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Castanha-do-brasil vira farinha “turbinada” e rende proteína texturizada

Pesquisa revela que ingrediente amazônico pode substituir a farinha de trigo em produtos plant-based com boa aceitação do público

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Redação Agro Estadão

02/12/2025 - 13:57

Foto: Kadijah Suleiman/Embrapa
Foto: Kadijah Suleiman/Embrapa

Uma farinha feita a partir da castanha-do-brasil chamou a atenção de pesquisadores da Embrapa por um motivo simples e curioso: ela tem cerca de 60% mais proteína que a farinha de trigo. O ingrediente, ainda pouco conhecido do público, já virou base para hambúrguer, quibe e proteína texturizada — todos com boa avaliação de sabor, textura e aparência.

A iniciativa é resultado de uma pesquisa que integra o Programa Biomas do The Good Food Institute (GFI) e conta com financiamento do Fundo JBS pela Amazônia. O trabalho foi realizado na Embrapa Amazônia Oriental, que utilizou castanhas quebradas ou fora do padrão comercial para ampliar o aproveitamento da matéria-prima. 

Segundo Ana Vânia Carvalho, pesquisadora da Embrapa, a busca por maior diversidade de fontes proteicas nacionais têm estimulado pesquisas voltadas à exploração sustentável da biodiversidade brasileira. “A castanha-do-brasil é um símbolo da sociobiodiversidade amazônica e surge como alternativa nacional de alto valor agregado. Isso pode fortalecer cadeias produtivas amazônicas, gerando valor para pequenos produtores e indústrias regionais”, afirmou.

CONTEÚDO PATROCINADO

Os cientistas da Embrapa usaram castanhas quebradas ou fora do padrão comercial, ampliando o aproveitamento da matéria-prima. A extração parcial do óleo — empregado sobretudo na indústria cosmética — gera uma massa sólida, usada como base para a farinha. 

O estudo demonstrou que, após a retirada parcial do óleo, o teor de proteína da castanha sobe de 15% para 32,4%. Para fins de comparação, 100 gramas de farinha de trigo integral têm cerca de 13 gramas de proteína, enquanto a de castanha chega a quase 33.

A partir da mesma base, os pesquisadores produziram um concentrado proteico, que atingiu 56% de proteína. O concentrado e a farinha foram testados na formulação de produtos para o consumidor final. Entre eles, quibe e hambúrguer.

O trabalho destaca que os novos ingredientes apresentam propriedades funcionais adequadas para aplicações alimentícias e elevados teores de aminoácidos, além de serem ricos em selênio — mineral abundante na castanha e antioxidante natural. 

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Farinha Sem Gordura Castanha Ronaldo_Rosa
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Além disso, os pesquisadores também criaram um ingrediente texturizado com castanha-do-brasil e soja, semelhante à proteína texturizada de soja tradicional. Segundo a Embrapa, atualmente predominam no mercado de proteínas vegetais opções como a soja e a ervilha — o que abre espaço para alternativas nacionais.

Consumidores aprovaram os produtos

O teste de aceitação sensorial avaliou a aplicação dos coprodutos da industrialização da castanha-do-brasil em preparações alimentícias e mostrou boa aceitação pelos consumidores participantes.

 “Os análogos vegetais, quibe, hambúrguer e texturizado proteico vegetal à base de castanha-do-brasil e soja, apresentaram aparência, sabor e textura característicos de suas versões convencionais, o que indica o potencial de utilização dos coprodutos do processamento da castanha-do-brasil como ingredientes alternativos em produtos desenvolvidos para o público de alimentos plant-based [que buscam substituir proteínas de origem animal]”, finaliza a pesquisadora Daniela Freitas de Sá.

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