Economia
Suco de laranja está isento das tarifas dos EUA; subprodutos seguem taxados
Setor sofre impacto de cerca de R$ 1,5 bilhão devido às tarifas vigentes aos subprodutos, que não foram citados na ordem executiva
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nasimento@estadao.com
15/11/2025 - 09:44

Com a nova ordem executiva publicada pelo governo de Donald Trump, o suco de laranja brasileiro ficou totalmente isento das tarifas recíprocas impostas pelos Estados Unidos (EUA). O produto tinha sido incluído apenas na lista de itens atingidos pela tarifa de 10% — em abril deste ano — ficando de fora, posteriormente, do adicional de 40%.
Para a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Citricos (CitrusBR) retirada das tarifas recíprocas ocorre em um momento relevante para o mercado global de suco, que passa por preços internacionais em queda, consumo retraído nos principais mercados e está com uma maior oferta de fruta na safra atual. “A decisão dos EUA alivia parte da pressão competitiva sobre o produto brasileiro justamente em um cenário de desvalorização”, diz a CitrusBR, em comunicado.
A Associação lembra, entretanto, que a tarifa tradicional de US$ 415 por tonelada de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ), vigente há décadas e anterior ao chamado dia da libertação, continua valendo normalmente.
Subprodutos seguem tarifados
Em nota, a CitrusBR destaca ainda que os subprodutos derivados de todo o processo de produção do suco de laranja não são mencionados no anexo, ou seja, continuam tarifados. “Os códigos referentes a óleos essenciais cítricos, d-limoneno e farelo/casca de laranja não aparecem no Anexo II e, por isso, continuam sujeitos às tarifas recíprocas”, informa.
A entidade reitera esperar que, com o avanço das negociações entre Brasil e Estados Unidos, seja possível um entendimento que elimine todas as barreiras tarifárias impostas à cadeia de suco de laranja, “o que seria benéfico para produtores, indústrias brasileiras e norte-americanas e, claro, para o consumidor dos Estados Unidos”, conclui.
Estimativa da CitrusBR divulgada em agosto deste ano aponta para um prejuízo de cerca de R$ 1,5 bilhão ao setor devido às tarifas vigentes aos subprodutos.
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