Agricultura
Sementes que desafiam o que você sabe sobre grãos
Parecem cereais, mas têm origem diferente e são uma mina de ouro nutricional para quem produz e consome
Redação Agro Estadão*
14/12/2025 - 05:00

Se você se surpreendeu ao descobrir que o caju e o morango são pseudofrutas, prepare-se para conhecer os pseudocereais. No complexo mundo agrícola, nem tudo que vai ao prato como grão pertence, de fato, à família das gramíneas.
Embora sejam cultivados e consumidos de forma idêntica ao trigo ou ao arroz, alimentos como a quinoa e o amaranto têm origens biológicas completamente diferentes.
Mais do que uma curiosidade científica, esses “falsos cereais” representam uma oportunidade estratégica para o produtor rural. Com alta demanda por conta da ausência de glúten e elevado valor nutricional, eles abrem portas para a diversificação de renda na propriedade.
O que são pseudocereais?
Os pseudocereais são sementes que usamos na cozinha igual a cereais como arroz e trigo, mas que vêm de plantas com origem totalmente diferentes. Para entender melhor: cereais verdadeiros como trigo, arroz e milho vêm de plantas da família do capim (as gramíneas).
Já os pseudocereais vêm de plantas com folhas largas, como as que conhecemos no quintal — feijão, abóbora e outras.
Essa diferença na origem das plantas faz com que os pseudocereais tenham características nutricionais diferentes que os cereais comuns. As plantas de folhas largas conseguem produzir sementes com mais proteínas e nutrientes importantes para nossa saúde.
Três pontos principais diferenciam pseudocereais dos cereais que conhecemos:
- Origem das plantas: pseudocereais vêm de plantas de folhas largas, não de capins;
- Proteínas: têm proteínas mais completas, com todos os nutrientes que o corpo precisa;
- Glúten: não contêm glúten naturalmente, diferente do trigo e outros cereais.
Essa composição especial torna os pseudocereais muito valiosos para quem tem restrições alimentares e busca comida mais nutritiva, criando boas oportunidades de venda para produtores interessados em cultivos diferentes.
Os principais tipos de pseudocereais e suas características
Quinoa

A quinoa é o pseudocereal mais famoso hoje em dia. Ela veio originalmente das montanhas da América do Sul e se adapta bem a diferentes climas, o que facilita seu plantio em várias regiões do Brasil.
O que mais chama atenção na quinoa é sua riqueza em proteínas — ela tem todos os nutrientes proteicos que o corpo humano precisa, coisa rara em alimentos de origem vegetal.
Em comparação com arroz e trigo, a quinoa tem muito mais proteína – cerca de 14%. Na cozinha, ela é bem versátil: tem gosto suave e pode substituir o arroz nas receitas.
Amaranto

O amaranto tem uma história antiga, ele era alimento básico dos astecas e maias há milhares de anos. Rico em proteínas de qualidade, cálcio e ferro, o amaranto se destaca pela variedade de formas que pode ser consumido.
As sementes pequeninas do amaranto podem ser usadas de várias maneiras: cozidas como mingau, estouradas igual pipoca ou moídas para fazer farinha de pão.
Essa flexibilidade abre muitas possibilidades de venda, atendendo desde pessoas que buscam alimentação saudável até fábricas que fazem produtos alimentícios.
Trigo sarraceno

Apesar do nome confuso, o trigo sarraceno não tem nada a ver com o trigo comum. É um pseudocereal com sabor próprio, mais marcante e encorpado, que o torna especial em certas receitas.
Tradicionalmente usado para fazer panquecas, crepes e massas japonesas, o trigo sarraceno tem seu mercado garantido em restaurantes e lojas especializadas.
Uma vantagem para o produtor é que ele cresce bem em terras mais fracas, sendo uma boa opção para áreas que não servem para outras culturas ou para variar o plantio.
Benefícios nutricionais e de saúde dos pseudocereais
Os pseudocereais são mais nutritivos que a maioria dos cereais comuns. Eles também têm bastante fibra, que melhora a digestão, dá sensação de saciedade por mais tempo e ajuda a controlar o açúcar no sangue.
Estes grãos contêm antioxidantes naturais que protegem as células do corpo e podem ajudar a prevenir doenças como problemas do coração e diabetes.
Uma das grandes vantagens dos pseudocereais, como já falamos, é que eles não contêm glúten naturalmente. Isso os torna seguros para pessoas que têm doença celíaca ou que não podem comer glúten por outros motivos. Este é um mercado que cresce muito no Brasil e no mundo.
Diferente dos produtos industrializados sem glúten, que muitas vezes são pobres em nutrientes, os pseudocereais mantêm alto valor nutritivo. Isso permite fazer pratos variados e saudáveis sem perder qualidade alimentar.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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