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Cotações

Mercado de grãos tem baixa generalizada com safra cheia e cessar-fogo

Clima favorável, perspectiva de excesso de oferta e sinais de trégua no Leste Europeu influenciam os preços das principais commodities nesta terça-feira, 16.

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Redação Agro Estadão

16/12/2025 - 18:28

Soja, milho e trigo foram os mais afetados pelas baixas no mercado futuro.| Foto: Adobe Stock
Soja, milho e trigo foram os mais afetados pelas baixas no mercado futuro.| Foto: Adobe Stock

A terça-feira, 16, foi marcada por quedas nos contratos futuros dos principais grãos negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). O movimento refletiu um cenário de ampla oferta global, demanda aquém do esperado e fatores macroeconômicos e geopolíticos.

A soja liderou as baixas do pregão. O contrato de janeiro/26 recuou 0,84%, encerrando a US$ 10,62 por bushel, enquanto o vencimento de março caiu 0,95%, a US$ 10,71 por bushel. Entre os derivados, o óleo de soja registrou desvalorização de 2,20% e o farelo cedeu 0,36%.

CONTEÚDO PATROCINADO

O mercado da soja foi pressionado, principalmente, pelo ritmo mais fraco do que o esperado das compras chinesas do grão norte-americana desde a trégua comercial firmada entre Washington e Pequim no fim de outubro. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que, até o momento, Pequim adquiriu 4,2 milhões de toneladas em vendas individuais — acima de 100 mil toneladas. O volume, no entanto, está bem inferior ao acordo de 12 milhões de toneladas estabelecido entre Trump e Xi Jinping. 

Além disso, persistem as preocupações com a safra recorde da América do Sul, especialmente no Brasil. Segundo a Datagro grãos, cerca de 94% do plantio da soja da temporada 2025/26 já foi concluído, com estimativa de produção de 182,9 milhões de toneladas. 

Soma-se ao radar do mercado, a greve de 24 horas convocada por trabalhadores do setor de oleaginosas da Argentina. A paralisação está marcada para a próxima quinta-feira, 18, e deve comprometer os serviços de embarque e desembarque no País.

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Milho

O quadro de baixa também chegou ao milho. O contrato de março/26 fechou em queda de 0,74%, cotado a US$ 4,36 por bushel. O vencimento de maio/26 recuou na mesma proporção, para US$ 4,44 por bushel.

Nesse caso, as cotações foram pressionadas pela ampla oferta nos Estados Unidos, resultado de uma safra superior a 420 milhões de toneladas recém-colhida, além do recuo do dólar frente às principais moedas globais. A queda de mais de 2% do petróleo norte-americano também pesou sobre os preços, ao reduzir a competitividade do etanol à base de milho.

As perdas, no entanto, foram parcialmente limitadas pela demanda externa. O USDA informou embarques semanais robustos e reportou, na véspera, uma venda de 150,3 mil de milho para destino desconhecido, com entrega prevista para a temporada 2025/26. 

Além disso, o mercado também segue atento ao andamento do plantio de milho na América do Sul e às condições climáticas no Brasil e na Argentina.

Trigo

O trigo apresentou as maiores perdas do dia. O contrato de março/26 na CBOT caiu 2,16%, fechando a US$ 5,09 por bushel. Na Bolsa de Kansas, o vencimento equivalente recuou 1,37%, para US$ 5,05 por bushel. A pressão no mercado de trigo veio do avanço nas negociações para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. 

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Atendendo a uma solicitação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Europa lançou uma Comissão Internacional de Reivindicações para a Ucrânia. A ação visa garantir compensações por danos causados por ataques russos — movimento visto pelo mercado como um passo em direção a um possível cessar-fogo.

Também pesou sobre os preços a perspectiva de excesso global de oferta. Grandes exportadores como Argentina, Canadá, Austrália e Rússia devem registrar safras recordes ou próximas disso. 

Segundo o relatório mensal mais recente do USDA, a produção mundial de trigo na temporada 2025/26 está estimada em 837,8 milhões de toneladas — alta de 1,1% em relação à projeção anterior e de 4,6% na comparação anual. A demanda global é projetada em 822,97 milhões de toneladas, com avanço de 0,5% frente à estimativa anterior e de 1,5% sobre 2024/25.

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