Cotações
Soja pressionada e algodão com viés de alta: o que esperar no curto prazo?
Análise da Markestrat indica pressão de oferta sobre alguns mercados, ao passo que outros enfrentam um ambiente de volatilidade e cautela
Redação Agro Estadão
19/01/2026 - 18:25

Com movimentos distintos entre culturas e um ambiente que exige maior atenção à gestão comercial, o cenário de curto prazo segue desafiador para as principais commodities agrícolas do Brasil.
Relatório da consultoria Markestrat aponta que, enquanto a soja e o milho enfrentam pressão de oferta, o algodão segue em trajetória de valorização sustentada pela demanda externa aquecida. Já o café, trigo e a pecuária operam em cenário de cautela, com volatilidade e seletividade da demanda.
Confira o que dizem os especialistas:
Soja
Os preços da soja seguem pressionados no mercado físico devido à finalização do plantio e o início da colheita em algumas regiões do País. Esse quadro amplia a percepção de oferta no curto prazo. “A demanda permanece cautelosa, com compradores atuando de forma seletiva”, aponta o relatório da Markestrat.
Já no mercado futuro, os contratos apresentam oscilações moderadas, refletindo ajustes técnicos e a atenção ao cenário externo. Segundo a consultoria, essa volatilidade deve seguir elevada nas próximas semanas. Por isso, para o produtor, o momento pede “disciplina comercial”, com avaliação de travas parciais e proteção de margens, alinhando colheita, logística e estratégia de venda.
Algodão
O cenário é inverso para o algodão. No mercado físico, a commodity mantém trajetória de valorização, sustentada por exportações firmes e bom ritmo de embarques. “A demanda externa segue como principal pilar de sustentação dos preços”, destaca a Markestrat.
Nos contratos futuros, no entanto, o avanço é gradual, refletindo expectativas positivas para o escoamento da safra e maior previsibilidade da oferta. De acordo com os especialistas, o quadro indica menor pressão baixista no curto prazo. Diante disso, o foco do produtor deve recair sobre eficiência produtiva, gestão financeira e decisões assertivas de comercialização, além do planejamento da próxima safra.
Milho
No milho, o mercado físico continua pressionado, influenciado pela oferta confortável e pelo avanço da colheita no Sul, enquanto a demanda doméstica permanece seletiva. No mercado futuro, os contratos recuaram de forma consistente nos últimos dias, acompanhando a perspectiva de boa safra e o ritmo mais lento das exportações. “O cenário reforça expectativas de maior disponibilidade ao longo de 2026”, aponta o relatório.
Para o produtor, a recomendação é priorizar eficiência operacional, acompanhar o clima — especialmente na transição entre safras — e adotar estratégias graduais de comercialização, com atenção aos custos logísticos.
Trigo
Já o trigo opera com leve correção no mercado físico, refletindo maior oferta doméstica após o fim da colheita e diante de um consumo ainda contido no mercado interno. Conforme a Markestrat relata, embora a pressão logística tenha diminuído, isso não foi suficiente para gerar força de alta relevante.
Enquanto isso, nos contratos futuros, o mercado segue lateralizado, com pequenas oscilações negativas, diante de um cenário global de ampla disponibilidade. “A competitividade do trigo importado limita reações mais firmes”, avalia a consultoria, indicando que o ambiente recomenda cautela nas fixações, com foco na gestão da qualidade do grão e na captura de prêmios regionais.
Café
No mercado de café, o arábica permanece pressionado após correções recentes, enquanto o robusta apresenta recuperação, refletindo ajustes de oferta e recomposição de posições.
Nos contratos futuros, a volatilidade é moderada, com o arábica sensível aos fundamentos globais e o robusta sustentado pela demanda industrial e menor disponibilidade relativa. Para o produtor, os especialistas da Markestrat apontam que a adoção de estratégia passa por eficiência de custos, planejamento de compras e comercialização escalonada, com a diferenciação por qualidade e cafés especiais como alavanca de valor.
Pecuária
Na pecuária, o boi gordo segue sob leve pressão no mercado físico — reflexo de uma oferta ainda confortável. O bezerro, por sua vez, apresenta maior estabilidade, sustentado pela reposição e pela expectativa de melhora do ciclo pecuário.
No mercado futuro, os contratos permanecem enfraquecidos, indicando cautela dos agentes diante do crédito mais restrito e das incertezas relacionadas às exportações, especialmente para a China diante das cotas tarifárias. “O foco deve estar na eficiência zootécnica, na gestão de custos e no planejamento financeiro”, indicam os analistas da Markestrat.
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