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Cotações

Saiba o que esperar do mercado agrícola no curto prazo

Plantio e cotações do milho avançam, enquanto a soja enfrenta volatilidade dos preços 

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com.br

24/03/2025 - 14:49

Foto: Adobe Stock
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O plantio do milho segunda safra, popularmente conhecido como safrinha, não deve ser prejudicado pelos atrasos na soja. Conforme a consultoria Markestrat, a semeadura do cereal não foi afetada nas principais regiões produtoras, com isso, 93% da safrinha do Brasil já está plantada — 1% à frente se comparada com a média dos últimos cinco anos. O destaque está para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde os trabalhos de campo já estão finalizados.

Além disso, o mercado agrícola está favorável aos produtores de milho no curto prazo, diante de uma demanda interna aquecida, estimulada pela produção de etanol de milho, resultando em elevação dos preços. No mercado físico, a variação mensal chega a 21,70%, com a saca de 60 quilos negociada a R$ 90,03. 

CONTEÚDO PATROCINADO

“Contudo, é essencial que produtores estejam atentos à gestão de custos, especialmente diante da alta expressiva do grão, que pressiona os setores consumidores”, destaca a Markestrat em relatório. Ainda conforme a consultoria, planejamento e gestão estratégica tornam-se essenciais para equilibrar oportunidades e riscos, principalmente considerando desafios como crédito, insumos e clima adverso.

Selic em 14,25% e crédito mais caro

Na última semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, para 14,25%, o mais alto patamar em quase 10 anos.

Com o aumento, o crédito para produtores rurais deve ficar mais caro, pois a Selic é utilizada como parâmetro para precificar as demais taxas de juros praticadas entre as instituições financeiras, impactando tanto os recursos livres quanto os financiamentos do Plano Safra, que possuem taxa subsidiada. 

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“Na prática, Selic em alta impõe risco de contingenciamento futuro sobre os recursos obrigatórios (que têm taxas menores), levando produtores e tomadores de crédito no agro a se financiarem com recursos livres das instituições financeiras (que possuem taxas maiores, dada a referência com o CDI, por exemplo)”, informa a Markestrat.

Soja 

Apesar da antecipação positiva da colheita e da oportunidade gerada pelo mercado externo, especialmente pela demanda chinesa, a consultoria prevê que a volatilidade recente de preços e as incertezas climáticas são fatores que vão exigir atenção redobrada na gestão da comercialização por parte dos produtores nesta semana. 

“O cenário reforça a importância de estratégias defensivas, como a fixação de preços futuros para garantir margens positivas, especialmente, considerando as recentes quedas nos contratos futuros”, alerta a Markestrat. 

Essa mesma cautela segue para o mercado de farelo e óleo de soja, “que apresenta uma tendência negativa, devido à consolidação de uma safra recorde do grão de soja no Brasil”. No caso do óleo de soja, apesar da alta na última semana, o saldo mensal segue negativo, tornando essencial o acompanhamento dos impactos políticos e regulatórios.

Pecuária de corte

Após um período de retração, as cotações no mercado da pecuária de corte estão voltando a registrar altas. Na última semana, o contrato futuro para maio na B3 teve alta de 2,52%, saindo de R$ 309 por arroba para R$ 316,80. 

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No entanto, segundo a Markestrat, a elevação constante no preço dos bezerros reforça a necessidade de uma gestão eficiente na aquisição e manejo dos animais, além de atenção redobrada ao controle de custos operacionais e financeiros. No mercado físico, o preço do animal de reposição acumula ganhos de 2,61% no mês. 

Café

No mercado doméstico, as cotações do café apresentam comportamentos distintos. No acumulado de março, o arábica registra alta de 10,5%, com a saca de 60 quilos encerrando a última semana cotada, em média, a R$ 2.548,18. Enquanto isso, o conilon recuou 3,91%, chegando a 2.010,22 na sexta-feira, 21. Já no mercado futuro, ambos cafés estão em valorização. 

Assim, a consultoria orienta que os produtores se mantenham estrategicamente defensivos, garantindo eficiência no manejo e mitigando os impactos de um potencial recuo na demanda global. Além disso, o monitoramento dos mercados internacionais é essencial para antecipar movimentos e ajustar estratégias comerciais.

Trigo

O mercado à vista registra alta nos preços devido à demanda interna aquecida e à oferta limitada. Somente nas três primeiras semanas de março, a alta chega a 11,34% no mercado físico. Na última semana, a valorização foi de 3,30%. 

Por outro lado, os contratos futuros sinalizam possível ajuste ou normalização nos próximos períodos, com desvalorização de todos os contratos, tanto no mês, como na semana. 

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Diante desse cenário, produtores devem adotar uma gestão estratégica de insumos e crédito, além de considerar medidas de proteção contra riscos cambiais e de mercado, uma vez que a estabilidade do cereal no médio prazo permanece incerta.

Laranja

O quadro segue desafiador aos produtores de laranja e à indústria. O avanço do greening — doença que afeta as plantações de citros — preocupa o setor. 

No entanto, apesar da queda dos preços em março, o mercado futuro do suco de laranja registrou valorização (+3,24%) na última semana. Segundo a Markestrat, a recuperação pontual nos preços futuros do suco pode indicar uma potencial melhora no médio prazo. Porém, é fundamental que os produtores monitorem constantemente o mercado interno e externo, além de manterem atenção à volatilidade cambial que influencia diretamente as exportações e receitas.

Cana-de-açúcar

O cenário atual apresenta volatilidade no curto prazo, com quedas recentes no preço físico do açúcar (-10,82% em março), mas perspectivas positivas sinalizadas pelo mercado futuro (+7,02% no mês). 

O etanol mantém estabilidade, com viés de baixa, “embora políticas públicas de mistura na gasolina possam impulsionar os preços no futuro.” Diante desse contexto misto, produtores devem adotar estratégias assertivas no manejo agrícola, priorizando o monitoramento da qualidade da cana para maximizar a rentabilidade, dizem os especialistas da consultoria. 

Algodão

O mercado aponta para uma estabilização momentânea nos preços, mas os contratos futuros indicam tendência de baixa — o vencimento para maio acumula queda de 9,66% em março —, refletindo expectativas de maior oferta. 

Com isso, a Markestrat orienta que, produtores acompanhem de perto a possível ampliação da oferta e adotem estratégias de proteção financeira para minimizar impactos de novas quedas nos preços do algodão. Além disso, com a conclusão da semeadura, o manejo se torna essencial para assegurar produtividade e qualidade, especialmente frente às incertezas climáticas e riscos de pragas.

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