Economia
Estoques certificados de café estão perto do menor nível em 20 anos
Efeito combinado de tarifas dos EUA, menor oferta brasileira e consumo forte intensifica a volatilidade do mercado, aponta consultoria
Redação Agro Estadão
19/11/2025 - 17:44

Os estoques certificados de café arábica na bolsa de Nova York alcançaram, agora em novembro, níveis próximos às mínimas das últimas duas décadas. Segundo a consultoria Hedgepoint Global Markets, o quadro reflete uma combinação de fatores: baixa oferta, menor certificação do produto brasileiro, forte consumo por parte de torrefadores dos Estados Unidos e incertezas provocadas pelo cenário tarifário.
Segundo Laleska Moda, especialista em café da Hedgepoint Global Markets, com o cenário de tarifas dos EUA – maior consumidor de café do mundo -, houve uma mudança significativa no comportamento dos agentes de mercado. Ela destaca que, entre o fim de julho — logo após o anúncio das tarifas — e 17 de novembro, o Brasil foi uma das origens que mais registraram retirada de café dos estoques certificados, com cerca de 150 mil sacas consumidas.
No total, os estoques globais encolheram em quase 400 mil sacas no período. Parte dessa redução decorre também do fato de que produtores e traders brasileiros certificaram menos café este ano, à medida em que os diferenciais elevados tornaram mais vantajoso vender diretamente ao mercado do que arcar com os custos logísticos e operacionais da certificação.
Com os estoques baixos e o mercado operando com menor margem de segurança, Laleska salienta que qualquer novidade climática no cinturão produtor brasileiro ganha potencial de gerar movimentos bruscos nas cotações.
De acordo com ela, o período entre dezembro e março será decisivo para o desenvolvimento da safra 26/27 — e a possibilidade de maior variabilidade de chuvas e temperaturas já é monitorada com atenção por traders e indústrias. “Hoje, os principais fatores que vão diferenciar os preços no mercado de café são justamente as tarifas. Também será considerado o movimento dos estoques certificados, além do ciclo e clima da safra brasileira de 2026/2027, que a gente está no período de desenvolvimento”, disse em coletiva nesta quarta-feira, 19.
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