Sustentabilidade
Moratória da soja causa tumulto e interrompe sessão do Cade
Presidente do Conselho decidiu encerrar sessão, impedindo que uma petição da Abiove fosse levada ao plenário
Redação Agro Estadão*
23/10/2025 - 11:19

A sessão ordinária do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) terminou com um bate-boca na quarta-feira, 22. A cena foi protagonizada entre o presidente do colegiado, Gustavo Augusto Freitas de Lima, e o conselheiro José Levi Mello do Amaral Júnior. O tema que causou o tumulto: a moratória da soja.
Após deliberação dos itens previstos na pauta de julgamento, no final da sessão, o conselheiro Levi apresentou uma petição da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) que questiona a legitimidade de uma alteração que teria sido feita de maneira unilateral por Gustavo Augusto na relatoria do processo da moratória da soja.
A Abiove questiona uma ata retificadora — para corrigir erros ou omissões em uma ata original — publicada por Augusto. No documento, o presidente retirou a relatoria repassada a Levi pela secretaria do Conselho e a manteve com o conselheiro Carlos Jacques, relator original da ação.
Após ouvir a apresentação da deliberação enviada pela Abiove ao conselheiro Levi, o presidente do Cade disse que não incluiria a discussão na pauta. E então, encerrou a sessão. “Esse processo não está pautado. Vossa excelência [José Levi] não pediu inclusão. Portanto, eu não tenho como deliberar, mas está registrado”, disse.
O conselheiro Levi protestou, dizendo por diversas vezes que “a sessão não estava encerrada”. Devido ao impasse e confusão, a transmissão da sessão do Cade no Youtube foi interrompida. Porém, momentos antes, o conselheiro questionou o presidente: “Vai pegar a bola e sair que nem criança? Presidente ficou vencido mais uma vez, por favor, registre ata não aprovada”, esboçou.
Suspensão da sessão e pedido de vistas
Depois da discussão, o conselheiro Carlos Jacques defendeu que deveria manter a relatoria da ação. Jacques pediu a opinião de Victor Fernandes, integrante mais antigo do Cade. Ele se disse favorável à relatoria de Levi e pediu a suspensão da sessão.
A sessão foi retomada minutos depois de uma reunião a portas fechadas. No retorno, o presidente do Cade alegou que houve conflito de competência administrativa e pediu vista do voto, ou seja, mais tempo para análise. O prazo de vista é de 60 dias, com o item podendo ser incluído na pauta antes do tempo, mas, somente por decisão do presidente.
Entenda a petição da Abiove
Conforme a petição da Abiove, o presidente do Cade desrespeitou o regimento interno ao alterar a ata do julgamento de 30 de setembro. Na sessão, o órgão havia decidido manter a medida preventiva que suspende a moratória da soja a partir de 1º de janeiro de 2026. Dos seis integrantes do Cade, apenas o relator original, conselheiro Carlos Jacques, e o presidente votaram contra a manutenção da medida. A divergência foi aberta por José Levi Mello do Amaral Junior e acompanhada pelos demais conselheiros.
Pelo regimento interno, a relatoria deveria ter passado a Levi, já que a maioria foi formada a partir de seu voto. No entanto, segundo a Abiove, Augusto decidiu sozinho manter o relator original.
Na petição que teve a análise negada, a associação afirma que “o despacho do Presidente em exercício do Cade [que alterou a relatoria] é objetivamente nulo e írrito em razão de incompetência absoluta, uma vez que não pode ele se sobrepor ao quanto decidido, soberanamente, pela maioria do Tribunal Administrativo do Cade.”
O documento também afirma que Augusto alterou a ata do julgamento de forma unilateral. “Ao que consta, esta Ata foi monocraticamente retificada, talvez por suposto erro material, mas, note-se, não no ponto sobre o Voto divergente que veio a ser condutor da maioria formada e assim reconhecida nela própria segundo homologada, bem assim pela respectiva versão retificada.”
*com informações do Broadcast Agro
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Sustentabilidade
1
TCU indica que 60% da soja do biodiesel não tem comprovação ambiental
2
O gigante da natureza que desafia o tempo no RS
3
Etanol mais sustentável: USP testa tecnologias de captura de carbono
4
Estudo inédito revela capacidade do Pantanal de MT de reter carbono
5
Esse felino é tão raro que é conhecido como gato-fantasma
6
Entidades alertam para risco ambiental com saída de traders da Moratória da Soja
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Sustentabilidade
Projeto apoia produtores na regularização ambiental em SP; saiba como participar
Iniciativa da Ypê prevê investimento de R$ 4,4 milhões e recuperação de 80 hectares até 2026
Sustentabilidade
Agricultura sustentável ganha aliada na recarbonização do solo
Práticas de manejo restauram carbono, melhoram resistência do solo ao clima e reduzem custos com fertilizantes
Sustentabilidade
O gigante da natureza que desafia o tempo no RS
Estimada em mil anos, a araucária virou atrativo turístico de Nova Petrópolis na Serra Gaúcha
Sustentabilidade
Como calcular a idade das árvores?
Saiba quais métodos científicos e práticos revelam a idade das árvores de forma segura e sem cortá‑las
Sustentabilidade
BNDES financia com R$ 148,5 milhões usina de biometano no Paraná
Projeto em Toledo deve evitar 80 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano e fortalecer a economia circular na agroindústria
Sustentabilidade
Ubrabio quer aumentar percentual de soja com comprovação ambiental
Entidade também propõe mudança no cálculo dos CBios para reconhecer diferentes realidades da produção de soja
Sustentabilidade
Frentes parlamentares lançam coalizão para priorizar biocombustíveis
Grupo quer incluir metas para o setor no Mapa do Caminho para a transição energética do governo federal
Sustentabilidade
Entidades alertam para risco ambiental com saída de traders da Moratória da Soja
Organizações da sociedade civil afirmam que o cenário compromete diretamente a meta brasileira de zerar o desmatamento até 2030; Abiove não comentou o assunto