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Economia

Suco de laranja fica sem opções além dos EUA, diz especialista

Apesar da intenção de importadores dos EUA em antecipar entregas, estoques baixos e logística travam mercado

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

23/07/2025 - 08:00

Tarifa de 50% deve comprometer competitividade das indústrias de suco de laranja | Foto: Adobe Stock
Tarifa de 50% deve comprometer competitividade das indústrias de suco de laranja | Foto: Adobe Stock

Diferentemente do setor de café, que vislumbra alternativas para redirecionar parte de sua produção destinada aos Estados Unidos (EUA), o mercado de suco de laranja enfrenta um cenário mais restrito. Segundo o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Renato Garcia Ribeiro, essa complexidade ocorre devido ao alto volume de produção direcionado ao mercado norte-americano. 

Atualmente, os Estados Unidos importam cerca de 90% do suco que consomem, sendo o Brasil responsável por aproximadamente 80% desse total. “Então, fica um quadro bastante complexo, dado que não é tão simples assim esse redirecionamento”, afirmou o pesquisador. 

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Conforme Ribeiro, houve a intenção, entre as indústrias americanas, de antecipar o envio de suco para lá. No entanto, os baixos estoques brasileiros e questões logísticas surgiram como gargalos. “Todo o processo de logística é bastante complexo. A gente vem de um momento no qual os estoques de suco estão muito baixos. Então, por mais que se tentasse acelerar o processo de envio, há pouco suco disponível”, disse ao Agro Estadão. 

Diante desse quadro, o Cepea aponta o setor de suco de laranja como o mais sensível à tarifa norte-americana de 50%. Os pesquisadores explicam, em relatório, que já incide atualmente uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada sobre o produto. Assim, a aplicação de uma sobretaxa de até 50% elevaria significativamente o custo de entrada do suco nos EUA, comprometendo sua competitividade no segundo maior destino dos embarques brasileiros. 

Com a sinalização da tarifa, pesquisadores do Cepea apontam que indústrias brasileiras já passaram a suspender novos contratos, limitando-se ao mercado à vista, com valores entre R$ 40,00 e R$ 45,00 por caixa, diante do elevado grau de incerteza.

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