Agricultura
A trepadeira com flor roxa que resiste ao calor
Além da beleza escultural, a espécie é uma grande aliada da biodiversidade, atraindo abelhas e borboletas para o jardim o ano todo
Redação Agro Estadão*
18/01/2026 - 05:00

A flor-de-São-Miguel chama atenção nos jardins brasileiros com suas flores roxas que crescem em cachos e balançam no vento. Esta trepadeira ganhou o coração de quem gosta de plantas pela capacidade de cobrir muros, cercas e pergolados com beleza.
Além de ser bonita, a planta tem características interessantes que explicam por que ela se adapta tão bem ao clima do nosso país.
O que é a flor-de-São-Miguel?

A flor-de-São-Miguel é uma trepadeira lenhosa da família Verbenaceae, conforme registros oficiais do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Pode crescer até 12 metros de altura, subindo e se espalhando por estruturas como uma grande cortina natural.
O que mais chama atenção nesta planta são suas folhas ásperas, que parecem lixa quando tocamos. Por isso, muita gente a conhece como “folha-de-lixa”. Essa textura rugosa serve como proteção natural contra bichos que poderiam comer a planta.
As flores crescem em cachos compridos e as partes coloridas que vemos (chamadas sépalas) ficam na planta por muito tempo, mesmo depois que as pequenas flores brancas do centro já caíram.
Isso faz com que a cor roxa permaneça por semanas, mantendo o jardim bonito por mais tempo.
No Brasil, encontramos a planta em quase todo o território, principalmente na Mata Atlântica e no Cerrado, sempre em lugares com bastante sol.
Por que ela é tão querida no paisagismo
A grande vantagem da flor-de-São-Miguel é que ela fica bonita por muito tempo. Enquanto outras flores murcham rapidamente, as partes coloridas desta planta permanecem por meses, mudando do roxo intenso para tons mais claros, criando um visual sempre interessante.
A planta é muito versátil para decorar jardins. Serve para cobrir pergolados, muros, cercas e portões, oferecendo sombra e privacidade. Como cresce rápido, consegue cobrir grandes áreas em pouco tempo.
Outra vantagem é que atrai abelhas e borboletas, ajudando a manter o equilíbrio da natureza no jardim e criando um ambiente mais vivo e colorido.
Como plantar e cuidar

Para ter sucesso no cultivo, é importante saber que a flor-de-São-Miguel precisa de muito sol — pelo menos 6 horas por dia de luz direta. Em lugares com pouca luz, ela cresce pouco e floresce menos.
O solo deve drenar bem a água (não pode ficar encharcado) e ser rico em matéria orgânica. Na hora do plantio, misture terra comum com húmus de minhoca ou composto orgânico (use cerca de 30% de adubo orgânico para 70% de terra).
As regas precisam de atenção especial:
- Plantas novas precisam de água mais vezes para criar raízes fortes;
- Plantas adultas resistem melhor à falta de água;
- O solo deve ficar sempre levemente úmido, nunca encharcado.
Para ter muitas flores, use adubo rico em fósforo antes da época de floração. O fósforo é o nutriente que estimula a produção de flores. Aplique adubo orgânico a cada três meses para manter a terra sempre fértil.
A poda é simples: retire galhos secos, doentes ou que estão atrapalhando o crescimento após a floração principal. Evite podas muito fortes porque podem prejudicar a floração do próximo ano.
Curiosidades da flor-de-São-Miguel

A flor-de-São-Miguel (Petrea volubilis) é frequentemente confundida com outras trepadeiras devido às suas flores roxas em cachos pendentes. Veja exemplos:
Glicínia (Wisteria sp.): ambas exibem cachos roxos longos e são indicadas para pergolados em áreas rurais. No entanto, a glicínia, de origem asiática, exige frio para boa floração e adapta-se menos ao calor brasileiro que a nativa flor-de-São-Miguel. As folhas da glicínia apresentam folíolos compostos, diferindo das da planta brasileira.
Unha-de-Gato (Uncaria tomentosa): esta planta surge em confusões menos frequentes por similaridades em trepadeiras floridas. Ela possui folhas trifoliadas e flores amarelas ou alaranjadas, contrastando com as folhas ásperas como lixa da flor-de-São-Miguel. Essa distinção facilita seleções em projetos de viveiros e cercas vivas no agronegócio.
A textura áspera das folhas é a principal característica para identificar corretamente a flor-de-São-Miguel, mesmo quando ela não está florida.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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