Agricultura
Por que este fruto é chamado de chicletinho do Cerrado?
Uma fruta pequenina pode esconder respostas para a saúde da pele e novos sabores na mesa
Redação Agro Estadão*
10/01/2026 - 05:00

No Cerrado brasileiro, uma planta nativa tem chamado a atenção de pesquisadores e profissionais da saúde: a mama-cadela.
Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás estudam essa planta típica do Cerrado para entender melhor como ela pode ser usada de forma segura e eficaz no tratamento do vitiligo.
Além disso, ela é rica em compostos bioativos, carotenoides e fibras, substâncias que, embora não sejam consideradas nutrientes essenciais, trazem benefícios ao organismo ao exercerem funções antioxidantes e auxiliarem na saúde gastrointestinal.
O que é a mama-cadela?
A mama-cadela, cujo nome científico é Brosimum gaudichaudii, é um arbusto que pertence à mesma família da amoreira.
A fruta tem cor amarela a alaranjada, é pequena e possui polpa doce e fibrosa — qualidades que lhe renderam o apelido carinhoso de “chicletinho do Cerrado”.
Essa planta cresce naturalmente em todo o Cerrado brasileiro, especialmente na região Centro-Oeste. Além do Brasil, ela também é encontrada na Bolívia e no Paraguai.
No ambiente natural, a mama-cadela serve de alimento para diversos animais do Cerrado, sendo importante para manter o equilíbrio da natureza.
Mama-cadela e o tratamento do vitiligo

O interesse dos cientistas pela mama-cadela aumentou quando descobriram que ela possui substâncias especiais em sua raiz. Essas substâncias, chamadas de furocomarinas, podem ajudar pessoas com vitiligo a recuperar a cor da pele.
O vitiligo é uma condição em que a pele perde sua cor natural, formando manchas brancas. Isso acontece porque as células que produzem a melanina (pigmento que dá cor à pele) param de funcionar adequadamente.
As furocomarinas da mama-cadela funcionam assim: quando a pessoa toma ou passa o produto na pele e depois se expõe ao sol de forma controlada, essas substâncias podem estimular as células a voltarem a produzir melanina.
Pesquisadores do Universidade Federal de Goiás (UFG) descobriram que o melhor resultado acontece quando se usa a mama-cadela de duas formas: tomando cápsulas pela boca e passando pomadas ou géis na pele. Dessa forma, o tratamento age tanto por dentro quanto por fora do corpo.
A publicação desses resultados se deu em 2022, época em que os testes clínicos para viabilizar a produção em larga escala ainda não estavam completos. A comercialização dos medicamentos derivados ocorre somente após essa etapa regulatória.
Não é por ser fitoterápico, de origem natural, que um medicamento está completamente livre de efeitos colaterais. A mama-cadela tem efeitos hepatotóxicos (causam dano ou lesão ao fígado) se usada por longos períodos, sem acompanhamento profissional e na dosagem inadequada.
Nunca inicie nenhum tratamento com plantas medicinais sem conversar com seu médico antes.
Benefícios nutricionais da mama-cadela

Segundo estudo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a mama-cadela é uma excelente fonte de betacaroteno, nutriente que o corpo transforma em vitamina A para proteger a saúde dos olhos. Apenas seis unidades da fruta já garantem mais de 60% da recomendação diária dessa vitamina.
O fruto também oferece vitamina C, que atua como antioxidante e melhora a absorção de ferro no organismo. Essa combinação ajuda a fortalecer a imunidade e a manter as células saudáveis de forma natural.
Para quem busca equilíbrio, a fruta possui fibras que auxiliam no bom funcionamento do intestino e trazem saciedade. Além disso, ela tem poucas calorias por grama, sendo uma opção leve para o dia a dia.
Os pesquisadores dizem que consumir a mama-cadela valoriza a biodiversidade brasileira e combate a monotonia alimentar. Ao escolher frutos nativos, você resgata saberes da nossa cultura e apoia o consumo de alimentos naturais.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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