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Inovação

Tecnologia da soja ganha nova função em florestas

Pesquisadores da Embrapa desenvolvem inoculante capaz de ajudar na restauração de solos degradados

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

11/11/2025 - 08:30

Evolução de voçoroca antes e depois de uso da tecnologia. Foto: Embrapa/Divulgação
Evolução de voçoroca antes e depois de uso da tecnologia. Foto: Embrapa/Divulgação

Uma tecnologia que transformou o cultivo de soja no Brasil agora também está sendo levada para potencializar o ambiente florestal. Pesquisadores da unidade Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estão finalizando um inoculante biológico de amplo espectro para espécies florestais. A inovação pode reduzir custos e acelerar a recuperação de áreas degradadas.

A base do inoculante são duas estirpes de rizóbios, bactérias do solo que realizam um processo de ganha-ganha com a planta. Como explica um dos pesquisadores responsáveis pelo produto, Sérgio Faria, essas bactérias retiram nitrogênio do ar e oferecem esse nutriente em forma de amônia no solo. Em troca, a planta fornece açúcares que mantêm as bactérias vivas.

CONTEÚDO PATROCINADO

“Esse mesmo processo é utilizado no plantio de soja no Brasil, o que faz com que o país seja competitivo no mercado internacional. Só com o uso dessa tecnologia na soja, o Brasil economiza mais de US$ 10 bilhões por ano com a não utilização do adubo mineral. Isso é uma supertecnologia e nós estamos desenvolvendo isso para espécies florestais”, destacou Faria ao Agro Estadão.

Atualmente, as pesquisas demonstram resultados satisfatórios para espécies pertencentes aos gêneros Mimosa, Inga e Enterolobium (como orelha-de-macaco e tamboril). Como cada gênero tem uma variedade extensa de espécies, os pesquisadores realizaram testes apenas com algumas que são endêmicas do Brasil. Ao todo, o bioinsumo funcionou para pelo menos 31 espécies desses três grupos de plantas.

Restauração de solos

Os testes em campo mostram que a aplicação do inoculante acelera a recuperação de áreas que estavam degradadas, como terrenos de mineração ou áreas com erosões e voçorocas — processo mais intenso das erosões, que causa verdadeiros rasgos na terra. Em 12 meses após o início da restauração da vegetação, já havia sinais de controle da erosão.

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Nessa situação, o efeito não é direto das bactérias no solo, mas sim das plantas. O que as bactérias fazem é estimular as plantas, que começam a desenvolver a área afetada. Os estudos mostram ainda que, após uma década, esses terrenos passam a ficar reflorestados e com presença espontânea de outras espécies vegetais.

Na busca pela ampla atuação

Um dos objetivos da pesquisa foi encontrar bactérias que tivessem atuação de amplo espectro, ou seja, úteis para várias espécies. Como as espécies florestais não têm uma escala comercial alta, produzir inoculantes específicos dificultaria a adoção do produto por restauradores e viveiristas.

“Quando a gente fala de espécies florestais, por exemplo, o gênero Mimosa compreende mais de 400 espécies; o gênero Inga tem mais de 200 espécies. Nenhuma indústria vai fazer inoculantes para cada uma delas. Isso não funciona. Então, a nossa ideia foi achar algumas bactérias que fossem eficientes para um grande espectro de espécies florestais”, lembrou Faria ao falar do processo de teste feito com mais de mil estirpes de bactérias.

Por isso, a Embrapa lembra que ainda há certa dificuldade em levar a tecnologia ao mercado. A expectativa é que um produto de uso em múltiplas espécies desperte o interesse de fabricantes para colocá-lo em comercialização.

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