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Agropolítica

Fávaro descarta reflexos nos preços do frango no Brasil devido a caso de gripe aviária

Prazo de 28 dias indicado pela OMSA para retorno à “normalidade” começa na próxima quarta, 21 

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com | Atualizada em 20/05/2025 às 13h45

19/05/2025 - 21:18

Foto: Daumildo Júnior
Foto: Daumildo Júnior

Mesmo com as restrições internacionais ao frango brasileiro, os preços da proteína não devem cair de patamar no Brasil. É o que avalia o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro. “A experiência adquirida no caso [da doença] de Newcastle no ano passado, os preços não baixaram tanto”, disse o ministro ao relembrar a detecção de um caso de outra doença respiratória ocorrido no ano passado em Anta Gorda (RS). 

O chefe da Agricultura argumentou ainda que não é possível afirmar que os mais de 20 países com restrição total às exportações brasileiras de frango irão manter essa posição até o final dos 28 dias. Esse prazo de quase um mês é o que sugere a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) para que um país volte a ser considerado livre de gripe aviária. 

CONTEÚDO PATROCINADO

“Outro fator é que 70% da produção já fica no mercado interno. Então, estamos falando de 30% se todos os países fechassem. Então, não há um impacto tão grande como se fosse fechar 100% no mercado brasileiro. Em ovos, por exemplo, o único grande comprador está sendo os Estados Unidos e já anunciou que não vai fechar”, comentou Fávaro durante a coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 19. 

O ministro ainda avaliou que não deve ter reflexos no preço dos ovos, que já vinham em queda antes do episódio. Ele lembrou que mais de 95% da produção de ovos fica no Brasil. 

“Eu quero crer que o preço dos alimentos não será tão relevante nem para cima e nem para baixo. É importante dizer que o preço dos ovos já caiu, independente desta crise. […] Eu acredito muito mais em pequenas variações. Pode ter excesso de oferta em dez, 15 dias, e daí vai direcionando para exportação, para outro lugar, vai retomando para algum país que vai começar a flexibilizar o seu protocolo, portanto, eu acredito muito mais na estabilidade”, enfatizou.

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Mapa confirma suspensão total das exportações de carne de frango do Brasil para 21 países

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atualizou o número de países que suspenderam a exportação de frango do Brasil.

Países como Iraque, México, Coreia do Sul, Chile, Canadá, Uruguai, Malásia e Argentina manifestaram suspensão da importação da carne de aves de todo o Brasil.

Já para China, União Europeia (27 países), África do Sul, Rússia, Peru, República Dominicana, Bolívia, Marrocos, Paquistão e Sri Lanka a suspensão para todo o território nacional foi aplicada em atendimento aos requisitos sanitários em protocolos assinados com esses países parceiros.

De forma regionalizada, Reino Unido, Cuba e Bahrein suspenderam o estado do Rio Grande do Sul. Diversos outros países aplicam a restrição apenas à área afetada, o que, neste caso, não gera impactos comerciais, já que não há estabelecimentos exportadores localizados no raio do foco, afirmou o Mapa. É o caso de Japão, que restringiu apenas ao município de Montenegro (RS), e Singapura, com restrição à área com raio de 10 quilômetros do foco.

Segundo o Mapa, o Brasil tem aproximadamente 165 parcerias comerciais para carne, ovo e material genético agrícola, sendo que apenas 11 já se manifestaram oficialmente. Os demais casos, o Brasil tem seguido o que está previsto nos acordos sanitários.

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Casos sob investigação

De acordo com o painel de monitoramento sobre Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves, dos seis casos que estavam em investigação pelo Ministério da Agricultura na manhã desta segunda, três deram resultado negativo. Foram as criações de subsistências em Nova Brasilândia (MT), Grancho (SE) e Triunfo (RS), esta última estava dentro do raio do foco de Montenegro (RS).

Os casos das granjas comerciais em Ipumirim (SC) e Aguiarnópolis (TO) ainda estão sendo investigados, assim como o caso em Salitre (CE), em granja doméstica. Além disso, o Mapa incluiu mais dois casos suspeitos com investigação em curso. Um entrou no painel de monitoramento nesta segunda à noite e está localizado no município de Estância Velha (RS). O outro foi incluído nesta terça-feira, 20, e fica na cidade de Eldorado do Carajás (PA). Ambos em granjas de subsistência.

No início da tarde de terça, 20, foi informada mais uma suspeita em aves silvestres na cidade de Derrubadas (RS).

Ao todo, o país já teve 168 focos de influenza aviária de alta patogenicidade, sendo apenas um em granja comercial. Foram mais de 3,9 mil investigações realizadas no Brasil desde 2022.

Desinfecção da granja deve ser concluída nesta terça

Fávaro também indicou que o processo de desinfecção da granja em Montenegro (RS) deve ser finalizado nesta terça-feira, 20. Com isso, o tempo para o Brasil voltar ao status de livre de gripe aviária começa a ser contado a partir de quarta-feira, 21. Para isso, o país não pode detectar nenhum novo caso em granja comercial em 28 dias. 

“Se a gente conseguir anunciar que o marco zero é quarta-feira[21], a medida que o tempo vai passando, dez dias, 15 dias, a confiança do mercado também vai começando a acontecer. […] Muito países não precisam nem esperar os 28 dias e começam a regionalizar. Isso aconteceu no caso de Newcastle no Rio Grande do Sul [no ano passado]”, projetou o ministro.

Ele também acredita que o sucesso nesses dias poderá ajudar em futuras negociações de protocolos sanitários. “Se a gente conseguir demonstrar a força do sistema brasileiro, que não saia da região onde foi gerado o primeiro foco, é um ativo que a gente vai ter para propor aos países que ainda não regionalizaram, que ao detectar em uma região, a gente consegue conter. É um ativo de convencimento para que ele possa regionalizar”, complementou. 

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