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Agro na COP30

Alface corre risco e adaptação não pode esperar, alerta pesquisador

Mapas sobre risco climático para a folhosa serão lançados pela Embrapa no próximo domingo, 16, durante a COP 30

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

14/11/2025 - 09:00

97% do Brasil tem risco alto ou muito alto para o cultivo da alface. Foto: Adobe Stock
97% do Brasil tem risco alto ou muito alto para o cultivo da alface. Foto: Adobe Stock

Americana, lisa, crespa, mimosa e até na coloração roxa. A alface é uma hortaliça tradicional na mesa dos brasileiros. Mas o que pesquisas recentes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vêm mostrando é que essa folhosa pode ficar mais difícil de ser encontrada no futuro. Um estudo apontou que 97% do Brasil tem risco climático alto ou muito alto para o cultivo, o que implicaria na falta de disponibilidade da alface. 

Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador da Embrapa Hortaliças, aponta que o cenário é grave e, por isso, há urgência no processo de adaptação. “Nós precisamos iniciar esse processo agora. Não podemos deixar para quando a situação já estiver bastante perigosa”, alertou. 

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Isso motivou a estatal de pesquisa a lançar os mapas de risco climático para o plantio de alface. A ferramenta tem como objetivo já dar insumos para que governos das diferentes instâncias possam se preparar e formular estratégias para contornar a situação.

“Os mapas podem ser utilizados por gestores públicos para entender onde é preciso atuar e como é preciso atuar de maneira prioritária para que não chegue num cenário drástico”, disse Pacheco à reportagem. O lançamento oficial ocorre no próximo domingo, 16, na AgriZone, em Belém, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30).

Os mapas são baseados no que o pesquisador nomeou de Índice de Severidade Térmica, que é feito a partir das informações de vulnerabilidade à temperatura máxima e de vulnerabilidade à temperatura média. Os mapas reproduzem o somatório dessas vulnerabilidades, traduzindo os pontos e regiões de maior risco para o plantio da hortaliça. 

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Eles trazem perspectivas de curto, médio e longo prazos para o cultivo de alface no inverno, verão, outono e primavera. O risco alto e muito alto para 97% do Brasil é observado para os plantios que ocorrerem nos verões e primaveras do final do século, quando as temperaturas serão superiores.  

Alface em risco pode ser uma de muitas

O pesquisador também cobra que haja um empenho para direcionar recursos de pesquisa não só para a alface, mas as demais hortaliças. Segundo ele, há um cenário generalizado de falta de informações e estudos que captem os impactos das mudanças climáticas nesses alimentos. 

“Não dá para esperar o amanhã para iniciar um processo de adaptação. A gente tem que iniciar hoje e, para isso, é preciso investimento em ciência e tecnologia, coisa que no Brasil não é priorizado”, afirmou Pacheco. 

A própria unidade da Embrapa vem aplicando uma metodologia parecida ao trabalho com a alface para traçar efeitos do clima na cebola, alho, batata inglesa e cenoura. Além disso, estudos como esse servem como base para o desenvolvimento de cultivares mais adaptadas ao calor, como é o caso das alfaces BRS Mediterrânea e da BRS Leila.

“Nós estamos trabalhando com melhoramento genético, mas não só. Estamos vendo sistemas cooperativos, como sistema de plantio direto e hortaliças. Estamos trabalhando com bioinsumos, que também têm mostrado um bom potencial de reduzir os impactos do calor. Também com reúso de água, tratando esgoto e reutilizando para irrigação, além de questões mais tecnológicas, como o cultivo em ambiente controlado, como as fazendas verticais”, elencou o pesquisador, sobre outras soluções nas quais a pesquisa vem avançando.

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