Inovação
Sistema antigranizo: prefeitos do RS querem tecnologia para evitar perdas no agro
Após prejuízos milionários, cidades gaúchas se mobilizam para instalar tecnologia usada em Santa Catarina há décadas; veja como funciona
Mônica Rossi | Porto Alegre | monica.rossi@estado.com
03/12/2025 - 05:00

Prefeitos de pelo menos 21 cidades do Rio Grande do Sul estão mobilizados para agilizar a instalação de sistemas antigranizo nas áreas rurais dos municípios. No fim de novembro, uma sequência de temporais com pedras de até 10 centímetros atingiu regiões produtoras do Estado deixando mais de R$ 30 milhões em prejuízos em pomares e lavouras.
A prefeitura de Caxias do Sul, principal produtora de hortifrutigranjeiros do Estado, está liderando as discussões em busca de uma tecnologia que ajude a evitar os danos causados pelas pedras de gelo. A cidade passou por tempestades nos dias 24 e 28 de novembro, com cerca de 260 hectares de atingidos diretamente. As principais culturas danificadas foram uva, ameixa, caqui, pêssego e maçã, com estimativa de perdas de mais de R$ 6 milhões. Para o governo municipal, esses últimos acontecimentos reforçaram a necessidade de um sistema antigranizo na cidade, algo que vem sendo discutido com o executivo estadual há quase dois anos.
“Cinco anos atrás conheci o sistema usado em Santa Cataria, um dos primeiros aqui no Brasil. A partir disso a gente começou a discutir a possibilidade de ter um sistema para proteger nossa produção. Nos últimos anos, os eventos climáticos estão acontecendo de forma mais frequente, mais do que nunca a gente quer buscar alguma proteção para a agricultura de forma geral”, explica Rudimar Menegotto, secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Caxias do Sul.

A iniciativa que está em discussão no RS é semelhante ao formato original do modelo catarinense: uma parceria entre governo estadual e municípios. Os recursos para a instalação, em torno de R$ 15 milhões, viriam do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis). A manutenção ficaria sob responsabilidade das prefeituras.
Em janeiro do próximo ano, uma comitiva gaúcha deve ir até o estado vizinho para conhecer melhor o modelo usado há mais de 30 anos. “A gente percebeu que o sistema mais viável, pensando de forma coletiva, é o usado em Santa Catarina. Sabemos haver outras tecnologias, não estamos discutindo qual é a mais efetiva. Está se discutindo a viabilidade econômica do sistema”, esclarece Menegotto.
Municípios protegidos em SC
O sistema antigranizo está em funcionamento em 13 municípios de Santa Catarina, por meio de um convênio com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR).
O modelo adotado no Estado combina dados de radar meteorológico, estações meteorológicas de superfície, radio sonda e modelagem numérica para identificar a possibilidade de formação de nuvens de granizo nas áreas protegidas.
Quando há confirmação dessa possibilidade, o sistema de combate é ativado. Ele utiliza uma rede de geradores de solo que cobrem toda a região e liberam partículas de iodeto de prata na atmosfera que age como núcleos de condensação adicionais. As gotas de água se formam em torno dessas partículas, gerando cristais de gelo menores que, ao caírem, se dissolvem parcial ou totalmente, reduzindo os estragos causados pelo granizo convencional.
Sistema espanhol também é utilizado no País
Renato Pasin, é o representante no Brasil do Sistema Antigranizo SPAG, com 50 anos de uso na Espanha e há três anos sendo comercializado no Brasil. Pasin explica que esse outro sistema antigranizo funciona através de explosões controladas de uma mistura de gás acetileno e oxigênio dentro de uma câmara. Essas explosões geram ondas hipersônicas capazes de criar uma camada de proteção contra as nuvens de granizo. A tecnologia de ondas de choque não emite poluentes e já está instalada em 60 pontos no País, a maioria para proteção de culturas agrícolas. Cada equipamento consegue proteger até 80 hectares.

O sistema é acionado remotamente por empresas de monitoramento meteorológico, que avisam o cliente 15 minutos antes da chegada da tempestade de granizo.
“O segundo equipamento instalado no Brasil foi na área de parreirais da Família Geisse em Pinto Bandeira (RS). Já está entrando no terceiro ano de proteção. Nesses dois anos que eles tiveram de uso até agora, não tiveram nenhuma perda com granizo”, relata Pasin.
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