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Economia

Preço do arroz brasileiro sobe 40% em um ano; do cacau dispara 282%

Pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) indica baixa oferta mundial de arroz; com o cacau, clima afetou as lavouras do no principal país produtor

Nome Colunistas

Isadora Duarte/Broadcast Agro

07/08/2024 - 08:00

Foto: Adobe Stock
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A elevada demanda global somada à menor oferta mantêm os preços do arroz e do cacau em alta, revela pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), antecipada com exclusividade ao Broadcast Agro. Ambas as commodities apresentam safras globais menores que o previsto, em virtude de intempéries climáticas, e acumulam valorizações expressivas no último ano, mostra a pesquisa.

O preço do arroz brasileiro subiu 39,8% entre junho de 2023 e junho deste ano, alcançando a média de R$ 1.910 por tonelada, aponta a pesquisa do Departamento de Inteligência Competitiva da Abia. Em um mês, contudo, a alta foi mais tímida, de 0,2%. O impulso das cotações do cereal no mercado nacional deve-se ao cenário de incertezas, de acordo com os pesquisadores da Abia.

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“As significativas perdas agrícolas causadas pelo El Niño levaram os produtores a buscarem maior valorização do arroz em casca. Apesar das fortes chuvas no Sul, principal região produtora no País, a safra de 2023/24 é estimada em 10,6 milhões de toneladas, alta de 5,5% em relação à anterior, segundo a Conab”, ponderou a Abia na pesquisa. O balanço entre oferta e consumo nacional é praticamente equivalente neste ciclo, de acordo com os dados da Conab.

No mercado internacional, o arroz também continua em alta, atingindo R$ 3.406 por tonelada em junho, refletindo a elevada demanda e a baixa oferta global, segundo a Abia. “Isso faz também com que as exportações brasileiras estejam mais atrativas, sem prejuízo ao mercado interno”, observou a entidade.

Em relação ao cacau, a pesquisa da Abia revela que o preço da amêndoa no mercado interno disparou, alcançando o recorde de R$ 55.580 por tonelada em junho deste ano, aumento anual de 282,2%. Na comparação mensal, as cotações do cacau no mercado nacional avançaram 19,9%, mostra a pesquisa.

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O aumento do preço do grão nacional refletiu a valorização externa do grão. A Abia observa que a produção brasileira deve alcançar 294,5 mil toneladas na safra 2023/24, 1/3% mais que na temporada anterior, puxada por condições climáticas favoráveis. “A colheita na Bahia e no Pará está avançando bem, com 85% da área colhida até o final de junho. As chuvas regulares durante o período de desenvolvimento dos frutos favoreceram a qualidade e o rendimento da safra”, apontou a Abia. O Brasil ainda é importador líquido da commodity.

Já no mercado internacional, considerando a média dos futuros do cacau negociados na Bolsa de Nova York e na Bolsa de Londres, os preços do cacau subiram 160,7% em um ano e 9,7% em um mês, chegando a R$ 44.573 por tonelada. Diferentemente da safra nacional, a produção de cacau mundial é pressionada pelos problemas climáticos reportados na África Ocidental, o que reflete em menor produção. Essa conjuntura aliada à crescente demanda global pela amêndoa impulsionaram os preços do cacau no último ano, explicou a Abia.

O levantamento mensal da Abia acompanha a evolução de abastecimento, disponibilidade e preço das principais matérias-primas agrícolas utilizadas nas operações da indústria de alimentos e bebidas. A indústria de alimentos processa aproximadamente 60% da produção agropecuária brasileira e produz 270 milhões de toneladas de alimentos por ano.

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