Agropolítica
Mudanças feitas pelo CMN são “um passo da construção do Plano Safra”, sinaliza Fávaro
Ministro disse que negociações para regionalização de gripe aviária estão em curso e anuncia que embargos da Coreia do Sul serão apenas para RS
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com - Atualizada às 19h30
23/05/2025 - 18:18

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, disse que as mudanças feitas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na exigibilidade dos recursos para crédito rural vão ajudar no novo Plano Safra. O órgão aprovou na última quinta-feira, a ampliação da exigibilidade para depósitos à vista, poupança rural e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
É uma estratégia para aumentar o funding, é um passo da construção do Plano Safra”, disse Fávaro a jornalistas nesta sexta-feira, 23, após participar de uma reunião no Itamaraty, em Brasília (DF).
O ministro voltou a falar em “desafio” devido ao “orçamento restrito”. Além disso, indicou que as alterações na exigibilidade não devem ser as únicas. “Essa [aumento da exigibilidade] foi uma das medidas preparatórias e, gradativamente, vocês vão estar vendo outras medidas serem anunciadas, preparando para que esse Plano Safra seja, então, um novo Plano Safra bastante robusto”, afirmou.
“Não queremos forçar”
Questionado sobre negociações para a regionalização das restrições às exportações de carne de frango brasileira, o ministro disse que o Brasil tem “avançado rapidamente na segurança necessária para que essa regionalização aconteça”. Mas pontuou: “não queremos forçar, em hipótese alguma”.
Sobre o tema, Fávaro anunciou que a Coreia do Sul vai regionalizar as restrições. O país asiático foi o décimo principal destino das exportações de frango em 2024, com 155,8 mil toneladas. Até então, o país suspendeu os envios vindos de todo o território nacional.
“Regionalizou ao Rio Grande do Sul. É importante, a gente precisa ir gradativamente respeitando o campo de cada país, levando todas as informações que a gente buscar, e com isso a gente vai reconquistando o espaço”, destacou Fávaro.
O ministro também falou sobre o caso em investigação em uma granja comercial em Ipumirim (SC). “Eu posso quase afirmar que é negativo [para gripe aviária], e a outra contra prova de que é negativa é que os animais que supostamente poderiam estar contaminados, nenhum morreu. Se fosse gripe aviária, se fosse H5N1, certamente, o foco já tinha explodido, já tinha acontecido. Então, essa é a maior comprovação de que será negativo”, comentou o Fávaro, mesmo ressaltando que os testes conclusivos ainda não saíram. Até esta sexta, o Brasil investigava 17 casos, sendo dois em granjas comerciais.
Fávaro defende projeto de licenciamento ambiental
O projeto de licenciamento ambiental aprovado nesta semana pelo Senado Federal demonstrou que o governo federal está dividido quanto ao tema. De um lado, a ministra do Meio Ambiente (MMA), Marina Silva, fez duras críticas ao texto. Do outro, ministros ligados à área de infraestrutura têm defendido a proposta. Fávaro indicou que apoia o projeto de lei e comentou sobre as declarações da chefe do Meio Ambiente.
“Eu respeito o posicionamento dela [Marina Silva]. Talvez, ela fazendo uma análise mais profunda do texto, pode haver divergências e é respeitoso isso. A gente tem que entender que um governo é plural. As áreas podem ter, em algum momento, conflitos de ideias e de pensamentos. Mas eu, particularmente, acho que é um projeto que avança muito sem precarização”, afirmou.
A avaliação do encarregado da agropecuária no governo é de que a matéria é equilibrada por não precarizar muito a questão ambiental. “É impossível a gente crescer de forma sustentável sem que a infraestrutura acompanhe e puxe na frente. Nós precisamos de mais portos, mais aeroportos, mais rodovias, mais ferrovias, mais energia elétrica. Esse projeto, ele dá um rito, sem precarizar, mas muito mais ágil, ao licenciamento, principalmente, de infraestrutura”, complementou Fávaro.
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