Sustentabilidade
Justiça suspende decisão do Cade sobre Moratória da Soja
Pedido de suspensão partiu da Abiove; Aprosoja-MT espera que o Cade mantenha a decisão
Redação Agro Estadão
26/08/2025 - 09:18

A Justiça Federal em Brasília derrubou nessa segunda-feira, 25, a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que suspendeu a Moratória da Soja, o acordo que proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas da Amazônia.
A medida havia sido anunciada há pouco mais de uma semana, após o Cade instaurar um processo administrativo contra as empresas signatárias do acordo e membros do Grupo de Trabalho da Soja.
A decisão foi proferida pela juíza Adverci Rates Mendes de Abreu, da 20ª Vara Federal, a partir de um pedido de suspensão feito pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A entidade argumentou que o Cade não considerou manifestações técnicas e jurídicas e interferiu na política ambiental do país.
Ao determinar a suspensão, a magistrada entendeu que a decisão do Cade não foi avaliada pelo colegiado do conselho e não teve a “consideração expressa” de pareceres do Ministério Público Federal (MPF), da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério do Meio Ambiente.
“A Moratória da Soja, vigente desde 2006, possui natureza voluntária, é integrada por diversos entes públicos e privados, e vem sendo reconhecida como instrumento de fomento ao desenvolvimento sustentável. Em sede de cognição sumária, afigura-se desproporcional e prematura a sua desarticulação imediata por meio de decisão monocrática, desacompanhada de debate colegiado e sem enfrentamento concreto dos argumentos técnicos oferecidos no procedimento originário”, decidiu a juíza.
Na semana passada, organizações socioambientais demonstraram preocupação com o aumento do desmatamento após a decisão do Cade. Já o Ministério da Agricultura, disse que a medida dá clareza sobre a legislação.
Em nota à imprensa, a Abiove diz que recebeu de forma positiva a decisão da Justiça Federal que “reconheceu a necessidade de aprofundamento do debate sobre a Moratória da Soja e foi compatível com a visão da Abiove quanto a legalidade do pacto”.
Posicionamento dos produtores de soja
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) disse, em comunicado, que respeita a decisão judicial e espera que o colegiado do Cade reitere as medidas preventivas que suspenderam os efeitos da Moratória da Soja.
A associação defende que o acordo não possui respaldo legal e “impõe barreiras comerciais injustas aos produtores, sobretudo os pequenos e médios, impedindo a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares e licenciadas”.
Para a entidade, a moratória é uma política ambiental, sem representação democrática, usada como pretexto para a exclusão econômica. O texto menciona ainda que “é também um passo necessário para restaurar a gestão democrática da terra, conforme destacou o ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal: ‘A Moratória impactou negativamente o sustento de pequenos e médios produtores e excluiu legalmente quem respeita a lei brasileira’. As tradings, que controlam mais de 90% das exportações, ‘impõem unilateralmente condições que afastam do mercado produtores que operam dentro da legalidade’.”
O que é a Moratória da Soja?
A Moratória da Soja é um acordo voluntário firmado em 2006 entre a Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetais (Abiove), a Associação Nacional do Exportadores de Cereais (Anec), o governo e a sociedade civil, com a participação de ONGs como o Greenpeace. O acordo proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas no bioma Amazônia após 22 de julho de 2008 — data de referência do Código Florestal Brasileiro.
*Com informações da Agência Brasil
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Sustentabilidade
1
Conheça a fazenda baiana que já foi hospital de guerra e hoje produz cacau sustentável
2
Em 5 anos, mais de 90% da soja no Centro-Oeste avançou sem desmatamento
3
STF dá 30 dias para SP apresentar plano de contratação de pesquisadores ambientais
4
“Agro tropical brasileiro será patrocinador da paz mundial”, diz Roberto Rodrigues
5
Exigência de rastreabilidade ganha força com lei antidematamento da UE
6
STF reabre julgamento crucial para a Moratória da Soja
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Sustentabilidade
GO: embalagens de agrotóxicos apreendidas em ferro-velho
Material estava armazenado irregularmente em ferro-velho; agência alerta sobre riscos e obrigações da logística reversa
Sustentabilidade
3tentos inicia processamento de canola no RS
Após adaptar planta de Ijuí, empresa projeta produção de 32 mil m³ de biodiesel e expansão até 2030
Sustentabilidade
Bunge obtém certificação à soja de Rondonópolis (MT) para combustível sustentável de aviação
Empresa também recebeu selo que reconhece que a soja certificada não está associada a nova expansão agrícola
Sustentabilidade
Nos EUA, indústria do petróleo apoia aumento da mistura de etanol
Instituto Americano do Petróleo se alia a grupos de combustíveis renováveis para pedir regras que permitam a venda de E15 durante todo o ano
Sustentabilidade
RS abre inscrições para programa de Pagamento por Serviços Ambientais do arroz
Edital prevê pagamento de até R$ 100 por hectare a produtores de arroz com certificação ambiental Instituto Riograndense do Arroz
Sustentabilidade
Abrafrutas lança selo para certificar produtores e empresas por boas práticas
Entidade também elegeu nova diretoria que estará à frente da associação entre 2026 e 2029
Sustentabilidade
Exigência de rastreabilidade ganha força com lei antidematamento da UE
No Estadão Summit Agro 2025, especialistas apontaram movimento semelhante de outros países, como a China
Sustentabilidade
“Agro tropical brasileiro será patrocinador da paz mundial”, diz Roberto Rodrigues
Ex-ministro da agricultura destacou o legado do agro pós-COP 30 durante palestra magna no Estadão Summit Agro 2025