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Novo nematoide é descoberto em planta comum de Minas Gerais

Equipe brasileira identifica gênero inédito em folhas de corda-de-viola — trepadeiras comuns em áreas tropicais

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Redação Agro Estadão

15/12/2025 - 09:32

Nematoide foliar foi encontrado em folhas de corda-de-viola. Foto: Adobe Stock
Nematoide foliar foi encontrado em folhas de corda-de-viola. Foto: Adobe Stock

Pesquisadores brasileiros descobriram um novo gênero e espécie de nematoide encontrado em plantas de corda-de-viola (Ipomoea spp.) em Viçosa (MG). O organismo, batizado de Monteironema caresi, foi identificado por uma equipe da Universidade Federal de Viçosa (UFV) em colaboração com o pesquisador Cláudio Oliveira, do Instituto Biológico de São Paulo (IB-Apta). O estudo foi publicado no Russian Journal of Nematology.

As plantas do gênero Ipomoea, conhecidas como corda-de-viola, são trepadeiras comuns em áreas tropicais. Têm crescimento rápido e, em várias regiões, comportam-se como plantas daninhas, competindo com culturas agrícolas por luz, água e nutrientes. Folhas de Ipomoea cairica e I. syringifolia apresentaram manchas indicativas da presença do nematoide recém-descoberto.

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A investigação começou quando o professor Robert Weingart Barreto encontrou plantas infectadas no campus da UFV. O material foi enviado ao laboratório de nematologia, onde uma equipe iniciou análises morfológicas e moleculares. Os resultados mostraram que o organismo não se enquadrava em nenhum gênero conhecido da família Anguinidae, grupo que reúne espécies parasitas de folhas, caules, sementes e flores.

Segundo pesquisador Cláudio Oliveira, a descoberta contribui para o entendimento das relações entre nematoides e plantas hospedeiras, com possível impacto no manejo de espécies invasoras como a própria corda-de-viola. “Os próximos passos envolvem a condução de estudos em casa de vegetação para verificar se a nova espécie também parasita outras plantas e se o nematoide ocorre em outras áreas, além de Viçosa”, afirma Oliveira.

O trabalho também reforça a importância das abordagens integrativas na taxonomia. “Ela demonstra como a rica biodiversidade brasileira ainda guarda formas de vida desconhecidas, inclusive em áreas amplamente estudadas, como Viçosa (MG)”, complementa o pesquisador do IB.

O nome Monteironema caresi homenageia dois mestres da nematologia brasileira: Ailton Rocha Monteiro, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e Juvenil Enrique Cares, da Universidade de Brasília (UnB). A fusão dos sobrenomes simboliza o legado científico e a tradição de formação que marcou várias gerações.

Com adultos que medem entre 0,4 e 0,9 milímetro, o novo nematoide apresenta três formas corporais — fêmeas semi-obesas, fêmeas imaturas e machos delgados. Tem corpo fusiforme, cutícula finamente estriada e estilete curto e robusto. Estruturas digestivas e reprodutivas exibem combinações únicas, o que reforça a distinção em relação a outros espécimes. Diferentemente de espécies que formam galhas, M. caresi provoca manchas foliares, sintoma menos comum no grupo e, segundo os cientistas, relevante para estudos ecológicos e fitopatológicos.

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