Agricultura
Em ano de bienalidade positiva, Conab estima safra de café em 66,18 milhões de sacas em 2026
Mesmo com safra maior e produtividade 12,4% superior, preços tendem a seguir firmes diante do baixo estoque remanescente, diz relatório
Redação Agro Estadão
05/02/2026 - 10:20

O Brasil deve colher neste ano 66,18 milhões de sacas de café. As projeções para o café foram apresentadas nesta quinta-feira, 05, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no primeiro 1º Levantamento da Safra de Café em 2026. Em relação à safra passada, a colheita deve ser 17,1% superior, e se comparada a safra 2024, também de bienalidade positiva, o resultado deve ser 22,1% maior.
“O crescimento previsto tem como base, além do ciclo de bienalidade positiva, a entrada de novas áreas em produção, ao crescente uso de tecnologias e insumos e à combinação das condições climáticas mais favoráveis”, indicou a Conab no boletim.
O levantamento também aponta uma área total de 2,3 milhões de hectares com lavouras de café (+3,4% do que na safra anterior). Dessa quantidade, 1,9 milhões são hectares em produção (+4,1% frente ao ciclo passado). O restante são áreas em formação.
A produtividade esperada por hectare também deve dar um salto em relação à temporada passada. O incremento deve ser de 12,4%, passando de 30,4 sacas por hectare para 34,2 sacas por hectare.
Desempenho dos tipos de café
Para o café arábica, a estimativa da Conab é de que a produção seja na casa de 44,1 milhões de sacas, o que representa 23,3% a mais do que em 2025. Minas Gerais concentra mais da metade desse resultado, com projeção de chegar a 31,8 milhões de sacas (+26,4%). São Paulo deve observar também um crescimento, de 16% , alcançando 5,5 milhões de sacas. Espírito Santo é o Estado com maior taxa prevista de crescimento, com 26,5% de acréscimo nesta safra, indo a 4,1 milhões de sacas.
De acordo com a Conab, a bienalidade positiva é um dos fatores comuns para o bom desempenho previsto para o café arábica nesses Estados. No caso de Minas Gerais, também há uma “melhor distribuição das chuvas principalmente nos meses precedentes à floração”. Já São Paulo está recuperando áreas afetadas no ciclo passado.
Para o café conilon, a perspectiva é de 22,1 milhões de sacas (+6,4%). O Espírito Santo, maior produtor da espécie, deve chegar a 14,8 milhões de sacas (+5%). A Bahia pode alcançar 3,4 milhões de sacas (+4,2%). O maior crescimento deve ser registrado em Rondônia, com um desempenho 18,3% maior do que na safra passada, indo a 2,7 milhões de sacas.
As lavouras capixabas do norte do Estado têm verificado boas precipitações, o que ajuda a explicar o resultado esperado, segundo a estatal. Em Rondônia, a produção é somente de conilon e o crescimento é puxado por uma “expressiva renovação do material genético por plantas clonais mais produtivas, aliada às condições climáticas favoráveis desde o início do ciclo”. Já no caso da Bahia, a regularidade no clima, maior investimento em insumos e aumento de áreas produtoras são indicados como motivos para o crescimento da colheita prevista no Estado.
Mesmo com safra maior, preços devem continuar altos
O boletim da Conab também traz uma análise do mercado de café a partir do último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre o assunto. “Apesar do aumento na produção, não são esperadas reduções expressivas nas cotações em razão do baixo patamar do estoque remanescente do ciclo anterior”, aponta a Companhia.
Os estoques mundiais no início da safra 2025/2026 registram o mais baixo nível dos últimos 25 anos, estimados em 21,3 milhões de sacas (-7,8% do que no ciclo passado). Além disso, a demanda continua aquecida. O USDA estima que o consumo para a temporada 2025/2026 deve ser de 173,9 milhões de sacas.
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