Sustentabilidade
O que é o 'terroir' e como ele influencia o sabor do café, vinho e queijo
O "terroir", a combinação única de fatores naturais e humanos, é a assinatura da terra que confere sabor e identidade a produtos como café, vinho e queijo, valorizando a produção rural
Redação Agro Estadão*
06/08/2025 - 05:00

Você já se perguntou por que alguns produtos agrícolas têm um sabor tão especial e único? A resposta pode estar em um conceito chamado “terroir”.
Este termo francês, pronunciado “ter-ruá”, é fundamental para entender como o ambiente de cultivo afeta diretamente a qualidade e as características dos alimentos que produzimos.
Para os produtores rurais compreender o terroir pode ser a chave para valorizar ainda mais nossos produtos e destacá-los no mercado.
O que é terroir?
O terroir é muito mais do que apenas o local onde um alimento é produzido. É a combinação única de fatores naturais e humanos que dão personalidade a um produto agrícola.
Imagine o terroir como a “assinatura” da terra no sabor final do café, vinho ou queijo que você produz. Este conceito surgiu na França, inicialmente aplicado à produção de vinhos e se tornou um sinônimo de qualidade e identidade para diversos produtos ao redor do mundo.
Os 4 pilares do terroir
O terroir é composto por quatro elementos principais que trabalham em conjunto para criar as características únicas de um produto. Vamos explorar cada um deles:
Clima
O clima de uma região tem um impacto direto no desenvolvimento das plantas e animais, influenciando o sabor e aroma do produto final. Por exemplo, a quantidade de chuva, as horas de sol por dia e as variações de temperatura afetam o amadurecimento das uvas ou dos grãos de café.
Um clima mais quente pode resultar em cafés com notas mais frutadas, enquanto um clima mais ameno pode produzir cafés com acidez mais pronunciada.
Solo
A composição do solo é outro fator fundamental do terroir. Os minerais, a matéria orgânica e a textura do solo nutrem as plantas de maneira única, transferindo essas características para o produto final.
Um solo rico em calcário, por exemplo, pode conferir notas minerais distintas a um vinho. No caso do café, solos vulcânicos podem contribuir para uma acidez brilhante e notas cítricas marcantes.
Topografia
O relevo e a altitude de uma área de produção criam microclimas que influenciam significativamente o terroir. A inclinação do terreno, a altitude e a face de exposição ao sol afetam a maneira como as plantas recebem luz e calor.
Cafés cultivados em altitudes mais elevadas tendem a amadurecer mais lentamente, desenvolvendo sabores mais complexos e acidez mais pronunciada.
Fator humano
Os produtores rurais são parte essencial do terroir. As decisões sobre técnicas de cultivo, manejo, colheita e processamento interagem com os fatores naturais para criar um produto único.
O conhecimento passado de geração em geração e as inovações que implementamos são fundamentais para expressar o melhor que nossa terra tem a oferecer.
A influência do terroir na prática: café, vinho e queijo
O terroir do café

O café é um excelente exemplo de como o terroir pode influenciar o produto final. Diferentes regiões produtoras são conhecidas por características distintas em seus cafés.
Um caso notável são os “Robustas Amazônicos“, produzidos no Acre, Amazonas e, especialmente, em Rondônia. Estes cafés ganharam destaque na 12ª Semana Internacional do Café em 2024, onde o terroir amazônico, com seu clima único, solo característico e saber-fazer regional, foi reconhecido em laudos sensoriais.
Um café indígena Suruí Paiter chegou a alcançar 100 pontos máximos em um concurso nacional, evidenciando como o terroir da Amazônia pode produzir notas sensoriais únicas no café brasileiro.
O terroir do vinho

O vinho é considerado o exemplo clássico de terroir. A mesma variedade de uva cultivada em regiões diferentes pode resultar em vinhos completamente distintos.
No Brasil, a Embrapa tem trabalhado no desenvolvimento de cultivares híbridas especialmente adaptadas ao terroir local. As uvas BRS Lorena e BRS Bibiana, por exemplo, foram projetadas para garantir qualidade enológica e identidade regional em vinhos finos e espumantes brasileiros.
O Rio Grande do Sul possui pelo menos 8 regiões com Indicação Geográfica (IG) reconhecida para vinhos e espumantes.
A Campanha Gaúcha é uma delas, com terroir com características únicas por ser mais quente e com menor volume de chuvas que as demais. Além disso, os vinhedos em grandes extensões de áreas planas ou de baixa declividade também são um diferencial da Campanha.
O terroir do queijo

O conceito de terroir também se aplica a produtos de origem animal, como o queijo. A alimentação do rebanho, a raça dos animais e as técnicas de produção e maturação do queijo, combinadas com as características da região, resultam em sabores e texturas únicos.
Um exemplo notável é o Queijo Minas Artesanal. A Emater-MG destaca que o Cerrado Mineiro é a maior região produtora deste tipo de queijo no estado. As características específicas do solo, clima, vegetação e água do Cerrado, aliadas ao manejo tradicional, resultam em queijos com uma identidade única.
Em 2023, a região conquistou o selo de Indicação Geográfica, reforçando o reconhecimento do terroir aplicado ao queijo mineiro.
Ao reconhecer e trabalhar em harmonia com os elementos do terroir — clima, solo, topografia e nossas próprias práticas — pode-se criar produtos verdadeiramente especiais. Seja no café, no vinho ou no queijo, o terroir é a expressão da identidade de uma região e do trabalho do produtor rural.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Sustentabilidade
1
Governo aprova Plano Clima com previsão de aumento das emissões da agropecuária
2
Código Florestal avança no CAR, mas emperra no PRA, aponta estudo
3
CMN adia exigência ambiental, mas endurece outra regra do crédito rural
4
Moratória da Soja: AGU pede mais prazo ao STF para manter suspensão de lei de MT
5
Agro em 2026: crédito verde e regras ambientais mais rígidas
6
Moratória da Soja: produtores comemoram a saída de grandes empresas do acordo
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Sustentabilidade
Exportações brasileiras de etanol têm o menor desempenho desde 2017
Por outro lado, as importações do combustível foram as maiores registradas desde 2021
Sustentabilidade
ANP autoriza início de operação da primeira usina de etanol de trigo do Brasil
CB Bioenergia terá capacidade de processar 100 toneladas do cereal por dia e gerar até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano
Sustentabilidade
Corteva e BP criam empresa para produção de óleo para biocombustíveis
Expectativa é de que a operação comece em 2027, com uso em coprocessamento em refinarias e plantas dedicadas à produção de biocombustíveis
Sustentabilidade
Bunge e Mantiqueira firmam acordo por soja de baixo carbono
Parceria envolve fornecimento de 12 mil toneladas de farelo rastreável e incentiva práticas de agricultura regenerativa
Sustentabilidade
Saída de tradings da moratória da soja preocupa Imaflora
Instituto diz que enfraquecimento do pacto pode comprometer metas ambientais e climáticas e prejudicar imagem do agronegócio brasileiro
Sustentabilidade
Após deixar Moratória da Soja, Abiove confia em novo marco regulatório
A associação reforça que as empresas associadas continuarão, de forma individual, atendendo às demandas de mercado e socioambientais
Sustentabilidade
BNDES lança edital para destravar certificação de carbono no Brasil
Com orçamento de R$ 10 milhões, banco pretende mapear gargalos, custos e regras do setor em meio à criação do mercado regulado
Sustentabilidade
Moratória da Soja: produtores comemoram a saída de grandes empresas do acordo
Entenda a linha do tempo das leis, decisões judiciais e ações no CADE que levaram ao esvaziamento do acordo ambiental