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Agro na COP30

Embrapa reúne critérios que permitem ao agro acessar financiamentos verdes

Livro lançado na COP 30 inclui fatores que embasam a Taxonomia Sustentável e definem quais práticas são consideradas de baixo carbono

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Redação Agro Estadão

14/11/2025 - 14:55

Manejo de pastagem e conservação de florestas são critérios da Taxonomia Sustentável. Foto: Adobe Stock
Manejo de pastagem e conservação de florestas são critérios da Taxonomia Sustentável. Foto: Adobe Stock

A Embrapa lançou nesta quinta-feira, 13, durante a programação da COP 30, a publicação “Embrapa Políticas Públicas: Contribuições para a Taxonomia Sustentável Brasileira”, documento que detalha a base técnico-científica usada na definição dos critérios de sustentabilidade para atividades agropecuárias no País.

A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) funciona como uma lista de critérios que definem quais atividades econômicas podem ser classificadas como sustentáveis — e, portanto, aptas a acessar financiamentos e investimentos rotulados como verdes.

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A publicação reúne métodos e variáveis técnicas usadas para identificar práticas elegíveis em sistemas de produção como soja, milho, café, eucalipto, pecuária a pasto e piscicultura. O trabalho envolveu 44 autores da estatal, do Ministério da Fazenda, da organização internacional Climate Bonds Initiative e da Campo Consultoria, dentro da estratégia de garantir consistência científica ao instrumento — ponto essencial para evitar greenwashing, prática em que atividades são apresentadas como sustentáveis sem comprovação técnica.

Sinalização para investidores e mercados internacionais

A taxonomia brasileira surge em linha com iniciativas já adotadas por União Europeia, México, Colômbia e Costa Rica. A publicação ressalta que os critérios brasileiros foram construídos para dialogar com exigências de mercados compradores, certificações e métricas globais — o que tende a reduzir risco regulatório e facilitar acesso do agro brasileiro a mercados exigentes em comprovação ambiental.

A obra também detalha como as decisões técnicas foram alinhadas com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como o Acordo de Paris e a Agenda 2030, e com políticas internas, como o Plano ABC+ e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático.

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Segundo a Embrapa, a TSB servirá como guia para apontar, para cada cultura ou sistema produtivo, quais tecnologias e práticas podem ser consideradas sustentáveis. A expectativa é que bancos e fundos usem esses critérios para enquadrar financiamentos no rótulo de “baixo carbono”, pressionando cadeias produtivas a se adaptar.

A definição das práticas técnicas para cada atividade — como sistemas de integração, manejo conservacionista, irrigação eficiente, pastagens recuperadas ou critérios de bem-estar animal — foi feita no âmbito de um grupo técnico formado por representantes dos ministérios da Fazenda, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Meio Ambiente, além do Banco Central e do BNDES.

Confira aqui para ler o documento.

O pesquisador Otavio Balsadi, um dos editores da obra, afirma que o trabalho será contínuo: “Em 2026, na segunda fase do trabalho, outras atividades econômicas, ainda a serem definidas em conjunto com os ministérios, devem ser incorporadas à TSB. Trata-se de um processo de indução de práticas agropecuárias mais sustentáveis e resilientes no País”.

O que determina se um sistema é sustentável?

O livro detalha como foram definidos os critérios que compõem a Taxonomia Sustentável para o setor agropecuário. São parâmetros que servem para avaliar, por exemplo, emissões de carbono, uso de solo, conservação de florestas, eficiência no uso de insumos, manejo de pastagens e indicadores socioeconômicos. São esses critérios que determinam se uma atividade pode ser classificada como sustentável — e, portanto, apta a receber crédito rotulado ou atrair investidores alinhados às metas climáticas.

O processo técnico envolveu a seleção de variáveis específicas para cada cadeia produtiva, destacando práticas sustentáveis validadas cientificamente. 

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