PUBLICIDADE

Inovação

Pesquisa quer transformar algas marinhas em atum vegetal; entenda

A economia ligada ao mar movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão ao ano, com expectativa de dobrar até 2030, aponta a Embrapa

Nome Colunistas

Redação Agro Estadão

29/11/2025 - 05:00

Iniciativa liderada pela Embrapa busca criar produtos à base de algas e fortalecer a bioeconomia azul. | Foto: Fabiola Fogaça/Embrapa
Iniciativa liderada pela Embrapa busca criar produtos à base de algas e fortalecer a bioeconomia azul. | Foto: Fabiola Fogaça/Embrapa

Um projeto internacional que reúne instituições do Brasil e da Europa pretende transformar algas marinhas em uma alternativa de proteína sustentável. A iniciativa, liderada pela Embrapa Agroindústria de Alimentos, terá três anos de duração e mira a criação de novos produtos, entre eles um “atum vegetal” em conserva.

De acordo com a estatal, as algas avançam como opção promissora porque crescem rápido, dispensam água doce e fertilizantes e capturam carbono. Para a coordenadora da pesquisa no Brasil, Fabíola Fogaça, esses organismos “são nutritivos, ricos em fibras, minerais, vitaminas e até ômega-3, compostos reconhecidos pela sua importância para a saúde humana”. Elas também ajudam a purificar a água e a mitigar efeitos da crise climática.

CONTEÚDO PATROCINADO

Apesar do potencial nutricional e ambiental, o sabor marcante ainda limita a expansão no mercado nacional. A equipe trabalha para ajustar textura, cor e aroma. “Nosso desafio é aprimorar essas características, desenvolvendo processos de cultivo e de transformação que resultem em ingredientes com sabor e textura agradáveis ao consumidor”, afirma Fogaça. 

O protótipo de atum vegetal deve combinar algas com ingredientes vegetais ricos em proteínas e flavorizantes. A expectativa é reproduzir aroma, consistência e sabor do produto tradicional. “Estamos falando de um alimento inovador, com potencial para ser mais saudável, sem colesterol, rico em nutrientes e ao mesmo tempo sustentável”, diz a pesquisadora.

A rede de parceiros envolve oito instituições europeias, entre elas NIOZ (Holanda), ILVO (Bélgica), Nofima (Noruega) e DTU (Dinamarca). No Brasil, a Embrapa atua com equipes do Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo, além de projetos de cultivo na Costa Verde fluminense. O trabalho deve gerar sistemas de produção otimizados, protocolos de processamento, protótipos de alimentos, treinamento técnico e possíveis patentes.

PUBLICIDADE

Os pesquisadores destacam que o cultivo de algas pode diversificar a renda de comunidades costeiras e impulsionar cadeias produtivas regionais. “No Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de litoral, temos um potencial enorme para estruturar uma cadeia produtiva de algas. Essa pode ser uma fonte de emprego, renda e inovação”, afirma Fogaça.

O projeto integra o Sustainable Blue Economy Partnership — iniciativa do programa Horizonte Europa que reúne 74 instituições de 30 países. A parceria busca fortalecer a bioeconomia azul, alinhada à Agenda 2030 e ao ODS 14, que trata do uso sustentável dos oceanos. Ao final dos 36 meses, os protótipos desenvolvidos estarão prontos para avaliação da indústria e dos consumidores, em um mercado global que deve movimentar US$ 2,5 bilhões até 2032.

No Brasil, o cultivo de algas ainda é restrito, mais utilizado como espessante aplicado em alimentos e cosméticos. | Foto: Fabiola Fogaça/Embrapa

Bioeconomia azul e o potencial das algas no Brasil

A produção de algas marinhas integra um setor em crescimento dentro da bioeconomia azul, conceito que busca unir preservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico a partir do uso sustentável dos recursos do oceano. Nesse cenário, as algas ganham espaço por sua versatilidade como alimento, insumo industrial e matéria-prima para fármacos, cosméticos e biofertilizantes.

Globalmente, segundo a Embrapa, a economia ligada ao mar movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão ao ano, com expectativa de dobrar até 2030. A produção mundial superou 36 milhões de toneladas em 2022 e deve gerar um mercado de US$ 2,1 bilhões em 2024.

No Brasil, o cultivo ainda é restrito, concentrado na espécie Kappaphycus alvarezii, alga utilizada na fabricação de carragenana, um espessante aplicado em alimentos e cosméticos. Espécies nativas, como Gracilaria — gênero de algas vermelhas (Rhodophyta) — também são cultivadas em menor escala no Nordeste, mas o setor opera muito aquém do seu potencial.

De acordo com os pesquisadores, o avanço dessa cadeia depende do desenvolvimento de sistemas de cultivo mais eficientes, de novas aplicações industriais e da criação de produtos alimentícios voltados ao consumidor. 

Para a Embrapa, a diversificação do mercado, aliada ao interesse crescente por proteínas alternativas, abre caminho para a presença das algas no cotidiano alimentar.  A expectativa é que a expansão do setor gere oportunidades de renda para agricultores familiares e comunidades costeiras, fortalecendo atividades sustentáveis de baixo impacto ambiental.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Safra de soja 27/28 deve ter nova geração de semente com maior controle de daninhas e lagartas

Inovação

Safra de soja 27/28 deve ter nova geração de semente com maior controle de daninhas e lagartas

Testes começam na próxima safra, mas ainda faltam autorizações nos países exportadores, o que empurra a comercialização para mais adiante

Manual do irrigante: conheça o guia para quem quer irrigar com precisão e produtividade

CONTEÚDO PATROCINADO

Manual do irrigante: conheça o guia para quem quer irrigar com precisão e produtividade

Desenvolvido pelos especialistas da Netafim, o manual reúne fundamentos essenciais no processo de se tornar um irrigante no Brasil

CB Bioenergia recebe licença para operar usina de etanol de trigo no RS

Inovação

CB Bioenergia recebe licença para operar usina de etanol de trigo no RS

Com 150 mil metros quadrados, usina tem capacidade produtiva mensal de mais de 1,3 milhão de litros de etanol hidratado e 1,14 milhão de álcool neutro

Pesquisa descobre fungo com ação superior a herbicidas como glifosato

Inovação

Pesquisa descobre fungo com ação superior a herbicidas como glifosato

Substância inédita isolada do fungo Fusarium demonstra potente ação herbicida e antifúngica 

PUBLICIDADE

Inovação

Cana: IAC lança duas novas variedades para o Centro-Sul

Alta produtividade e resistência são destaques das variedades para cultivo mecanizado

Inovação

Baldan conclui primeira venda com criptomoedas e inaugura nova fase digital

Empresa prevê movimentar até R$ 1 milhão mensais em operações com criptoativos e fortalece relações comerciais no exterior

Inovação

Tecnologia da soja ganha nova função em florestas

Pesquisadores da Embrapa desenvolvem inoculante capaz de ajudar na restauração de solos degradados

Inovação

Conheça os tratores premiados na Agritechnica, na Alemanha

Referência mundial, prêmio destaca tendências em conectividade, inteligência embarcada e sustentabilidade que em breve chegarão ao campo

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.