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Cotações

Guerra no Oriente Médio pressiona e preço do boi gordo recua

CNA contesta impacto da guerra sobre a proteína e afirma que grande parte das exportações de carne não depende do Estreito de Ormuz

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Redação Agro Estadão

10/03/2026 - 10:11

Em Minas Gerais, a arroba do boi gordo abriu a semana cotada a R$ 335,18, em média. Foto: Adobe Stock
Em Minas Gerais, a arroba do boi gordo abriu a semana cotada a R$ 335,18, em média. Foto: Adobe Stock

O preço do boi gordo abriu a semana em queda no mercado físico. Segundo apuração da Agrifatto, o recuo nos preços foi registrado na maioria das praças pecuárias monitoradas, com destaque para Minas Gerais, onde a arroba teve desvalorização de 0,46% em relação ao dia anterior, com a arroba cotada, em média, a R$ 335,18.

Na contramão, a B3 fechou com as cotações em alta. O contrato com vencimento para abril, por exemplo, avançou 1,78% no comparativo diário, negociado a R$ 344,00/@. O sinal do mercado futuro veio contrário ao posicionamento da semana passada, quando foi o primeiro a puxar a queda nas cotações da arroba.

CONTEÚDO PATROCINADO

Para a consultora da Agrifatto, Lygia Pimentel, o recuo nas cotações no mercado físico refletem um acúmulo de problemas. O primeiro deles é o preço da arroba descolando do preço da carne. “A arroba do boi estava subindo, as escalas estavam mais curtas, mas a carne parou de reagir. A gente já não conseguia colocar a alta do boi em cima do preço da carne. Como descolou a carne do boi, o boi parou de subir. Quando ele parou de subir, a bolsa começou a penalizar as cotações, contaminando o mercado”, disse.

O segundo problema para ela, é a escalada da guerra no Oriente Médio, interrompendo o fluxo logístico. “Do total que o Brasil exporta, 7% acaba indo para o Oriente Médio. São cerca de 17 mil toneladas por mês, na média mensal que a gente embarcou para a região em 2025”, acrescentou.

Especulação, diz CNA

As preocupações com os impactos da guerra nas exportações brasileiras de carne bovina começaram na semana passada, após a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (ABIEC) afirmar que o Brasil não possui uma rota direta ao mercado asiático e que as restrições no Estreito de Ormuz poderiam afetar até 40% dos embarques da proteína.

Informação contestada pelo presidente da Comissão de Bovinocultura de Corte da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Cyro Penna. Em vídeo enviado ao Agro Estadão, ele explica as rotas utilizadas pelos exportadores brasileiros e diz que as notícias dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã geraram muitas especulações que impactaram o mercado do boi gordo.

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“A China é o nosso maior cliente, representando quase 50% dos embarques e a principal rota de exportação partindo do Brasil. Nesta rota para a China, contornamos pela África, via Cabo da Boa Esperança, sem a necessidade de passar pelo Estreito de Ormuz, alvo do conflito. Outros importantes clientes são os Estados Unidos, o Chile e o México, com rotas de exportação totalmente fora da rota do estreito.”

Já as exportações para a região do Oriente Médio, segundo ele, representam 6,8% da receita e 6,5% do volume exportado pelo Brasil em 2025. Porém, se considerarmos apenas os países geograficamente localizados próximos ao Estreito de Ormuz, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, essa participação cai para menos de 4%.

“Os desdobramentos das guerras e conflitos trazem preocupações para todos os setores da economia… [ ] é importante ter cautela nas análises e na divulgação de informações que possam causar prejuízos e danos estruturais para a cadeia da carne bovina, em especial ao produtor rural”, concluiu. 

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