Agricultura
Colheita da soja chega a 10% no Brasil, mas clima acende alerta no RS
Chuvas irregulares leva risco também a áreas tardias do PR, SC e do sul de MS; mesmo assim, projeções mantêm safra recorde no País
Redação Agro Estadão
02/02/2026 - 16:08

A colheita da safra 2025/2026 de soja alcançou 10% da área cultivada no Brasil na última semana, conforme levantamento da AgRural divulgado nesta segunda-feira, 2. O percentual representa avanço expressivo em relação aos 5% registrados na semana anterior e supera levemente os 9% observados no mesmo período do ano passado.
Entre os estados com colheita mais avançada, destacam-se o Mato Grosso que lidera, com 28,5% da área colhida, Rondônia (15%) e Paraná (11,4%).
Com os trabalhos de campo em ritmo acelerado e sem grandes entraves operacionais até o momento, o foco do mercado se desloca para as condições climáticas, especialmente no Sul do País. Nesse contexto, a maior preocupação recai sobre o Rio Grande do Sul, que, nas últimas safras, registrou perdas consideráveis devido a eventos climáticos extremos.
Neste momento, nos campos gaúchos, a combinação de tempo quente e seco ao longo de fevereiro levanta preocupação quanto ao impacto nas lavouras, podendo comprometer o desempenho das áreas que ainda se encontram em fases críticas do ciclo. Segundo a AgRural, cerca de 15% da área cultivada no Estado está em enchimento de grãos — etapa decisiva para a definição da produtividade.
No entanto, esse cenário não se restringe apenas ao Rio Grande do Sul. Caso a irregularidade das chuvas persista, há risco também para áreas mais tardias do Paraná, de Santa Catarina e do sul de Mato Grosso do Sul.
Clima não impede revisão positiva da safra de soja
Apesar das preocupações climáticas regionais, a StoneX revisou para cima sua estimativa para a produção brasileira de soja na safra 2025/2026.
Conforme dados divulgados nesta segunda-feira, a consultoria elevou o volume projetado para 181,6 milhões de toneladas, representando quatro milhões a mais que a previsão anterior, de janeiro. O ajuste reflete tanto o aumento da área cultivada quanto da produtividade média nacional, estimadas, respectivamente, em 48,7 milhões de hectares e 3,73 toneladas por hectare.
Para o Rio Grande do Sul, no entanto, a consultoria adota uma postura mais cautelosa. Segundo a StoneX, a produtividade projetada no Estado é de 3,3 toneladas por hectares — abaixo da média nacional. “Com a colheita [da soja] avançando, as perspectivas seguem positivas, embora algumas regiões apresentem maior variabilidade em função das irregularidades climáticas ao longo do ciclo”, afirma Ana Luiza Lodi, especialista de inteligência de mercado da StoneX.
De acordo com o relatório mais recente da Emater/RS-Ascar, a semeadura da soja no Estado alcança 98% da área prevista, com a conclusão dependente da reposição de umidade nos solos. A entidade destaca que a elevada amplitude térmica, associada ao predomínio de tempo seco, alta radiação solar e ventos frequentes, intensificou a perda de umidade do solo. As precipitações registradas nos últimos dias foram isoladas e de baixo volume, insuficientes para recompor o armazenamento hídrico de forma ampla.
Em lavouras instaladas em solos mais rasos ou arenosos, especialmente aquelas em floração e início do enchimento de grãos, já há sinais de estresse fisiológico, com potencial impacto sobre a fixação de vagens, caso a restrição hídrica persista. Atualmente, estima-se que 42% das lavouras estejam em fase vegetativa, 46% em floração e 12% em enchimento de grãos.
A Emater ressalta, no entanto, que o potencial produtivo da safra permanece elevado, desde que haja regularização das chuvas nas próximas semanas. Para a safra 2025/2026, a entidade projeta 6,74 milhões de hectares cultivados no Rio Grande do Sul, com produtividade média de 3.180 quilos por hectare.
Plantio do milho safrinha ganha ritmo
Em meio às incertezas climáticas, o plantio do milho safrinha 2026 avança. Até a última semana, a semeadura alcançou 12% da área estimada no Centro-Sul do Brasil, ante 5% na semana anterior e 9% no mesmo período da safra passada.
Mato Grosso segue na liderança, com 21,3% da área plantada, seguido pelo Paraná (11,3%). Também já há registros pontuais de semeadura em São Paulo e Minas Gerais, ambos com 0,6%, conforme dados da AgRural.
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