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Inovação

Brasil avança na bioeconomia com pesquisas em combustíveis sustentáveis

Avanços em projetos relacionados ao diesel verde, ao hidrogênio verde e ao biodiesel contribuem para o País estar na vanguarda das energias limpas

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Igor Savenhago | Ribeirão Preto (SP) | igor.savenhago@estadao.com

27/12/2025 - 08:00

Laboratórios da Unicamp buscam métodos mais simples para a obtenção de hidrogênio verde, a partir da água e da energia solar. Foto: Felipe Bezerra/Unicamp
Laboratórios da Unicamp buscam métodos mais simples para a obtenção de hidrogênio verde, a partir da água e da energia solar. Foto: Felipe Bezerra/Unicamp

No cenário global da inovação sustentável, o Brasil anuncia avanços graças a pesquisas científicas e projetos que preveem ampliar as possibilidades de produção e uso dos combustíveis renováveis. Universidades, institutos de pesquisa e o setor privado investem esforços em tecnologias capazes de reduzir emissões de gases de efeito poluentes, gerar empregos e consolidar a bioeconomia como vetor estratégico de desenvolvimento nacional.

A convergência de propostas para a produção de diesel verde, hidrogênio verde e biodiesel, por exemplo, evidencia um movimento de fortalecimento da ciência aplicada à sustentabilidade, integrando produção agrícola e indústria de baixo impacto ambiental. Especialistas destacam que essas iniciativas criam oportunidades econômicas e posicionam o País na vanguarda das soluções energéticas.

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Diesel verde: inovação na Unicamp

combustíveis sustentáveis
Professor Rubens Maciel Filho: um dos objetivos do estudo é desenvolver um protótipo compacto. Foto: Lúcio Camargo/Unicamp

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto Ethanoil+ busca transformar a produção de biodiesel e de diesel renovável – conhecido como diesel verde – usando equipamentos compactos. A iniciativa, conduzida pela Faculdade de Engenharia Química, pretende reduzir custos, aumentar a sustentabilidade do processo e possibilitar produção local.

Segundo o professor Rubens Maciel Filho, coordenador do projeto, a produção atual requer espaços grandes, compatíveis com plantas químicas. O objetivo é obter os combustíveis a partir de uma estrutura equivalente a um contêiner. A modularidade da tecnologia permitiria produzir no próprio local de extração do etanol ou do óleo vegetal, reduzindo a emissão de carbono associada ao transporte.

O projeto está dividido em duas fases: a primeira é dedicada ao aperfeiçoamento de etapas como transesterificação, separação e obtenção do diesel verde dentro das normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); já a segunda será voltada à construção de um protótipo funcional com capacidade inicial de 10 mil litros diários. 

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Além do desenvolvimento tecnológico, a pesquisa conta com uma patente da Unicamp, que permitirá gerar diesel verde capaz de substituir totalmente o diesel fóssil ou ser misturado a ele, ampliando a flexibilidade energética. O diesel verde traz benefícios ambientais, como redução da pegada de carbono, menor emissão de poluentes e aproveitamento de matérias-primas agrícolas, fortalecendo a integração entre agricultura e inovação tecnológica.

Hidrogênio verde: combustível estratégico e sustentável

Em outro estudo, pesquisadores buscam otimizar a produção de hidrogênio verde e partir de fontes renováveis, como água e energia solar. O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), também em Campinas, tem demonstrado que é possível obter o combustível sem depender da rede elétrica convencional, usando fotoeletrodos de hematita reforçados com alumínio e zircônio em reatores modulares impressos em 3D.

Segundo Flávio Souza, coordenador do programa de hidrogênio do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), os resultados observados em laboratório podem ser aplicados em sistemas modulares e estáveis, com possibilidade de produção de hidrogênio em escala. O protótipo desenvolvido no projeto mantém eficiência mesmo ao ar livre, permitindo instalação em áreas remotas e ampliando a independência energética.

Segundo o professor Juliano Bonacin, do Instituto de Química da Unicamp, o hidrogênio verde poderá direcionar a indústria para novos caminhos, como produção de aço sustentável, substituição parcial do gás de cozinha e abastecimento de veículos, inclusive em escala doméstica. Passos que atendem as metas de descarbonização do setor industrial e de transportes, reduzindo emissões de gases do efeito estufa e integrando ciência, políticas públicas e indústria, além de abrir oportunidades de exportação tecnológica.

Ele explica que isso seria possível a partir da conversão da água, com o uso de placas solares durante o dia, em hidrogênio – que poderia ser usado à noite como fonte de energia por meio de células de combustível.  

Compromissos globais e liderança brasileira

As inovações em pesquisas nessa área seguem na esteira do anúncio feito pelo Brasil durante a pré-COP e a COP 30, que prevê quadruplicar a produção e o uso desses combustíveis até 2035. O objetivo reforça o papel do país na transição energética global, com foco em setores de difícil descarbonização, como aviação, transporte marítimo, indústria do aço e do cimento.

O anúncio foi acompanhado do relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), que indica que, apesar de recorde de 582 GW de capacidade renovável adicionada em 2024, ainda é necessário acelerar o crescimento de fontes limpas. “Estamos avançando mais rápido em renováveis do que imaginávamos, mas precisamos dobrar a eficiência energética para atingir as metas globais”, disse, na época, André Corrêa do Lago, presidente da COP 30. 

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