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Sustentabilidade

Amazônia ganha centro para pesquisas em recuperação de áreas degradadas

Com investimento de R$ 14 milhões, unidade da Embrapa reúne mais de 100 pesquisadores e será referência em soluções de recuperação ambiental

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Redação Agro Estadão

04/06/2025 - 15:01

Amazônia já perdeu 18% da área de florestas, segundo o Inpe - Foto: Ronaldo Rosa/Divulgação
Amazônia já perdeu 18% da área de florestas, segundo o Inpe - Foto: Ronaldo Rosa/Divulgação

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou um centro de pesquisa dedicado ao desenvolvimento de tecnologias para recuperação de áreas desmatadas e degradadas na Amazônia. Com investimento de R$ 14 milhões, a unidade reúne mais de 100 pesquisadores de 33 instituições do Brasil e do exterior, entre universidades, órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e coletivos locais. 

O Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia — ou “Capoeira”, como foi batizado pela equipe — tem foco na restauração produtiva e ecológica, por meio de pesquisas e experimentações voltadas ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, em temas como sistemas agroflorestais, conservação do solo e da água, recuperação da vegetação nativa e adaptação de práticas produtivas ao contexto amazônico.

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Em funcionamento desde maio, a unidade atua de forma virtual (integrando instituições, laboratórios e grupos de pesquisa), e também presencial, na sede da Embrapa Oriental, em Belém (PA), e por meio da criação de “laboratórios vivos” (living labs), espaços de trocas de experiências e conhecimentos entre pesquisadores e a comunidade. Eles serão localizados em três territórios amazônicos, onde já existem trabalhos sendo desenvolvidos: 

  1. Santarém, no Oeste do Pará, com destaque para a Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, a Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e assentamentos rurais;
  2. Mosaico do Gurupi, região formada por Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas no Pará e Maranhão;  
  3. Nordeste Paraense, abrangendo municípios como Bragança, Capitão Poço, Irituia, Paragominas e Tomé-Açu, região de colonização mais antiga do estado.

“A proposta do Capoeira é ir além da produção de ciência de excelência. Buscamos também articular e promover uma transformação positiva na região, substituindo a cultura da destruição pela da restauração”, informou Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do centro, em comunicado publicado pela estatal.

O nome “Capoeira” é uma referência à vegetação que cresce em uma área que foi anteriormente desmatada, chamada de vegetação secundária. A Amazônia já perdeu 18% (846.000 km²) da área de florestas, segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). O espaço equivale quase à totalidade do estado de Mato Grosso.

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Centro vai desenvolver pesquisas e experimentações voltadas a tecnologias sustentáveis – Foto: Ronaldo Rosa/Divulgação

O projeto foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no âmbito do edital Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Região Amazônica, o Pró-Amazônia.

De acordo com a Embrapa, os pesquisadores vão analisar dados de mais de 100 sítios de estudo em diferentes estados da Amazônia Legal. As áreas correspondem a iniciativas de restauração em locais com florestas secundárias, florestas primárias degradadas, áreas com Sistemas Agroflorestais (SAFs) e restauração de sistemas aquáticos.

Nesses locais, serão avaliados estoques ou incremento de carbono, e recuperação da biodiversidade, resultantes do tipo de restauração aplicado. As iniciativas de restauração podem envolver regeneração natural da vegetação; regeneração natural assistida (quando se enriquece a área com plantios de espécies nativas e outras práticas de manejo); e regeneração por meio de plantio total ou semeadura direta, quando a cobertura do solo já é praticamente inexistente.

Os SAFs, segundo estudos pontuais do grupo da pesquisadora Joice Ferreira, são as estratégias de recuperação mais estudadas na região (37,88%), seguidas pela regeneração natural (30,35%) e plantios florestais (19,55%).

“A maioria desses estudos é pontual e existem lacunas de conhecimento sobre a restauração em importantes aspectos, como as questões socioeconômicas e culturais. O Centro surge, portanto, como uma iniciativa que visa desenvolver estudos mais integrativos, abordando diferentes aspectos da restauração, sejam eles ecológicos, sociais, culturais, econômicos e outros”, detalhou a coordenadora do Centro.  

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