Agricultura
A ameaça sutil às suas hortaliças
Danos foliares impactam diretamente a fotossíntese, exigindo identificação precoce para salvar sua produção
Redação Agro Estadão*
24/12/2025 - 05:00

A identificação de doenças foliares é um dos maiores desafios para quem cultiva hortaliças no dia a dia. Essas doenças atacam as folhas das plantas, afetando sua produtividade.
As folhas são fundamentais para as plantas porque produzem energia através da fotossíntese. Quando doenças atacam este sistema, os danos se espalham para toda a planta.
Segundo pesquisas da Embrapa sobre doenças foliares, os danos causados por esses problemas interferem diretamente no processo fotossintético.
No Brasil, os fungos são os principais responsáveis pelas doenças foliares em hortaliças.
O que são as doenças foliares?
As doenças foliares são problemas que afetam as folhas das plantas, prejudicando sua capacidade de fazer fotossíntese. Quando isso acontece, o desenvolvimento das hortaliças fica comprometido e a produção diminui.
Entre os principais causadores, os fungos são os mais comuns em cultivos de hortaliças no Brasil. Estes microrganismos se desenvolvem nas superfícies das folhas e criam condições para se espalharem rapidamente.
As doenças se manifestam de diferentes formas. Você pode observar manchas de várias cores, morte dos tecidos das folhas, deformações e presença de estruturas do fungo, como crescimentos que parecem algodão ou pó.
Identificar os sintomas rapidamente permite que você tome medidas de controle antes que a doença se espalhe. Produtores que reconhecem os sinais iniciais conseguem agir mais cedo e com mais eficiência.
Os prejuízos econômicos das doenças foliares vão além da queda na produção. Elas prejudicam a aparência dos produtos, reduzem seus valores nutricionais e diminuem o tempo de vida após a colheita.
Principais doenças foliares em hortaliças
Míldio (Peronospora e Pseudoperonospora)

O míldio é uma das doenças foliares mais perigosas para hortaliças, principalmente quando há muita umidade. Causado por oomicetos, este patógeno ataca alface, brócolis, couve-flor, pepino e outras cucurbitáceas.
Para identificar o míldio, observe estas características: manchas amareladas angulares aparecem primeiro na parte de cima das folhas, conhecidas como “manchas óleo”.
Depois, essas áreas ficam marrons e morrem. Na parte de baixo das folhas afetadas, aparece um crescimento que parece algodão, de cor cinza a arroxeada.
Segundo informações da Embrapa sobre míldio, condições específicas favorecem esta doença. Temperaturas entre 10°C e 22°C, umidade alta (acima de 85%) e folhas molhadas por muito tempo criam o ambiente perfeito para o patógeno se desenvolver.
Oídio (Erysiphe, Podosphaera, Leveillula)

O oídio é fácil de identificar porque forma um pó branco nas folhas, parecido com talco ou farinha. Esta doença aparece primeiro na parte de cima das folhas e depois se espalha para baixo, caules e até frutos.
Diferente de outras doenças foliares, o oídio se desenvolve mesmo quando o ar está seco, mas precisa de umidade ao redor das folhas para começar. Conforme dados da Embrapa sobre oídio, essa característica permite seu desenvolvimento em períodos secos.
Abobrinha, pepino, melão, abóbora e tomate são muito suscetíveis ao oídio. A doença causa amarelecimento das folhas, reduz a área que faz fotossíntese e diminui a produção das culturas.
Antracnose (Colletotrichum)

A antracnose é uma das principais doenças fúngicas em regiões tropicais do Brasil. Causada por espécies do gênero Colletotrichum, forma lesões escuras e fundas em folhas, caules e frutos.
Nas folhas, as lesões começam redondas ou irregulares, com cor marrom-escura a preta. Frequentemente, aparece uma marca amarelada ao redor das manchas. Quando há muita umidade, massas de esporos rosa ou laranja aparecem no centro das lesões.
De acordo com informações da Embrapa sobre antracnose, a disseminação acontece principalmente por respingos de chuva ou irrigação. Temperaturas entre 22°C e 30°C, com alta umidade e folhas molhadas, favorecem a doença. Feijão-vagem, pepino, tomate, pimentão e cucurbitáceas são muito suscetíveis.
Mancha Bacteriana (Xanthomonas)

A mancha bacteriana é uma das principais doenças causadas por bactérias em hortaliças brasileiras. Causada por espécies de Xanthomonas, afeta principalmente tomate, pimentão, couve, repolho e brócolis.
Os sintomas começam como pequenas manchas molhadas que ficam transparentes quando você olha contra a luz. Depois, essas manchas ficam escuras e mortas, com um halo amarelado ao redor. Em brássicas, as lesões ficam angulares, limitadas pelas nervuras das folhas.
Segundo a Embrapa sobre mancha bacteriana, a doença pode causar amarelecimento, murchamento e queda das folhas. Em casos graves, a perda de folhas compromete muito a capacidade da planta de fazer fotossíntese.
A bactéria se espalha por respingos de água, vento e contato durante o trabalho na lavoura. Ela entra nas plantas através de ferimentos naturais ou causados por insetos e práticas agrícolas inadequadas. Temperaturas altas (25°C a 30°C) com muita umidade favorecem a doença.
Por fim, identificar corretamente as doenças foliares é fundamental para o sucesso na produção de hortaliças. Cada patógeno tem sintomas específicos que, quando reconhecidos cedo, permitem controle mais eficaz e econômico.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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