Agricultura
Conheça a aliada natural contra nematoides na lavoura
A crotalária funciona como uma fábrica de adubo natural, capturando até 51% do nitrogênio do ar para nutrir o solo degradado
Redação Agro Estadão*
16/01/2026 - 05:00

Uma planta simples que consegue devolver vida à terra degradada e ainda criar uma proteção natural contra pragas que você nem consegue ver. Essa é a crotalária, uma solução que a natureza oferece aos produtores rurais.
O que é a crotalária e por que ela é importante
A crotalária é uma leguminosa da família do feijão e da soja. Existem várias espécies dessa planta e ela ganhou destaque na agricultura porque funciona muito além de uma simples forrageira. Ela se tornou uma ferramenta poderosa para recuperar solos degradados.
A planta tem uma raiz principal que cresce para baixo, quebrando camadas duras do solo de forma natural. Além disso, ela faz uma ‘parceria’ com bactérias que vivem em suas raízes.
Essas bactérias capturam o nitrogênio do ar e transformam em adubo que a planta consegue usar. Estudos da Embrapa mostram que espécies como a Crotalaria spectabilis e C. juncea conseguem fixar entre 37% e 51% do nitrogênio total contido em suas biomassas, reduzindo a necessidade de comprar fertilizantes.
Como a crotalária beneficia o solo e a produção

O primeiro grande benefício da crotalária é sua capacidade de fabricar seu próprio adubo nitrogenado. Através da parceria com bactérias especiais, ela pega nitrogênio do ar e o transforma em nutriente para as plantas.
A raiz principal da crotalária quebra camadas duras do solo naturalmente. Essas raízes fortes penetram em terrenos compactados pelo peso das máquinas, criando canais que facilitam a entrada de água e ar.
A crotalária também produz muita massa verde. Quando cortada, essa massa vira uma cobertura que protege o solo contra erosão e mantém a umidade. Essa cobertura orgânica alimenta os microrganismos do solo e melhora sua estrutura.
Como a crotalária controla pragas
A crotalária funciona como uma armadilha natural para várias pragas. Ela atrai insetos nocivos que, depois de atacá-la, não conseguem se reproduzir normalmente. Esse processo diminui o número de pragas nas outras culturas sem precisar usar venenos.
No meio rural, a crotalária ajuda a controlar o mosquito da dengue porque atrai libélulas, que são predadoras naturais desse mosquito. Mas seu papel mais importante é no controle de pragas agrícolas.
A presença dessa planta no campo cria uma proteção natural que reduz os ataques de insetos às culturas principais.
Crotalária contra nematoides

A espécie Crotalaria spectabilis é especialmente boa para controlar nematoides, que são pequenos vermes microscópicos que atacam as raízes das plantas. O controle funciona como uma armadilha: os nematoides entram nas raízes da crotalária, mas não conseguem se desenvolver nem fazer filhotes.
Pesquisas da Embrapa confirmaram que a crotalária reduz drasticamente a quantidade desses vermes no solo. Para lavouras que sofrem com queda de produção por causa dos nematoides, plantar crotalária na rotação é uma alternativa natural ao controle químico.
Para que funcione bem, a crotalária precisa ficar no campo entre 60 a 90 dias antes de plantar a cultura principal. Esse tempo é necessário para atrair os nematoides e impedir que se multipliquem.
Cuidados com a alimentação animal
A crotalária contém substâncias tóxicas, principalmente nas sementes, perigosas para cavalos e bovinos. Essas substâncias causam problemas graves no fígado e pulmão dos animais.
Recentemente uma ração de uso animal matou mais de 250 cavalos por estar contaminada com crotalária. A Embrapa alerta que mesmo pequenas quantidades de sementes podem ser fatais para os animais.
Produtores rurais que integram crotalária em sistemas com pastagens ou gado devem manejá-la com cuidado:
- Cortar a planta no início da floração, antes da formação de vagens;
- Remover ou roçar as vagens antes do amadurecimento;
- Evitar o uso como forragem direta e monitorar campos próximos a áreas de criação.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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