Cotações
Ceticismo nos negócios entre China–EUA limita reação da soja em CBOT
Apesar de novas vendas aos chineses, mercado segue cético quanto ao acordo China–EUA e vê preços acomodados diante da ausência de compras robustas
Redação Agro Estadão
17/12/2025 - 17:27

Os contratos futuros da soja encerraram esta quarta-feira, 16, com leves perdas na Bolsa de Chicago (CBOT), em um movimento já esperado pelos agentes do mercado e marcado por oscilações mais intensas ao longo do dia.
No encerramento da sessão, o contrato para janeiro/26 recuou 0,42%, cotado a US$ 10,58 por bushel, enquanto o vencimento março cedeu 0,28%, a US$ 10,68 por bushel. No acumulado da semana, as perdas chegam a 1,72% e 1,66%, respectivamente.
Entre os derivados, o comportamento foi misto. O óleo de soja avançou 0,33% no contrato de março/26, enquanto o farelo registrou queda mais expressiva, de 1,37%, no mesmo vencimento, refletindo ajustes de posição e fundamentos específicos de cada mercado.
Os preços do grão permaneceram pressionados, apesar de novas notícias de demanda externa. Nesta quarta, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a venda de 323 mil toneladas de soja norte-americana para a safra 2025/26, sendo: 198 mil toneladas destinadas à China e outras 125 mil para destinos não revelados. Ainda assim, o volume não foi suficiente para sustentar uma reação mais firme das cotações.
Segundo especialistas, o comportamento lateralizado observado em Chicago faz parte de um processo de devolução dos ganhos registrados após o anúncio do acordo comercial entre Estados Unidos e China. Na ocasião, o mercado precificou um maior fluxo de compras chinesas ao longo deste ano. Contudo, a falta de confirmação prática desses volumes aumentou o ceticismo dos investidores.
De olho na China
Assim, o mercado segue atento, sobretudo, ao ritmo das compras chinesas. Até o momento, as vendas de soja dos Estados Unidos para a China somam 4,401 milhões de toneladas no atual ano comercial — considerando apenas negócios reportados individualmente acima de 100 mil toneladas. O número, no entanto, está bem abaixo da meta de 12 milhões de toneladas que o governo norte-americano espera alcançar até o final de janeiro.
A perspectiva é de que esse cenário de acomodação, ou até de ampliação do viés negativo, possa se estender à medida que o fim do ano se aproxima. Além disso, a proximidade da nova safra brasileira adiciona uma pressão extra às cotações em Chicago.
Com maior disponibilidade de soja na América do Sul, a tendência é que a China volte a concentrar suas compras no Brasil, que hoje oferece maior competitividade. Atualmente, a soja norte-americana enfrenta uma tarifa de 13% para entrada na China, enquanto a soja do Brasil e da Argentina é taxada em apenas 3%.
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