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Agropolítica

Taxação dos EUA sobre aço pode impulsionar agronegócio brasileiro

Anúncio de Trump, feito na noite desta segunda-feira, 10, gera expectativa de novas tarifas, o que pode beneficiar exportações do Brasil para a China

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Paloma Custódio | Brasília | Atualizada às 20h40

10/02/2025 - 16:38

Foto: Adobe Stock
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O presidente Donald Trump assinou, na noite desta segunda-feira, 10, um decreto que impõe tarifas de 25% sobre aço e alumínio importados pelos EUA. A medida pode beneficiar o agronegócio brasileiro no mercado internacional. De acordo com o Departamento do Comércio dos EUA, aproximadamente 25% do aço e 50% do alumínio utilizados no país são importados, sendo o Brasil o segundo maior fornecedor, atrás apenas da China.

A decisão de Trump não mira diretamente o Brasil, mas os chineses, e repete a mesma estratégia econômica feita no primeiro mandato do presidente. Em 2018, os EUA impuseram uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio. Pouco tempo depois, o governo americano decidiu isentar alguns parceiros comerciais dessa taxa, como Canadá, México e Brasil, mas manteve a tarifa sobre as importações da China.

Na época, o governo chinês retaliou impondo tarifas sobre mais de 120 produtos norte-americanos, muitos deles agropecuários, como frutas, suínos e soja. Na avaliação do ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e também colunista do Agro Estadão, Welber Barral, se o cenário se repetir, o agronegócio brasileiro pode se beneficiar com o aumento da demanda da China. “Isso aconteceu no outro governo Trump. A China começou a comprar mais soja e carnes do Brasil. Então acabou beneficiando o Brasil naquela outra vez. Teoricamente, poderia acontecer de novo”, disse à reportagem.

Apesar das perspectivas positivas, Barral diz que existe um cenário no qual os países afetados por taxações em determinados produtos poderiam tentar negociar com os EUA por meio da abertura do mercado agrícola. “Isso prejudicaria o Brasil, porque Brasil e Estados Unidos competem no agro”, ressalta.

“Governo brasileiro só se manifesta com base em decisões concretas”

Nesta segunda-feira, 10, havia uma especulação de que o governo brasileiro iria taxar empresas de tecnologia, caso os EUA impusessem tarifas sobre o aço do Brasil. Em seu perfil no X, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que essa informação “não é correta”. “No mais, o governo brasileiro tomou a decisão sensata de só se manifestar oportunamente com base em decisões concretas e não em anúncios que podem ser mal interpretados ou revistos”, complementa o ministro.

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Aço brasileiro e máquinas agrícolas 

No acumulado de janeiro a dezembro de 2024, o Brasil produziu 33,7 milhões de toneladas de aço bruto. Minas Gerais é o maior estado produtor, com 10,1 milhões de toneladas, seguido por Rio de Janeiro, com 8,8 milhões. As exportações de aço brasileiro no período atingiram cerca de 9,6 milhões de toneladas, totalizando US$ 7,7 bilhões. Esses valores representam, respectivamente, uma redução de 18,1% e de 21,9% na comparação com o acumulado do ano de 2023. As informações são do Instituto Aço Brasil, entidade representativa das empresas brasileiras produtoras de aço.

O principal destino em 2024 foram os EUA, com 5,8 milhões de toneladas, uma queda de 17,3% em relação ao ano anterior. Em segundo lugar está toda a União Europeia, com 681 mil toneladas, também um recuo de 29% em comparação com 2023.

“As exportações brasileiras de aço já tinham caído bastante desde o primeiro governo Trump, quando ele havia colocado cotas e sobretaxas, o que acabou afetando as exportações brasileiras de aço. Mas ainda são valores relevantes”, destaca Welber Barral. 

O aço é uma das principais matérias-primas da indústria de máquinas agrícolas. No entanto, ao Agro Estadão, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) disse que “no momento, não vê impacto significativo ao setor. É necessário verificar a regulamentação oficial dos EUA e posteriormente a atitude que o governo brasileiro tomará diante desta tributação”.

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