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Economia

Com a oficialização da tarifa, setores pedem socorro financeiro

Governo deve trazer ajuda aos setores atingidos dentro do plano de contingência que segue sem previsão de anúncio

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

31/07/2025 - 08:55

Presidente da Abiec, Roberto Perosa, vê necessidade de uma linha emergencial ao setor | Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
Presidente da Abiec, Roberto Perosa, vê necessidade de uma linha emergencial ao setor | Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Setores do agronegócio brasileiro aumentaram o coro por medidas de viés financeiro após o governo norte-americano oficializar o tarifaço  sobre os produtos brasileiros. A reivindicação é por linhas emergenciais de amparo a empresas afetadas pela alíquota final de 50%.

É o caso da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) que, nesta quarta-feira, 30, fez o apelo direto ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin. Ele é o encarregado das negociações com os Estados Unidos e também coordena um grupo interministerial que vai municiar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na resposta ao tarifaço americano. 

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“Nós temos a necessidade [de uma linha] para financiar as exportações. Isso ainda está sendo avaliado pela equipe do governo, possivelmente, estará dentro das medidas a serem anunciadas. Ele [Alckmin] me disse isso. A gente aguarda essa decisão para poder comentar se a linha é suficiente ou não”, disse a jornalistas o presidente da Abiec, Roberto Perosa, após reunião por telefone com o vice-presidente. 

O encontro deveria ocorrer presencialmente, na sede do MDIC, em Brasília (DF), no final da tarde desta quarta, mas uma reunião de última hora foi convocada no Palácio do Planalto após a oficialização da tarifa americana e os planos mudaram. “Ele [Alckmin] me disse que estão estudando ações para mitigar esses impactos como novas linhas de crédito, novas linhas de financiamento do setor exportador brasileiro”, acrescentou Perosa.

Setor de Pescados

Outra entidade que voltou a pedir socorro foi a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca). Em nota emitida no fim da tarde de quarta, a associação indica um “cenário de gravidade” e diz ser “necessário” a inclusão do setor em possíveis iniciativas de amparo. 

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“Isso inclui a criação de mecanismos de apoio financeiro imediato, como linhas de crédito especiais e auxílio emergencial às empresas exportadoras. Ignorar essa realidade é permitir o colapso de uma das mais importantes cadeias produtivas do agronegócio nacional, com efeitos em cascata sobre o emprego, a renda e a estabilidade de regiões inteiras”, afirmou a Abipesca. 

Também por meio de nota, Lula se manifestou sobre a concretização da tarifa feita pelos Estados Unidos. Ele reforçou que o Brasil permanece aberto às negociações, mas sem abrir mão “dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação”. Apesar de sinalizar que virão ações de apoio, o presidente não informou quando elas devem ocorrer ou a forma como serão feitas. “Já iniciamos a avaliação dos impactos das medidas e a elaboração das ações para apoiar e proteger os trabalhadores, as empresas e as famílias brasileiras”, finalizou a nota.

Empregos mantidos

Na avaliação do presidente da Abiec, o setor de carne deve manter os empregos nas fábricas. Segundo ele, a cadeia tem cerca de 7 milhões de pessoas contratadas. 

“Os empregos serão mantidos porque a indústria permanece produzindo. O que a indústria sofre é a perda de competitividade. O mercado dos Estados Unidos é altamente rentável, próximo ao Brasil e de onde a gente tinha uma alta demanda. Era um cliente bom. Bom pagador, bom demandante e que agora nós perdemos esse cliente”, pontuou Perosa. 

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