PUBLICIDADE

Pecuária

Mapa confirma 245 mortes de equinos associadas a rações da Nutratta

Outros 195 óbitos são investigados; Ministério recorreu da decisão do TRF-01 que autorizou a empresa a continuar a fabricação de rações para aves, bovinos e suínos

Nome Colunistas

Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com | Atualizada dia 13/07/2025 às 16:00

11/07/2025 - 11:26

Cavalo avaliado em R$ 12 milhões morreu após consumir ração da Nutratta, segundo haras. Foto: Quantumdealcateia/Instagram/Reprodução
Cavalo avaliado em R$ 12 milhões morreu após consumir ração da Nutratta, segundo haras. Foto: Quantumdealcateia/Instagram/Reprodução

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou uma nota oficial, neste domingo, 13, confirmando 245 mortes de cavalos, associadas ao consumo de rações fabricadas pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda.

Segundo o Mapa, em todas as propriedades investigadas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas os equinos que adoeceram ou vieram a óbito consumiram produtos da empresa. “Já os animais que não ingeriram as rações permaneceram saudáveis, mesmo quando alojados nos mesmos ambientes”, diz o texto. 

O ministério também confirmou “a detecção de alcaloides pirrolizidínicos (substâncias tóxicas, chamada de monocrotalina e incompatíveis com a segurança alimentar animal) em amostras coletadas” durante as inspeções realizadas na fábrica da Nutratta, além de outras irregularidades.

A investigação aponta que a contaminação ocorreu por falha no controle da matéria-prima, que continha resíduos de plantas do gênero crotalaria, responsáveis pela geração da monocrotalina.

“Esse é um caso único. Nunca, em toda a história do Ministério, havíamos identificado a presença dessa substância em ração para equinos. É a primeira vez que isso acontece”, afirmou na nota o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart.

PUBLICIDADE

Em outro comunicado, publicado na sexta-feira, 11, o Mapa disse ainda que outras 195 mortes de equinos estavam sob investigação. As novas apurações acontecem em nove localidades: 40 no sudoeste da Bahia, 70 em Goiânia (GO), 34 em Jarinu (SP), 10 em Santo Antônio do Pinhal (SP), 18 em Uberlândia (MG), 8 em Guaranésia (MG), 8 em Jequeri (MG) e 7 em Mariana (MG). 

No entanto, o ministério destaca que a investigação de novos casos “tem sido dificultada pela ausência de comunicação formal via Ouvidoria, o canal oficial para registro das denúncias”.

Casos de intoxicação podem passar de 1.400, denunciam criadores

Uma das vítimas entre os 18 cavalos mortos em Caçapava (SP). Foto: Roberto Barros/Arquivo Pessoal

Nesta quarta-feira, 09, o Agro Estadão publicou uma reportagem sobre o levantamento extraoficial realizado por um grupo de criadores, que aponta um número muito superior de animais intoxicados: 1.400 — sendo que 729 animais morreram (mais que o triplo das confirmações oficiais), 461 estão em tratamento e 225 em observação. 

Só o haras Nova Alcateia, um dos principais criatórios da raça Mangalarga Marchador no Brasil, perdeu 69 cavalos. Entre eles, o garanhão Quantum de Alcateia, avaliado em R$ 12 milhões (fora lucros de quase R$ 30 milhões em 10 anos). O haras responsabiliza a ração da Nutratta pela morte dos animais.

Procurada pela reportagem, a empresa não deu retorno. O único posicionamento oficial foi emitido no início de junho. A Nutratta lamentou as mortes e citou a interdição feita pelo Ministério da Agricultura, “por meio de termo de suspensão cautelar de fabricação, como parte dos procedimentos de fiscalização em curso”.

O caso vem sendo investigado desde o início de junho, quando o Mapa suspendeu cautelarmente a comercialização da ração Forrage Horse, após relatos de mortes de cavalos e indícios de contaminação. Com a evolução das investigações e o crescimento do número de notificações, a suspensão foi ampliada para todas as rações destinadas a equídeos fabricadas a partir de 22/11/2024, devido a falhas graves de rastreabilidade, uso de ingredientes não autorizados e risco sanitário generalizado.

PUBLICIDADE

Nutratta não comprovou recolhimento de lotes afetados

ração nutratta; cavalos contaminados
Foto: Ana Maria Moreira/Divulgação

No mês passado, a empresa foi notificada a realizar o recolhimento dos lotes afetados, procedimento que segue sob acompanhamento do Ministério. No entanto, segundo o Mapa, “até o momento, não foi apresentada documentação que comprove a conclusão do recolhimento de todos os lotes afetados, motivo pelo qual permanecem em vigor os alertas às autoridades locais e consumidores”. 

Na terça-feira, 8, o TRF-01, em Goiás, autorizou a empresa a retomar a produção e a comercialização de rações que não sejam destinadas a equinos. A medida contrariou a decisão do Mapa, que determinava a suspensão total. O Ministério disse que já recorreu da decisão e que “apresentou novas evidências técnicas que reforçam o risco sanitário representado pelos produtos e a necessidade de manutenção das medidas preventivas adotadas”. 

A pasta informou que o estabelecimento havia sido inspecionado pela última vez em fevereiro de 2025 e junho de 2023. “As ações de fiscalização seguem critérios técnicos baseados em avaliação de risco, histórico do estabelecimento e denúncias recebidas”. 

Como denunciar: O Mapa orienta que quaisquer informações ou denúncias relacionadas ao caso sejam encaminhadas por meio da Ouvidoria, no endereço: https://www.gov.br/ouvidorias/pt-br

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Setor avícola reforça vigilância após foco de gripe aviária no RS

Pecuária

Setor avícola reforça vigilância após foco de gripe aviária no RS

Doença foi identificada em aves silvestres no Sul gaúcho, mas ABPA descarta risco imediato à produção comercial

Exportadores retomam reservas de frango ao Oriente Médio, diz ABPA

Pecuária

Exportadores retomam reservas de frango ao Oriente Médio, diz ABPA

Setor vê retomada gradual dos bookings, mas alerta para aumento de custos e atrasos devido à guerra na região

Guerra no Oriente Médio eleva incertezas para exportações brasileiras de gado vivo

Pecuária

Guerra no Oriente Médio eleva incertezas para exportações brasileiras de gado vivo

Preocupação do mercado se concentra nos efeitos indiretos do conflito, como logística, custos mais altos e prazos de transporte

Preço do leite sobe após nove meses de queda consecutiva

Pecuária

Preço do leite sobe após nove meses de queda consecutiva

A expectativa é de manutenção desse viés de alta em março, aponta Scot consultoria

PUBLICIDADE

Pecuária

Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves silvestres

Serviço Veterinário do Estado reforçou a vigilância e as ações de prevenção nas criações de subsistência da região

Pecuária

Guerra no Oriente Médio pode impactar até 40% das exportações de carne bovina

Sem linha marítima direta para a Ásia, a guerra no Oriente Médio também afeta as exportações de carne bovina ao continente

Pecuária

Crise no Oriente Médio afeta logística de exportação de frango do Brasil

ABPA monitora cenário e mantém embarques confirmados enquanto rotas como Suez e Ormuz seguem fechadas

Pecuária

Brasil investiga 2 suspeitas de influenza aviária em aves não comerciais

Investigações surgem após Argentina e Uruguai anunciarem novos casos da doença 

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.