Agricultura
Resíduos de agrotóxicos fora do permitido em alimentos atingem menor nível desde 2017
Estudo da Anvisa com dados coletados em 2024 também demostrou tendência de redução do potencial de risco no consumo
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo,junior@estadao.com
17/12/2025 - 17:35

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou os resultados do relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) do ciclo de 2024, o mais recente. De acordo com o levantamento, o índice de inconformidade foi o menor obtido desde 2017. Das amostras analisadas, 20,6% foram consideradas insatisfatórias.
Os dados foram apresentados nesta quarta-feira, 17, durante a reunião pública da Diretoria Colegiada da autarquia. Ao longo de 2024, foram feitas análises de 3.084 amostras, coletadas em 88 cidades. A pesquisa envolveu 338 agrotóxicos. Além disso, a listagem de produtos avaliados representa 36,96% dos alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira. As análise foram feitas em 14 alimentos:
- trigo;
- milho;
- aveia;
- maçã;
- uva;
- banana;
- pera;
- laranja;
- mamão;
- couve;
- pepino;
- abobrinha;
- cebola;
- soja.
Entre amostras insatisfatórias, maioria foi por erro no uso para a cultura
Ao todo, foram verificadas inconformidades em 636 amostras. Elas podem classificações conforme a irregularidade encontrada, basicamente de três tipos:
- resíduos de agrotóxicos não permitidos para uso na cultura em que foi encontrada;
- nível de resíduos acima do limite máximo autorizado;
- resíduos de agrotóxicos que não são proibidos no Brasil ou que não foram aprovados.
Do total de amostras, em 12,2% (375) foram encontrados resíduos não permitidos para a cultura verificada, ou seja, uso incorreto do produto defensivo. Outros 5,6% (174) estavam com limites acima dos aceitáveis. Em apenas três amostras (0,1%) foram encontrados agrotóxicos que não têm uso permitido no país.
Menor percentual dos últimos cinco relatórios
A Anvisa também mostrou que este levantamento de 2024 teve o menor percentual dos últimos cinco feitos no âmbito do PARA. Em relação a 2017/2018, o menor até então (23,2%), a diferença é de 2,6 pontos percentuais. No comparativo com o último, de 2023, essa diferença é de 5,5 pontos percentuais.
A autarquia ainda ponderou que o número de agrotóxicos analisados nas amostras foi maior em relação aos demais anos.
Potencial de risco à saúde humana
A gerente de Monitoramento e Avaliação do Risco da Gerência-Geral de Toxicologia da Anvisa, Adriana Torres, ressaltou que a inconformidade observada nas amostras nem sempre está associada a um risco à saúde humana. “É importante salientar que a não conformidade não necessariamente significa risco ao consumidor. É necessário conduzir a avaliação de risco, que é um procedimento científico para identificar os potenciais riscos aos consumidores”, comentou na apresentação.
Para isso, a Anvisa analisa dois tipos de riscos: o agudo e o crônico. O primeiro é relacionado ao curto prazo, ou seja, o risco de efeitos à saúde causados pela ingestão em um único dia de uma grande quantidade de alimento que tem alto nível de resíduo de agrotóxico. Já o segundo risco trata dos efeitos com o consumo diário de diferentes alimentos com resíduos de agrotóxicos.
Das amostras coletadas, 0,39% apresentou risco agudo, sendo a maioria em uva (6 amostras) e laranjas (5 amostras). Também há uma tendência geral de diminuição de amostras com potencial risco agudo, no comparativo ao longo do tempo, de 2013 até 2024. Para o outro risco, não houve situações de potencial risco crônico.
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