos.
Drenos tubulares perfurados constituem a solução mais moderna e eficiente. Estes tubos, instalados a profundidades estratégicas, captam água do lençol freático elevado e a conduzem para pontos de descarga.
O material dos tubos deve resistir à corrosão e ao esmagamento, garantindo funcionamento prolongado.
O espaçamento entre drenos varia conforme permeabilidade do solo e intensidade dos problemas de drenagem. Solos argilosos exigem espaçamentos menores, enquanto solos mais permeáveis permitem distâncias maiores entre drenos.
A profundidade ideal situa-se abaixo da zona radicular principal, permitindo desenvolvimento adequado das raízes.
Este tipo de drenagem mostra-se particularmente eficaz em solos com lençol freático elevado ou problemas crônicos de salinidade. A instalação correta é fundamental para durabilidade do sistema, exigindo mão de obra especializada e supervisão técnica rigorosa.
Planejamento e implementação eficaz do sistema de drenagem na lavoura

O sucesso de qualquer sistema de drenagem depende fundamentalmente de um diagnóstico preciso das condições locais. Este processo inicia-se com análise topográfica detalhada, identificando pontos baixos, direção de escoamento natural e gradientes disponíveis para o sistema.
A caracterização do solo revela informações sobre permeabilidade, estrutura e capacidade de infiltração. Estas características determinam o tipo de sistema mais adequado e seus parâmetros de dimensionamento.
O nível do lençol freático deve ser monitorado ao longo do tempo, identificando variações sazonais que influenciam o projeto.
O histórico de problemas na propriedade fornece dados valiosos sobre intensidade e frequência dos problemas de drenagem. Produtores experientes conseguem indicar áreas mais afetadas e épocas críticas do ano.
A partir deste diagnóstico, engenheiros agrônomos ou especialistas elaboram projetos técnicos específicos.
A fase de instalação exige planejamento logístico cuidadoso e supervisão técnica constante. Para drenos superficiais, a execução deve respeitar declividades projetadas, evitando pontos de acúmulo ou velocidades excessivas que causem erosão.
O sistema de drenagem na lavoura representa muito mais que uma solução técnica para problemas pontuais: constitui um investimento estratégico na sustentabilidade e produtividade da propriedade rural.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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