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Sustentabilidade

Bayer vê potencial de carbono negativo no Brasil

Práticas sustentáveis monitoradas pela companhia apontam captura de carbono maior que a emissão; o desafio, no entanto, é o crédito 

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com | Atualizada às 12h02

25/06/2025 - 08:00

Foto: Sabrina Nascimento
Foto: Sabrina Nascimento

A agricultura regenerativa foi o principal ponto debatido na terça-feira, 24, durante o World Tech-Agri South America. Diante dessa tendência em expansão, a Bayer, gigante do setor de defensivos e insumos, vê potencial de lavouras carbono-neutro ou negativo no Brasil. 

Isso ocorre, segundo Felipe Albuquerque, head de sustentabilidade da Bayer LATAM, porque a agricultura tem a vantagem de sequestrar carbono, diferentemente de outros setores. “Por meio da fotossíntese, o CO₂ é transformado em planta, depois em raiz, palhada e, no processo natural, esse carbono vira matéria orgânica estocada no solo. O solo é o segundo maior reservatório de carbono do mundo, atrás apenas dos oceano”, afirmou à reportagem. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Essa capacidade de captura e estocagem tem sido mensurada no programa Pro Carbono. A iniciativa utiliza uma calculadora desenvolvida pela Bayer em parceria com a Embrapa para medir o balanço entre as emissões e o sequestro de carbono nas lavouras de soja, milho e algodão. No momento, o acesso a calculadora é realizado por meio do aplicativo Conecta Pro Carbono, liberado somente aos produtores cadastrados no programa.

Dados mais recentes do Pro Carbono apontam que agricultores participantes do programa em Mato Grosso conseguiram uma média de 600 kg de CO₂ equivalente emitido por tonelada de soja produzida. Enquanto isso, o sequestro chegou a 1.500 kg de CO₂ equivalente por hectare ao ano. “Isso só é possível com práticas como rotação de culturas, plantio direto, não revolvimento do solo e outras técnicas da agricultura regenerativa”, destaca.

Agricultura regenerativa para todos? 

Apesar dos avanços, o acesso ao crédito sustentável ainda é desigual. Pequenos e médios produtores, segundo Albuquerque, enfrentam mais dificuldades para financiar a transição.

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Entretanto, o dirigente ressaltou que a Bayer não pretende limitar os projetos de agricultura regenerativa aos grandes produtores. “A produtividade obtida com essas práticas pode ser ainda mais significativa para o pequeno agricultor, pois impacta diretamente sua qualidade de vida”, disse.

Ainda assim, ele reconhece que os gargalos de acesso ao crédito e à tecnologia continuam sendo entraves importantes. “Isso precisa ser enfrentado com políticas públicas robustas, mas também com o engajamento de bancos privados e empresas do setor”, apontou. 

Neste aspecto, Felipe cita o MRV — Mensurar, Reportar e Verificar —, que permite não apenas acompanhar o desempenho ambiental das propriedades, como também gerar oportunidades financeiras. Um exemplo é a CPR Verde, em que produtores que adotam práticas sustentáveis e comprovam os resultados por meio do MRV têm acesso a financiamentos com juros mais baixos. 

Essa percepção se repete no modelo de Barter, em que os agricultores trocam parte da produção futura por insumos. No caso da Bayer, com condições especiais para quem adota a agricultura regenerativa. “Esse é um ponto muito importante de fomento à agricultura”, salienta. 

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