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Achachairu: o que é, como cultivar e benefícios

Ainda pouco conhecido, o achachairu tem sabor doce, com toques de acidez, e é de fácil cultivo. A produção tem espaço para crescer

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Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com

24/02/2024 - 10:00

Polpa pode chegar a 40% de todo a fruta. Foto: José Urano de Carvalho/Arquivo Pessoal
Polpa pode chegar a 40% de todo a fruta. Foto: José Urano de Carvalho/Arquivo Pessoal

Exótico no Brasil, o achachairu costuma ser confundido com o bacupari ou o bacuripari ou o bacurizinho. No entanto, diferente dessas, essa frutinha não é brasileira e tem um sabor mais marcante, garante o pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Amazônia Oriental e entusiasta do achachairu, José Urano de Carvalho. 

“Não há uma pessoa que, comendo o achachairu no ponto adequado de maturação, vai dizer que não gostou da fruta”.

José Urano de Carvalho, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental

O Agro Estadão foi atrás para conhecer o achachairu e saber as particularidades dessa fruta. Confira o que é, a origem, a forma de cultivo e os benefícios dela.

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O que é o Achachairu?

O achachairu é uma fruta de sabor doce e levemente ácida, de aroma leve, que tem um comprimento médio de 4,8 centímetros e largura média de 3,8 centímetros. Seu peso varia entre 15 e 50 gramas, sendo que a média é de 30 gramas. Tem casca um pouco resistente, mas que se rompe com certa facilidade ao aplicar uma força pequena com as mãos.  No centro há no máximo quatro sementes envolvidas por uma polpa branca. Quando está madura e pronta para consumo, a coloração passa de amarelo para um amarelo queimado, próximo ao laranja.  

Da família das garcinias, essa frutinha não é tão conhecida pelos brasileiros, mas tem um alto valor quando é possível encontrar em feiras de rua e mercados. Na cidade de São Paulo, por exemplo, é possível encontrar a fruta na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). O valor do quilo pode chegar a R$ 40.

Origem e curiosidades do Achachairu

O achachairu é típico da Bolívia, mais precisamente das regiões próximas à cidade de Santa Cruz de La Sierra. Mesmo lá, a fruta não é tão conhecida, garante o pesquisador. “O achachairu não é muito conhecido fora da área de ocorrência dele mesmo lá na Bolívia”.

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Uma árvore de achachairu na Bolívia pode chegar a uma largura de copa de 10 metros, com um porte semelhante ao de uma mangueira. Por lá, a produção de um único pé chega a 150 quilos. 

Além disso, na região de Santa Cruz de La Sierra e de Porongo, se realiza uma feira para celebrar a colheita e comercializar a fruta in natura e os derivados, como sucos e doces. 

Na primeira colheita, a árvore de achachairu mede de dois a três metros de altura. Foto: José Urano de Carvalho/Arquivo Pessoal

Como é chamado no Brasil?

No Brasil, além de achachairu, é possível encontrar ele com outros nomes como shashairú, bacupari-boliviano, cachicheruqui, ibaguazú e tapacuarai. 

O mais comum é achachairu, não muito distante de como se fala na Bolívia. A diferença está mais na escrita, já que no espanhol ela recebe um acento ao final, “achachairú”. 

Cultivo

Apesar do nome diferente, o achachairu não é uma espécie de difícil cultivo. É possível iniciar uma planta a partir da semente, mas o método mais recomendado é por enxertia – implantação de uma parte da planta original em outra. 

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“Esse enxerto do achachairu pode ser feito no bacupari ou o bacuripari ou o bacurizinho”, diz o pesquisador. No entanto, por ser uma espécie pouco estudada, o pesquisador alerta que o comportamento de produção ao longo do tempo é desconhecido utilizando esse método.

Nos casos em que o cultivo começa pela semente, é importante que a fruta e a semente não sejam armazenadas na geladeira. A germinação desse tipo de planta tende a acontecer facilmente, podendo demorar até 60 dias. 

Início da colheita

Quanto ao início da produção, na região da Amazônia, cujo clima é mais propício, a partir do terceiro ano já é possível colher as primeiras frutas, que são poucas, no máximo um quilo por planta. Na região Sudeste, com clima mais frio, a primeira colheita é com cinco ou seis anos. Esse tempo é reduzido para até três anos e meio quando a plantação é feita pelo processo de enxertia. 

Solo

De fácil adaptação em praticamente todos os solos, a árvore de achachairu só não é indicada para solos encharcados e que não tenham drenagem. “No solo argiloso ela vai bem, no solo arenoso, desde que se faça uma complementação, ela também se desenvolve bem”, explica o Urano.

É possível plantar no quintal de uma casa, já que as raízes não costumam ter um sistema radicular agressivo, ou seja, o risco de ter as calçadas levantadas acentuadamente é baixo.

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Cuidados

Por ser uma árvore que cresce até 9 metros de altura, a planta requer alguns cuidados na hora do plantio. A indicação do pesquisador da Embrapa é de que não seja plantada perto de redes elétricas e nem muito próxima a construções, para evitar transtornos futuros. 

Além disso, é uma planta que não suporta geadas, portanto, não é adequada para áreas que tenham esse tipo de fenômeno.

Outro ponto de atenção, especialmente para consumidores de primeira viagem, é o valor das mudas. Urano considera “absurda” a oferta de mudas por R$ 150 a R$ 300 e avisa que há opções mais baratas. 

“No mercado virtual é preciso estar atento, pois às vezes você encontra essa planta sendo vendida a R$ 150, R$ 200, R$ 300. Um absurdo. Não se justifica. O valor de uma muda de achachairu, pela raridade, deve ser na faixa de R$ 40 a R$ 60”, indica o especialista.

Produção no Brasil

No Brasil, a produção dessa fruta ainda tem pouca escala. Em São Paulo e no Espírito Santo é possível encontrar alguns pomares, mas ainda não há uma produção considerável. O pesquisador analisa que as pessoas estão plantando um ou dois pés em casa, para observar o comportamento. 

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“Dizer que tem um pomar com 2 mil plantas é improvável. Talvez seja possível encontrar 200 ou 100. Aqui no Pará, por exemplo, não deve haver 300 plantas de achachairu”, revela. 

Urano relata que as árvores que têm na Embrapa, em Belém (PA), têm de 6 a 7 anos e produzem de 5 a 8 quilos por temporada. No auge, podem chegar a 150 quilos. 

Ele lembra que o achachairu é uma fruta sazonal. Ela começa a produzir em outubro, indo até fevereiro, na região Amazônica. Na Bolívia, o tempo de colheita começa em novembro e também vai até fevereiro.

Diferente de outros tipos de fruta, o achachairu não cai quando está maduro. Foto: José Urano de Carvalho/Arquivo Pessoal

Como comer o achachairu?

Segundo o pesquisador, na Bolívia se faz polpas do achachairu para diferentes finalidades, como doces. No Brasil, não é tão comum. Basicamente se consome ao natural, “chupando” a polpa diretamente da fruta. 

“Na forma de suco não há o real sabor como se tem na fruta fresca”, opina Urano.

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Outra vantagem do achachairu é que a parte comestível (polpa) chega a ser de 30% a 40% de toda a fruta. Diferente do bacurpari, do bacurizinho e do bacuri, por exemplo, em que os rendimentos da polpa só chegam a 30%. 

Benefícios do achachairu

As pesquisas dos benefícios dessa fruta ainda são recentes e poucas. Segundo o pesquisador, elas têm demonstrado que o achachairu conserva um bom teor de fósforo, cálcio e potássio. 

Além disso, tem uma quantidade “razoável” de vitamina C. “A exemplo das garcinias, ele deve ter alguns desses compostos bioativos, compostos que trazem benefício para a saúde”, completa Urano.

Expectativas para o achachairu

Na visão do especialista, a fruta poderia ser mais explorada no Brasil, já que apresenta clima e condições parecidas aos da região de origem. Ele aposta que a planta pode ficar mais barata com a expansão do cultivo.

“Eu acho que é uma fruta que tem futuro aqui no Brasil. Não é uma fruta que vai conquistar um mercado que tem, por exemplo, a maçã, a laranja ou o açaí. Mas ocupar um nicho de mercado dessas frutas diferentes, seguramente ela vai ocupar. E à medida que ela for se popularizando e for aumentando a área do cultivo, a tendência do preço dela é baixar. Eu acredito que no futuro o consumidor vai poder comprar o quilo do achachairu na faixa de R$ 10 a R$ 15”, conclui Urano. 

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