Cotações
Trigo: melhora na produtividade do cereal norte-americano derruba cotações em Chicago
Queda também foi influenciada pelo progresso da safra russa de trigo
Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com
27/07/2024 - 17:10

O trigo encerrou a penúltima semana de julho com quedas no mercado norte-americano. Na sexta-feira, o contrato mais comercializado do cereal na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), com vencimento para setembro de 2024, terminou o dia negociado a US$ 5,22 por bushel, retração de 2,79% ante o dia anterior. Entre os motivos para a baixa, o bom estado das colheitas de primavera e a elevada produtividade prevista para as zonas produtoras nos últimos dias.
Conforme informações da consultoria TF Agroeconômica, após visita à Dakota do Norte, principal estado produtor do cereal dos Estados Unidos, técnicos do Conselho de Qualidade do Trigo indicaram uma produtividade de aproximadamente 3,6 toneladas por hectare, volume 14,96% superior aos 3,1 t/ha observados em 2023 e bem acima da média de 2,6 toneladas por hectare dos últimos 30 anos.
“Os dados fornecidos por empresas privadas, os mais elevados desde 1992, ficaram ligeiramente abaixo das 3,7 toneladas por hectare projetadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) para Dakota na campanha atual, mas acima das 3,2 toneladas por hectare que a organização relatou no ano anterior”, comenta Luiz Carlos Pacheco, analista sênior da TF Agroeconômica.
Também pesou para o mercado do trigo na CBOT, informações sobre uma recuperação observada nas perspectivas russas para 2024/2025. A consultoria SovEcon elevou, nesta sexta-feira, 26, a previsão para a colheita no país na atual temporada para 84,70 milhões de toneladas. A estimativa da consultoria é superior ao montante projetado pelo USDA, de 83 milhões de toneladas, segundo o relatório de oferta e demanda do departamento norte-americano, divulgado neste mês.
“As perdas não foram maiores devido às atuais complicações para a produção na União Europeia. Nesta sexta-feira, a Comissão Europeia reduziu a sua projeção sobre a colheita de trigo mole no bloco de 121,90 para 120,80 milhões de toneladas. Em particular, na França, a FranceAgriMer ajustou a proporção de trigo branco em boas/muito boas condições de 52% para 50%, muito longe dos 78% na mesma altura de 2023”, explica Pacheco.
Trigo segue com negócios acomodados no mercado interno
No cenário interno, a quarta semana de julho encerrou com certa morosidade, com negócios no Rio Grande do Sul ao redor de R$ 1.500 a 1550 a tonelada, e a presença de “raros vendedores”, segundo o analista da TF Agroeconômica.
No Paraná, cenário semelhante, com pouca disponibilidade e raros negócios realizados nesta semana a R$ 1.630 (FOB) no Sudoeste do estado. Ainda conforme a consultoria, em São Paulo a tonelada esteve negociada em torno de R$ 1.750 (CIF).
Segundo Pacheco, os vendedores estão totalmente ausentes em todos os estados, diante da perspectiva de alta nos preços pela quebra de safra que, no Paraná, chega a 25% no geral. “Embora os números oficiais não confirmem ainda essa quebra, essa é a voz corrente nos contatos que mantemos em todas as regiões, diariamente”, afirma o especialista.
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