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PR: agro está em alerta para riscos sanitários com projeto de galinheiros comunitários
Criação de galinhas em comunidades indígenas faz parte de ação social apoiada pela Itaipu Binacional
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
27/03/2025 - 08:00

A construção de galinheiros comunitários no oeste e litoral do Paraná tem preocupado o setor agropecuário em relação à questão da sanidade. Atualmente, o estado é líder nacional na produção e exportação de frango de corte e genética avícola.
A instalação das unidades começou no início de março e faz parte do projeto Opaná: Chão Indígena. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), através do programa Capa, e da Itaipu Binacional, por meio do programa Itaipu Mais que Energia.
O projeto prevê ao todo a construção de 64 galinheiros comunitários, com cerca de 100 aves cada um. As unidades serão distribuídas em 32 comunidades indígenas do oeste e litoral paranaenses. Os animais serão criados para produção de carne e ovos. Nas próximas semanas, há a previsão de construção também de 25 unidades produtivas de suínos no projeto.
FAEP cobra ações
O movimento acendeu um sinal de alerta para a Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Sistema FAEP). A entidade enviou um ofício à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), solicitando providência “imediata e contundente” em relação à instalação dos galinheiros comunitários.
A principal preocupação do Sistema FAEP são as doenças que podem ser disseminadas a partir dessas unidades comunitárias para as granjas comerciais. Um dos exemplos é a gripe aviária, que tem dizimado centenas de aves nos Estados Unidos. “Isso poderia fechar os mercados internacionais atendidos pelos avicultores paranaenses, causando prejuízos bilionários à agropecuária estadual”, destaca a Federação em nota.
A técnica do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, Nicole Wilsek, disse ao Agro Estadão que a ação não é proibida. Porém, ela enfatiza que há um risco não somente à sanidade animal, como também à saúde humana. “Vale ressaltar que existem doenças que circulam entre animais e humanos, chamadas de zoonoses. Então, é necessário ter uma conduta mínima de boas práticas de produção”, explica.
Órgãos estaduais pedem reavaliação da estratégia
Após ser acionada pelo Sistema FAEP, a Adapar e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) encaminharam um ofício à Itaipu Binacional. Os órgãos estaduais recomendaram que a empresa “reavalie a estratégia de apoio à criação de aves nas regiões citadas e considere medidas adicionais de segurança sanitária.”
A Adapar e a Seab reforçaram ainda suas preocupações no que se refere à introdução de galinhas domésticas no oeste do Paraná, principal região produtora de aves comerciais do estado. Segundo os órgãos, a iniciativa na região e no litoral, poderia facilitar a transmissão do vírus da Influenza Aviária das aves silvestres para os plantéis domésticos, elevando consideravelmente os riscos sanitários. Inclusive, na próxima semana, uma equipe da Adapar estará no litoral monitorando propriedades com galinhas para subsistência.
Hoje, o Paraná responde por 30% da produção nacional e 40% das exportações de carne de frango.
Projeto segue diretrizes sanitárias, afirma Itaipu
A Itaipu Binacional informou ao Agro Estadão que entende e respeita as preocupações manifestadas pelo Sistema FAEP, ressaltando que, desde o início, o projeto foi concebido com foco exclusivo em criação de subsistência, alinhando-se à legislação estadual aplicável a esse tipo de produção.
Segundo a usina, os galinheiros seguem as diretrizes do Plano de Vigilância Ativa para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, mantendo as aves em ambiente cercado e controlado, “o que reduz significativamente o risco de contato com aves silvestres ou outros vetores”, informa a nota. A empresa afirma que, além do galinheiro de 20 m², em que as aves serão fechadas à noite, os animais ficarão em uma área cercada de 650 m².

Ainda conforme a Itaipu, profissionais vinculados ao programa vão orientar tecnicamente a produção e garantir os cuidados sanitários necessários. “A condução das atividades segue as orientações da legislação vigente e dos órgãos competentes, como da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar)”, informa. A companhia reitera que o projeto específico foi estruturado para atender uma demanda identificada nas comunidades indígenas, com foco exclusivo na segurança alimentar e, no momento, não há previsão de novos investimentos em iniciativas semelhantes.
Produção voltada para uso das comunidades
O coordenador do projeto Opaná, Jhony Alex Luchmann, disse à reportagem que, antes de colocar a iniciativa em prática, houve apropriação da legislação sanitária para garantir a conformidade com o processo produtivo. “A proposta se trata de uma produção de subsistência voltada exclusivamente para o autoconsumo das famílias. Estamos em cumprimento com as normativas que permitem a produção de pequenos animais para consumo próprio em comunidades vulneráveis, as quais estão isentas de registro sanitário”, afirmou Luchmann.
Segundo ele, como o foco é a produção para consumo interno das comunidades indígenas, sem comercialização, não há movimentação de aves para fora das comunidades. Além disso, Luchmann esclareceu que o projeto vem orientando a adoção das medidas de biosseguridade, como a limpeza periódica das instalações, o controle do acesso aos galinheiros comunitários e o acompanhamento contínuo de profissionais especializados. “Reafirmamos que o projeto está em conformidade com a legislação sanitária aplicável a produções de subsistência e que as famílias indígenas são orientadas continuamente para o manejo adequado dos animais e das instalações”, garantiu.
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