Sustentabilidade
Produção de óleo de palma do Pará na rota da sustentabilidade
Com aposta na Amazônia, Brasil produz 600 mil toneladas de dendê por ano, o equivalente a 1% da produção mundial
Letícia Luvison* | Pará | leticia.flores@estadao.com
28/10/2024 - 08:00

Alternativa de produção sustentável, o óleo de palma (ou dendê) tem a produção concentrada no Pará, líder nacional. São 600 mil toneladas do produto que serve de matéria-prima para alimentos, biocombustíveis e indústria de perfumaria.
A receita de sucesso é simples: boa fertilização, sol e chuva. O besouro faz a polinização da flor masculina com a feminina, de onde vêm o fruto, que fica maduro em cinco meses. A colheita é manual e feita de janeiro a janeiro. Com a utilização de equipamentos especializados, o trabalhador corta o cacho da árvore, que pode chegar a 30 kg, serra e transporta. De cada cacho é possível extrair 15 kg de óleo.
A safra melhora com a chuva e o combate às principais pragas: besouros e a lagarta desfolhadora. Para isso, o controle é biológico, com a instalação de armadilhas, além da criação de inimigos naturais, como as plantas nectaríferas. A adubação é mecanizada, com três janelas ao ano. Para manter a boa fitossanidade do pomar, a cada 45 dias é necessário realizar visita sanitária.
Belém Bionergia do Brasil (BBB)
Especializada em óleo de Palma, a empresa Belém Bioenergia (BBB), localizada em Tomé Açu, a 200 km de Belém (PA), produz em mais de 45 mil hectares, em sete municípios paraenses. São 38 mil hectares próprios e sete mil hectares com produção familiar, onde 553 famílias da região conquistaram renda com este trabalho.
Segundo o coordenador agrícola da Belém Bioenergia do Brasil (BBB), Vanilton Pantoja, cada variedade tem uma classificação de produção para manter o ano todo o processo industrial. “O segredo é ter boa fertilização, sol e água para ter uma boa qualidade de cacho e, assim, boa produção o ano todo”, revela.
A produção nos 38 mil hectares próprios rendeu, no ano passado, de 25 a 27 toneladas de óleo por hectare. Neste ano, porém, há expectativa de redução de 50% devido ao El Niño que atuou na safra 2023/2024. Com isso, o resultado deve ficar em apenas 17 toneladas por hectare.

Brasil produz 1% do óleo de palma do mundo
O potencial brasileiro para a produção de óleo de palma é gigante. O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abraplama), Victor Almeida, destaca que o Brasil produz apenas 1% da demanda mundial, completada por Indonésia, China, Índia e países da União Europeia. Apesar disso, o país é o que tem a maior área disponível com potencial produtivo: 11 milhões de hectares.
“Somente na região amazônica, há capacidade para 220 mil hectares. A meta para os próximos anos é crescer 50% na produção com foco em parcerias, a partir da gestão ambiental e social”, prevê Victor Almeida. Segundo ele, o investimento é a longo prazo. “São três anos para começar a produzir. O preparo começa dois anos antes. São cinco anos para dar frutos. Um total de oito anos de investimentos”, calcula.
Almeida afirma que o setor aguarda mais incentivos do governo federal. A Embrapa da região é aliada à produção, fornecendo as sementes. Porém, o desejo é manter a empresa com a iniciativa privada, para ampliar os recursos. Um edital para efetivar a operação está em discussão há seis meses.
Matéria-prima para sabonetes
Operando há dez anos em Benevides, a 30 km da capital paraense, a fábrica de sabonetes da Natura Brasil produziu mais de 500 milhões de sabonetes em 2023, enviados para outras partes do Brasil e para o exterior. E o principal ingrediente foi o óleo de palma, usado em cerca de 70% da composição.

Hoje, são produzidas cerca de 180 toneladas por dia do cosmético. Parte da matéria-prima é plantada em 400 hectares, utilizando o Sistema Agroflorestal (SAF). A meta da empresa é atingir 45 mil hectares de SAF Dendê até 2035.
Após 13 anos de pesquisa em busca de produção sustentável de óleo de palma, a Natura inova com um sistema que traz alternativa à monocultura. Ganha em produtividade e sustentabilidade.
*Jornalista viajou para Belém (PA) a convite da Fundação Dom Cabral
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